A indicação integra uma renovação mais ampla da liderança da maior petroquímica da América Latina, que vive uma transição de controle após a entrada da gestora IG4 Capital no capital da companhia.
Em aviso aos acionistas divulgado na véspera da assembleia, a Braskem informou que Petrobras e Novonor — ex-Odebrecht, em recuperação judicial — substituíram candidatos na chapa conjunta para o colegiado. Com as alterações, Chambriard foi indicada para o posto de presidente do conselho, enquanto Héctor Nuñez, nome da Novonor, ficará com a vice-presidência.
A presidência do conselho deverá ser indicada pela estatal — a atual CEO da Petrobras, Magda Chambriard.

Engenheira civil com mestrado em Engenharia Química pela Coppe/UFRJ, Chambriard iniciou a carreira na Petrobras em 1980. Entre 2012 e 2015, comandou a Agência Nacional do Petróleo (ANP), onde liderou a primeira rodada de licitações do pré-sal. Voltou à Petrobras em junho de 2024 como diretora-presidente. O documento da Braskem a classifica como pessoa politicamente exposta.
A chapa para o colegiado inclui ainda William França da Silva e Fernando Sabbi Melgarejo, ambos oriundos da Petrobras. França é presidente do conselho da Transpetro e acumula passagens por refinarias no Brasil e na Bolívia. Melgarejo é o atual diretor financeiro da Petrobras, com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro.
Já pelo lado da Novonor, além de Nuñez — executivo com passagens por Walmart Brasil, Ri Happy e Coca-Cola —, entra Hélio Baptista Novaes, sócio-diretor e CFO da IG4 Capital, gestora que assumiu o controle acionário da Braskem.
A Petrobras mantém sua participação de 36,1% no capital total da Braskem, equivalente a 47% do capital votante. O FIP Shine, fundo da IG4, passará a deter 50,11% das ações ordinárias e cerca de 34,32% do capital total.
A nova composição reflete o acordo de acionistas firmado em 23 de abril entre Petrobras e IG4, que prevê controle compartilhado e consenso obrigatório nas deliberações do conselho e da assembleia. O plano é que um novo conselho e uma nova diretoria sejam eleitos já na assembleia do dia 29 de abril.
O conselho eleito nesta quarta terá mandato de dois anos, até a AGO de 2028.
A nova gestão chega em meio a uma situação financeira delicada. A dívida líquida da Braskem encerrou 2025 em US$ 7,5 bilhões, e o endividamento bruto corporativo soma US$ 9,4 bilhões. A tendência é que a empresa busque um acordo de suspensão de pagamentos (standstill) com a maioria dos credores, abrindo caminho para uma recuperação extrajudicial.