O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, manteve o script amplamente antecipado pelo mercado e cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, neste fim de tarde de quarta-feira (29). A decisão foi unânime.

A decisão segue o movimento do encontro realizado em março, que marcou o início do atual ciclo de redução de juros. Apesar do segundo corte seguido, a Selic ainda permanece acima do pico que alcançou no fim da sequência anterior de altas em 2016, quando atingiu 14,25% ao ano.

​”​O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, escreveu o Copom no comunicado que acompanhou a decisão.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”

O Banco Central acrescentou ainda que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio.”

O comunicado manteve a visão de que seria possível seguir com o ciclo de “calibração da política monetária”, mas condicionou um eventual próximo corte, se houver, “a novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Próxima reunião do Copom

O Copom irá se reunir novamente nos dias 16 e 17 de junho.

As opções de Copom, que acompanham as apostas do mercado nos rumos da política monetária brasileira, colocam 52% de chances de mais um corte de 0,25 ponto na próxima reunião. Outros 24% enxergam maior probabilidade de o BC fazer uma pausa nas reduções, a exemplo do que tem feito o Federal Reserve com as taxas de juros nos Estados Unidos.