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Análise

Jornada da Renda Fixa: como escolher o melhor título indexado à inflação

Além do Tesouro IPCA, é possível encontrar papéis deste tipo em CDBs, debêntures, CRIs, LCIs e LCAs.

Publicado

em

por

Eduardo Perez*

Os títulos indexados à inflação são buscados por investidores que querem se proteger da alta de preços, mas poucas pessoas sabem como eles funcionam na verdade. Nessa edição vamos usar a NTN-B Principal, conhecida como Tesouro IPCA+ como base. Também é possível encontrar outros títulos indexados ao IPCA como CDBs, debêntures, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs.

Este artigo faz parte da série “Jornada da Renda Fixa”, assinada pelo analista da Easynvest Eduardo Perez. Veja abaixo as publicações anteriores:

  1. Como dar o primeiro passo para sair da poupança
  2. Como funciona o Tesouro Prefixado
  3. O que você precisa saber antes de investir em CDBs
  4. As vantagens de investir em LCI e LCA

Para explicar todo o funcionamento de uma maneira mais fácil, vamos descomplicar alguns termos muito usados:

  • Juro Real: é a taxa de juros que aparece junto aos títulos na forma de taxa, por exemplo: IPCA+3% a.a.. É considerada “real” porque aumenta seu investimento em uma taxa acima da inflação, logo seu investimento não perde para a inflação se levado até o vencimento.
  • IPCA: é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo divulgado pelo IBGE, ou seja, é o índice oficial de inflação adotado pelo Brasil. Ele mede a variação nos preços dos produtos e serviços comercializados no varejo nas regiões metropolitanas mais importantes do país.
  • Marcação a Mercado: é a atualização diária do preço do seu título no mercado de títulos. Ela afeta suas aplicações no Tesouro Direto, por exemplo, te mostrando quanto você receberia caso escolhesse resgatar o investimento hoje. Ela só te impacta efetivamente caso você faça o resgate antecipado, caso contrário, você recebe exatamente a taxa acordada no momento da compra quando chegar a data de vencimento.  ação, logo seu investimento não perde para a inflação se levado até o vencimento.

Ao lado, vemos a representação gráfica dessa variação do preço real (marcação a mercado) e do preço teórico (na curva de juros).


Um título atrelado ao IPCA ou a outro índice de preços como o IGP-M, é o que chamamos de um título híbrido por conter uma parte da sua remuneração em um índice como a inflação + os juros reais expressos como uma taxa ao ano.

A primeira parte funciona da seguinte forma: uma parte da sua aplicação é corrigida diariamente conforme a inflação do período de maneira proporcional, ou seja, a inflação do mês é dividida para que possamos saber qual a variação da inflação ao dia.

Na outra parte, temos uma taxa prefixada a ser paga no vencimento, mas como vimos na edição sobre os títulos prefixados, quanto maior essa taxa, menor o preço do título e vice-versa.

Essas taxas que mudam diariamente na marcação a mercado do seu título são negociadas na Bolsa pelos grandes investidores que podem fazer uma aposta se essas taxas vão subir ou cair e lucrar com isso, ou podem usar essas operações para fazer a proteção da carteira deles, mas, no momento, esse não é nosso foco.

A negociação dessas taxas funciona com a mesma dinâmica das ações, variando conforme a oferta e demanda. Então, se muitos investidores acham que a taxa para 5 anos está muito baixa em relação ao risco do país, eles começam a apostar na sua alta e, com isso, fazem a taxa se elevar.

Já se acharem que a taxa está muito alta, começam a apostar na queda e fazem a taxa cair. Basicamente, essa taxa é que impacta a parte prefixada do seu título.

Tesouro Selic não sofre com marcação?

Existe essa convenção de que o Tesouro Selic é a aplicação mais conservadora e com menor risco do país, mas ela pode ser negociada com um ágio/deságio, que é uma taxa prefixada para dar mais atratividade ao título. Em 2020, essa taxa cresceu devido à dificuldades de captação do Tesouro pela piora do cenário econômico e fez com que investidores que tivessem feito aplicações semanas ou meses atrás vissem o valor do seu investimento menor do que o valor aplicado inicialmente. Então, é sempre bom ter em mente que mesmo o Tesouro Selic sofre com a marcação a mercado.

Como escolher seu papel?

Aqui nós precisamos saber o objetivo e o prazo do investidor antes de aplicar no título. Se você planeja guardar dinheiro para algum projeto específico de longo prazo, como se aposentar ou pagar a faculdade do seu filho ou filha, sem a pretensão de resgate desse investimento antes do vencimento e quer garantir que a aplicação tenha um rendimento maior que a inflação acumulada do período, os títulos como o Tesouro IPCA+ podem ser uma boa opção.

Mas por que é preciso focar no longo prazo dando preferência em não resgatar o título antes do vencimento? Esse gráfico abaixo é da variação no preço do título IPCA+ 2040, considerado de longo prazo.

 Nesse caso, fica bem claro que o investidor que tivesse comprado 1 unidade desse título em 18/03 teria pagado R$ 1.446,72 e seu título estaria valendo R$ 1.318,10 após 5 dias. Caso o investidor precisasse resgatar sua aplicação, sua rentabilidade bruta seria de -8,89%.

 Essa mudança no preço do título aconteceu pelo aumento na taxa prefixada do título, fazendo o preço atual dele cair.

O investidor inteligente vê situações como essas como uma oportunidade de continuar fazendo seus aportes nesse título, já que uma nova aplicação terá uma taxa prefixada maior nessa parcela do total investido.

E títulos de curto prazo?

Os títulos de curto prazo ficam menos expostos a mudanças nas taxas dos juros reais na curva de juros já que a incerteza é menor para prazos menores, mas isso não significa que não estejam suscetíveis à marcação a mercado e variação no seu preço antes do vencimento.

De uma maneira bem simples, para garantir sua rentabilidade acima da inflação, não importando se é no curto ou no longo prazo, é preciso levar o título até o vencimento e entender que durante esse caminho é normal que haja essa variação no investimento até a data do vencimento.

Pré, pós ou híbrido?

 Se você quer menos influência da marcação a mercado e uma estabilidade maior no preço do título, ou se você acredita que a taxa Selic vai subir, então um título pós-fixado como a LFT pode ser mais útil.

 Se você quer saber exatamente quanto receberá no vencimento, não liga tanto para a variação de preço no meio do caminho,  se pensa em fazer um possível resgate antecipado lucrando com a marcação a mercado ou acredita que a taxa de juros do Brasil vai cair e que a curva de juros futuros ainda não precificou essa queda, um título prefixado como a LTN pode ser melhor, mas o risco é grande.

 Se você quer garantir um juro real, sem possibilidades de sua rentabilidade ficar abaixo da inflação no vencimento ou se você acredita que a taxa de juros do Brasil vai cair e o mercado não precificou essa queda ainda, uma NTN-B Principal pode ser boa, apesar de ser mais difícil de acertar o momento de compra e resgate antecipado por ter componentes pós-fixados e prefixados.

*Eduardo Perez é analista de investimentos da Easynvest

Gostou do conteúdo? Esse foi a quinta de uma série de informativos sobre a renda fixa onde vamos evoluir sobre o assunto. Se você gostou mas ficou com alguma dúvida sobre renda fixa, manda pra gente no e-mail [email protected]. Vamos escolher as perguntas mais recorrentes e trazer as respostas.

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