“Nós nos vangloriamos do recorde mundial, mas não é só isso”, disse o CEO Bjorn Gulden a jornalistas na quarta-feira (28), apenas três dias após a performance recorde do queniano Sabastian Sawe em Londres com o novo tênis de corrida Adizero Adios Pro Evo 3.
A empresa ainda tem um longo caminho a percorrer para se conectar melhor com “o mercado de corrida voltado ao conforto e ao corredor do dia a dia” e “tem muito a recuperar em termos de distribuição”, afirmou Gulden.
Atrás da concorrência
Sabastian Sawe, do Quênia, após vencer a maratona de Londres em 26 de abril.
A Adidas tem enfrentado dificuldades para ganhar tração no maior esporte de participação em massa do mundo diante da forte concorrência de rivais como On Holding AG, Hoka e Brooks.
A empresa espera mudar esse cenário graças ao desempenho histórico de Sawe com o mais recente Adizero Adios Pro, que pesa menos de 100 gramas em tamanho padrão e custa US$ 500 o par. Nesta semana, o modelo chegou a ser vendido por até €2.755 (US$ 3.224) na plataforma de revenda StockX.
A Adidas praticamente perdeu o início do boom dos tênis de corrida na última década, quando marcas emergentes como On e Hoka lançaram designs inovadores, altamente amortecidos e confortáveis.
Desde que a Adidas introduziu a linha Adizero Adios Pro em 2020, a marca conquistou bastante sucesso no nível de elite, mas não conseguiu gerar uma demanda mais ampla. Isso se deve, em parte, à estratégia adotada no início desta década de reduzir parcerias com grandes varejistas para fortalecer seus próprios canais de e-commerce.
Mesmo com o lançamento de produtos semelhantes para corredores comuns e a retomada de parcerias com varejistas, a empresa ainda enfrenta dificuldades. Em janeiro, quando a rede americana de corrida Fleet Feet divulgou sua lista dos “10 melhores tênis de corrida de 2026”, não havia nenhum modelo da Adidas.

No início deste ano, a empresa lançou o tênis Hyperboost Edge, com alto nível de amortecimento e leveza, vendido por US$ 200, que Gulden chamou de “nossa resposta ao segmento de corrida focado em conforto”.
Ele reconheceu que outras marcas tiveram mais sucesso nessa categoria do que a Adidas.
“A falta de sucesso que tivemos na corrida há dois, três, quatro anos foi, claro, consequência da falta de inovação que levamos ao mercado”, disse.
Na quinta-feira, a Adidas divulgará um documentário produzido pela empresa que acompanha a preparação e a execução da corrida de Sawe abaixo de duas horas.
Outro atleta da Adidas, Yomif Kejelcha, também quebrou a barreira das duas horas ao terminar em segundo lugar em Londres. Já Tigst Assefa venceu a prova feminina usando tênis da marca, superando seu próprio recorde mundial em provas exclusivamente femininas.