O desfile da Prada em Milão, no fim de fevereiro, acabou ofuscado pela presença de uma das figuras mais influentes do mundo da tecnologia, Mark Zuckerberg, CEO da Meta. Os cerca de 60 looks apresentados na passarela ficaram em segundo plano diante de uma pergunta que dominou os bastidores do evento: o que Zuck estava fazendo na primeira fila?

Não há apenas uma resposta. A hipótese mais evidente é a de uma possível colaboração entre a empresa de tecnologia e a tradicional grife italiana. A ideia seria unir o design da Prada à tecnologia da Meta no desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial.

Recentemente, a Meta abriu lojas Meta Lab, onde esses óculos com IA são vendidos, em estados como Havaí, Califórnia, Nevada e Nova York, reforçando a aposta da empresa no mercado desses dispositivos.

No desfile, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, se sentaram entre executivos da marca e figuras importantes do grupo, como Lorenzo Bertelli, filho de Miuccia Prada e atual diretor de marketing. Em entrevistas recentes, Bertelli tem destacado a importância de tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial. O fato de o herdeiro da companhia estar ao lado do CEO da Meta também reflete como os desfiles hoje são apenas uma parte do ecossistema de negócios de uma casa global de luxo.

Nesse contexto, a Prada poderia entrar no portfólio da Meta como uma versão mais sofisticada — e de luxo — dos dispositivos com IA. Questionada sobre o tema nos bastidores do desfile, Miuccia Prada não confirmou a parceria, mas também não descartou a possibilidade. A estilista respondeu apenas: “Talvez, quem sabe?”.

Vale lembrar que a Meta já atua no segmento de dispositivos vestíveis (wearables) em parceria com a fabricante franco-italiana EssilorLuxottica, responsável pela produção de óculos de marcas como Ray-Ban e Oakley.

Na passarela, a Prada apresentou uma coleção marcada por sobreposições e contrastes de materiais. A linha outono-inverno seguiu a estética minimalista que caracteriza a marca, apostando em roupas adaptáveis ao cotidiano e em silhuetas estruturadas.

Tendências como alfaiataria robusta, camadas volumosas e texturas contrastantes dominaram a apresentação. Ainda assim, grande parte das conversas nos bastidores acabou girando em torno da presença do fundador da Meta.

“Zuckanissance”: a transição do estilo de Mark Zuckerberg

A presença de Zuckerberg no desfile também reforça a mudança recente no estilo do CEO da Meta, que vem sendo chamada de “Zuckanissance”, uma transição para um visual mais sofisticado e autoral. Pelo jeito, os tempos do moletom cinza ficaram para trás. Apesar da mudança para um guarda-roupa mais refinado, com peças de luxo e roupas de marca, Zuckerberg mantém uma abordagem minimalista e confortável.

No desfile da Prada, como era esperado, ele e Priscilla Chan vestiam peças da própria grife italiana. O bilionário apareceu com um visual típico de “tech bro” em versão mais elegante: uma camisa polo bege de manga longa e calças marrom-escuro. Chan, por sua vez, usava um discreto suéter cinza, uma saia azul-marinho longa até o chão e mocassins marrons com sola plataforma.

Nos últimos tempos, Zuckerberg tem demonstrado um interesse mais visível por moda. Ele chamou a atenção da edição britânica da revista GQ ao usar um grande casaco de pele de carneiro (shearling) e também mandou produzir camisetas personalizadas com frases em latim da marca do designer Mike Amiri.

Moda e tecnologia

A presença de Zuckerberg e de outros bilionários em semanas de moda também reflete uma mudança no próprio ecossistema cultural do setor. Eventos antes dominados por estilistas e celebridades agora atraem líderes de grandes empresas de tecnologia e finanças.

No caso do CEO da Meta, a aparição na primeira fila da Prada simboliza um momento em que a indústria da moda e o universo tech se aproximam, cada vez mais, não apenas no design de produtos, mas também como estratégia de mercado. Se confirmada, a parceria entre Meta e Prada pode representar um novo capítulo nessa convergência entre tecnologia, inteligência artificial e luxo.