A alavancagem financeira média das empresas no terceiro trimestre também subiu, saindo de 1,3 vez o Ebitda para 2,3 vezes. Uma variação de 77%.
Para saber qual é a alavancagem, você pega a dívida líquida (o que a empresa deve menos o que ela tem em caixa) e divide pelo lucro operacional (o Ebitda). O número que sai dessa conta mostra quantos anos a empresa levaria para pagar sua dívida usando todo o lucro operacional.
Ou seja: o endividamento subiu e o Ebitda médio baixou. Resultado: uma alavancagem mais perigosa.
João Daronco, sócio e chefe da área de ações da Suno, lembra que o comparativo entre a dívida líquida e o Ebitda é uma das formas mais eficientes para o investidor chegar a uma primeira conclusão sobre a saúde financeira da companhia. E o ideal é investir em empresas cuja alavancagem esteja abaixo de 2,5 vezes, em linhas gerais.
A média das empresas com ações na bolsa aproxima-se, então, dessa linha vermelha.
O aumento dos dados de endividamento das companhias também reforça que o investidor precisa redobrar a cautela em um momento de euforia na bolsa de valores. Ter dívidas faz parte do crescimento de qualquer companhia e é comum que companhias com uso intensivo de capital – seja para expansão de atividades, seja pela atividade em si, como indústrias siderúrgicas, petroquímicas, fabricantes de máquinas e equipamentos, por exemplo – tenham um nível de alavancagem maior.
Ainda assim, um nível elevado de alavancagem e endividamento líquido por uma sequência de trimestres consome o caixa da empresa e piora a capacidade dela de destinar recursos para outros investimentos e garantir a lucratividade com o passar do tempo.
Empresas com nível de alavancagem alto também costumam passar por maior volatilidade de preços na bolsa de valores. Isso porque os investidores acabam tendo uma menor propensão a investir no longo prazo em empresas cujo resultado financeiro é incerto – um efeito causado justamente pela dificuldade das empresas endividadas em contrair novos empréstimos, trocar dívidas mais caras por mais baratas e estender prazos.
O alto nível de endividamento também compromete os acordos firmados com os credores. Isso porque, ao emitir uma debênture ou outro tipo de dívida, a empresa precisa assumir metas de alavancagem e de desempenho financeiro — os chamados covenants.
Quando a dívida cresce de forma descontrolada, a empresa pode deixar de cumprir esses covenants e abre espaço para que os credores executem a dívida, ou seja, exijam o pagamento imediato. Para evitar isso, muitas vezes a companhia precisa renegociar as condições e pedir um waiver, uma “autorização” temporária para descumprir as metas enquanto ajusta sua estrutura financeira.
A metodologia do levantamento foi elaborada pela Quantum a partir das Informações Trimestrais (ITR) entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a base de informações pode divergir da apresentação geral de resultados das empresas porque a divulgação da dívida líquida total ou de Ebitda não é obrigatória.