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Mentes brilhantes: quem é Renan Hannouche, um líder sem os ‘pés no chão’

Uma conversa com o fundador da comunidade Gravidade Zero, o jovem empresário pernambucano e uma das mentes mais brilhante do país, sobre os desafios dos líderes empresariais em reconstruir seu propósito na vida e nos negócios.

Publicado

em

por

Ricardo Natale
Renan Hannouche

Após um ano de tantos desafios e reinvenções, chego à conclusão de que até as nossas referências estão em polos gravitacionais opostos. Hoje, os modelos não são mais aqueles dos industriais que estão à frente de conglomerados gigantes, ou dos empresários self-made man que construíram impérios do zero. Os nossos gurus, definitivamente, flutuam em outros universos.

Se as grandes referências da atualidade não estão mais nos livros e, muito menos, nas salas de aula, o desafio de compreender o futuro do mundo corporativo fica ainda mais complexo. Ou caótico. É preciso estar atento e olhar para todas as direções, saber questionar modelos de negócios inovadores que ainda não se provaram viáveis financeiramente e, por fim, acompanhar a geração que está chegando ao mercado de trabalho com uma nova história e com novas formas de se fazer negócios.

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Meu primeiro entrevistado de 2021, que inaugura a nova série “Mentes Brilhantes”, é o jovem empresário recifense Renan Hannouche. Para mim, uma das maiores referências de empreendedorismo de impacto do Brasil. Renan trabalhou na área de tecnologia da Embratel dos 23 aos 26 anos e, de lá para cá, cofundou a Saly, a Let’s Sistemas, a Stape Music, a Loomi e a comunidade Gravidade Zero.

Começo questionando Renan sobre essa vida corporativa intensa tendo somente 30 anos de idade e ele conta que, mesmo com todos os mentores e chefes dizendo a ele para ter foco, foi o que ele menos teve nesses anos todos. Ele conta que sempre teve a característica de ser multifoco e que a própria tecnologia o faz cada vez mais transversal. Na Singularity University, no Vale do Silício, Renan aprendeu com o professor Robert Ellis que o mundo está mais aberto para pessoas com multipotenciais.

Renan Hannouche começou a empreender muito cedo, ainda na época da faculdade, e vendeu sua primeira empresa aos 19 anos. Ele não se considera pró-ativo e, sim, hiperativo.

Há pouco mais de 10 anos, vimos surgir os primeiros modelos de empresas que são plataformas, como Uber, Airbnb, Kindle da Amazon, entre outras. Porém, nos últimos anos, começamos a ver empresas digitais se tornando sistemas operacionais. Questiono Renan sobre esse novo modelo e peço a ele que me explique o que isso significa.

Um dos pioneiros do framework de empresa sistema operacional foi o, também, professor da Singularity University, Amin Toufani. Para esse visionário, toda empresa deve começar pela difusão de conteúdo para dar o primeiro passo para um modelo exponencial, por ser democrático e facilmente escalável.

Renan traz a teoria dos 6 D’s do cofundador da Singularity University, Peter Diamandis, em seu livro Abundância, no qual mostra que as empresas começam com um modelo Digital, depois vem a Decepção, pois é aí que muitos questionam o modelo. Em seguida, vem a Disrupção, a Desmonetização, a Desmaterialização e, por fim, a Democratização. E é, justamente, nessa democratização que o conteúdo pode ser acessível e exponencial para qualquer setor.

Sistemas operacionais de negócios

A arquitetura mais simples de uma empresa que se pretende funcionar como um sistema operacional começa na primeira camada da comunidade de pessoas, depois vem a camada de softwares e a terceira e última camada é a do hardware.

Renan afirma que todas as empresas no mundo subutilizam seus hardwares e é exatamente nessa camada que elas podem se tornar sistemas operacionais. Renan também mostra que somente Apple, Google e talvez WeChat, da Tencent na China, são empresas sistemas operacionais. A AppStore foi a pioneira em operação sistema operacional, por “emprestar” seu hardware para os desenvolvedores e por cobrar 30% dos apps baixados.

Dentro desse contexto, pergunto a Renan quais as transformações que empresários e executivos devem ter para liderar esta década até 2030. Renan questiona sobre a ausência de gurus na atualidade e afirma que o próximo guru será o coletivo. Para ele, uma das grandes tendências que deve ocorrer nos próximos anos é a descentralização da liderança.

Você pode trazer um exemplo da industrialização de algum setor?

Pergunto a Renan por que ele acha que empresas que dizem fazer transformação digital não estão fazendo esse processo da forma correta. Primeiro, ele afirma que o único lugar que está acontecendo algum tipo de inovação é na favela. Ou como ele considera como “inovação de borda”. Em uma alusão à célebre frase de Platão que diz “a mãe da invenção é a necessidade”, Renan traz para o mundo corporativo a expressão “a mãe da inovação é a necessidade”.

Junto com os conterrâneos Murilo Gun e Dante Freitas, Renan criou o organismo Gravidade Zero e em pouco menos de dois meses alcançou a marca de 440.000 pessoas nos cursos. Segundo Renan, a maior comunidade de criativos do planeta. O trio define o Gravidade Zero a partir do acrônimo CHAOS: complex, heart driven, antifragile, organic, soul. Uma nova e pioneira rede social com alma e que valoriza o ser humano de uma forma que nenhuma das grandes redes sociais jamais sonhou considerar.

Renan, me conte sobre o framework do Gravidade Zero.

Carismático e articulado, Renan se tornou nos últimos tempos um dos mais requisitados palestrantes de inovação e transformação do Brasil. Ele contradiz o speaker internacional Simon Sinek sobre a sua teoria de “start with why” para o “start with who”, ou seja, com quem queremos trabalhar e como podemos nos autoconhecer melhor. Para ele, mais vale um ano de terapia do que um ano de mestrado. Renan me provoca ao perguntar se uma pessoa que coloca no currículo que tem 10 anos de terapia vai ter mais chance de ser aceita ou recusada.

Na sua visão, como as organizações podem fazer seus colaboradores caminharem na mesma direção?

Encerro minha conversa perguntando como ele acha que estará em 2030. Renan afirma que, certamente, vai estar muito mais conectado com a natureza, cercado das pessoas que ele ama, ganhar dinheiro se divertindo e fazendo o bem e, por fim, deseja acolher melhor o seu ego a ponto torná-lo quase invisível. Para Renan, nenhum de nós é melhor que todos nós juntos. Como um astronauta que quando viaja pelo espaço e entra em gravidade zero enxerga a Terra como um ponto. É o momento em que o ponto de vista se transforma na vista do ponto. Para ser leve, fluido e múltiplo, o líder do futuro precisará pensar cada vez mais sem os pés no chão.

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