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Economia

Copom sobe Selic a 11,75% e indica alta da mesma magnitude na próxima reunião

Decisão veio em linha com o esperado pelo mercado.

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Banco Central - IPCA
Banco Central (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (16) que decidiu elevar a taxa básica de juros em 1 ponto percentual. Com isso, a taxa Selic passa de 10,75% para 11,75% ao ano. No comunicado, o BC adiantou ainda que o ciclo de alta de juros deve continuar “avançando significativamente em território ainda mais contracionista“, e disse que, “para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude”.

A decisão veio em linha com a expectativa do mercado. O BC, que havia subido a Selic em 1,5 ponto percentual em cada uma das três reuniões anteriores, sinalizou no último encontro que seria mais adequada “a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros”.

A decisão foi unânime entre os membros do Copom, que destacou no comunicado as preocupações sobre a guerra na Ucrânia e os impactos que o conflito deve ter sobre a inflação, já pressionada.

“No cenário externo, o ambiente se deteriorou substancialmente. O conflito entre Rússia e Ucrânia levou a um aperto significativo das condições financeiras e aumento da incerteza em torno do cenário econômico mundial. Em particular, o choque de oferta decorrente do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas”, diz o comunicado.

Sobre o cenário interno, o Copom apontou que “a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2021 apontou ritmo de atividade acima do esperado”, mas “a inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente”.

Indicação para a próxima reunião

Em seu comunicado, o Copom disse que, para a próxima reunião, “antevê outro ajuste da mesma magnitude“. O comitê destacou ainda que “considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista“.

Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, o Copom “se adiantou novamente em determinar a próxima taxa, o que configura em um aperto das taxas a mercado. De novo!”.

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, comentou que “o BCB sinalizou que irá continuar apertando a taxa enquanto persistir um cenário maligno para a inflação e, neste sentido, teremos que monitorar com atenção a inflação e os preços de commodities para saber se irá insistir em mais altas”.

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, destacou que, caso os efeitos inflacionários continuem fortes, o BC “disse estar pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário”. “Esse discurso de controle da inflação é o mesmo pelos Bancos Centrais, declaradamente esse é o ‘inimigo comum’, e que todos querem combater para evitar a corrosão excessiva do poder de compra da população.”

João Beck, economista e sócio da BRA, considerou o comunicado “bastante duro”. “Apesar da magnitude esperada da alta, citou a guerra como um peso relevante para o balanço de riscos. O mercado esperava cautela diante de incertezas que o próprio evento traz, mas o comunicado foi enfático e ainda citou o efeito defasado que a alta recente das commodities pode impactar nos núcleos”, destacou.

Inflação em alta

A meta do BC para a inflação brasileira para este ano é de 3,5%, podendo chegar ao limite de 5%. Já no mês de fevereiro, no entanto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCAavançou 1,01%, sendo a maior taxa para o mês desde 2015. Com isso, em 12 meses, a inflação acumula alta de 11,54% e, no ano, de 1,56%.

Patricia Palomo, planejadora financeira CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), aponta que a decisão de elevar a Selic vem em linha com a necessidade de combater a dinâmica inflacionária, já que os juros maiores encarecem o crédito, ajudando a diminuir a atividade econômica e a segurar os preços. Entretanto, a fórmula não é tão exata como parece.

“Há pressões inflacionárias vindas de fora que podem impactar a dinâmica local. Ainda existem gargalos de oferta na cadeia produtiva deixados pela covid-19, e agora há um novo choque de preços em função da guerra na Ucrânia”, acrescenta a especialista ao lembrar especialmente da alta nos preços das commodities, como o petróleo.

Nesse sentido, Vinicius Romano, especialista em renda fixa da Suno Research, lembra que o maior vilão do IPCA em 2021 foi o combustível. A categoria apresentou a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 pontos percentuais) no acumulado do ano.

“Isso que ainda não existia o conflito entre Rússia e Ucrãnia, que intensificou o avanço do petróleo impactando o preço dos combustíveis no país”, alerta Romano.

Fabiano Santos, professor do MBA de finanças do Ibmec de Belo Horizonte, lembra que a elevação da Selic, sem a adoção de outras medidas, pode não ser suficiente para conter a subida de preços no país.

“Uma das estratégias que sustentam a estabilidade da nossa moeda é o tripé macroeconômico. Ele é formado pelo equilíbrio dos gastos do governo, o que não vem acontecendo; além de inflação dentro da meta e o câmbio flutuante, que continua em patamar elevado, dificultando, inclusive, as exportações, que também ajudariam a controlar os preços”, diz ele.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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