A Petrobras deu mais um passo para consolidar sua posição como co-controladora da Braskem ao lado da gestora IG4, que vai assumir o lugar da Novonor (ex-Odebrecht) no comando da maior petroquímica do Brasil.

A assembleia geral ordinária de acionistas, que será realizada nesta quarta-feira (29), deve aprovar a indicação de Magda Chambriard, CEO da estatal, para presidir o conselho de administração da Braskem. Héctor Núñez, executivo da Novonor que ocupava o cargo, passa a ser vice-presidente do colegiado.

A mudança na cúpula do conselho ocorre num momento de transição delicada. A IG4, gestora do investidor Paulo Mattos, já assinou contrato para assumir as ações da Novonor, mas a finalização do processo de troca de controle está prevista para ocorrer apenas em meados de maio.

Inicialmente, a expectativa era que IG4 e Petrobras indicassem nomes para um novo conselho e nova diretoria já nesta semana. 

Mas, como a assembleia desta quarta-feira incluía a análise do desempenho da gestão atual, empossar os novos nomes agora os exporia a responder por decisões que não foram delas, segundo fonte ouvida pelo InvestNews.

Com isso, a indicação do novo CEO, Helcio Tokeshi, sócio da IG4, e de Carlos Brandão como CFO ficaram para depois do fechamento do negócio entre a gestora e a Novonor. 

A exceção é Hélio Novaes, sócio da IG4 e ex-executivo da Alvarez & Marsal, que já foi indicado para ocupar uma das cadeiras no conselho de administração da Braskem. A expectativa é que Novaes se torne vice-presidente do board após a troca de controle. 

Credores

Enquanto o fechamento não vem, a IG4 já iniciou formalmente uma rodada de conversas com os credores da Braskem, que encerrou 2025 com US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 47 bilhões) em dívida bruta.

A gestora busca um standstill, acordo que suspenderia temporariamente o pagamento das dívidas e abriria caminho para uma recuperação extrajudicial. As conversas, por ora, ainda são tensas. 

Parte dos credores entrou nas negociações esperando que a Petrobras sinalizasse com um aporte de capital na companhia – um “bail out” da estatal não está nos planos.

O consenso na Braskem é que a recuperação extrajudicial é o caminho preferencial. Mas a recuperação judicial permanece como última alternativa.

Venda de ativos

A resistência da Petrobras a desembolsos para salvar a Braskem também se estende à questão dos ativos. O mercado especulou, nos últimos meses, sobre uma eventual venda de plantas da petroquímica como forma de aliviar o endividamento. A estatal, porém, resiste à ideia.

Em agosto, Braskem e Unipar confirmaram conversas sobre a venda de ativos nos Estados Unidos, com a assinatura de um acordo de confidencialidade entre as partes.

Magda Chambriard chamou publicamente a negociação de “surpresa ruim”, disse ter ficado sabendo pelo “burburinho do mercado” e notificou a Braskem. O negócio não avançou.

Neste primeiro momento, com a nova estrutura acionária ainda se consolidando, são poucas as chances de a petroquímica partir para uma venda relevante de ativos, de acordo com outra fonte ouvida pela reportagem.