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Economia

Fed deve pausar alta de juros nos EUA agora, mas reunião de julho gera dúvida

Mercado precifica anúncio de taxas inalteradas nesta quarta-feira.

O Federal Reserve (Fed) anuncia nesta quarta-feira (12) sua decisão sobre a taxa de juros dos Estados Unidos, com investidores precificando uma pausa no ciclo de altas iniciado em março de 2020 para conter o avanço da inflação. Para julho, no entanto, parte do mercado espera uma retomada nos aumentos.

As expectativas dos investidores por uma interrupção do aperto monetário agora ganharam força após a divulgação de dados melhores que o esperado de inflação nesta terça-feira (13). O Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI) aumentou 0,1% em maio, acumulando em 12 meses uma alta de 4% – menor patamar nessa base de comparação desde março de 2021. 

Após os dados, os operadores precificaram totalmente que o banco central norte-americano manterá os juros na faixa de 5% a 5,25%, de acordo com a ferramenta Fedwatch do CME.

Loja em shopping da Pensilvânia, EUA 26/11/2021. REUTERS/Rachel Wisniewski/File Photo

Enquanto os números da inflação mostraram um cenário mais favorável a uma pausa no aumento dos juros, dados divulgados dias antes sobre o mercado de trabalho indicaram desaceleração gradual.

Os números mostraram criação sólida de vagas de trabalho fora do setor agrícola em maio, mas taxa de desemprego subiu para um pico de sete meses de 3,7%, de uma mínima de 53 anos de 3,4% em abril.

Pausa definitiva?

Mesmo com sinais de desaceleração, a força da abertura de vagas de trabalho faz com que parte do mercado precifique que, após uma pausa nesta reunião de junho, o Fed deve voltar a subir os juros na próxima reunião. Investidores esperam uma chance de 60% de uma alta de 25 pontos-base em julho, de acordo com a ferramenta Fedwatch do CME.

“O que muitas casas dizem é que, se o Fed estiver realmente esperando os dados, os indicadores de atividade, inflação e demais indicadores econômicos para poder tomar uma decisão, seria para o Fed continuar subindo os juros”, diz o analista Rodrigo Cohen, da Escola de Investimentos. 

“Porque os indicadores, principalmente os de emprego, ainda não mostraram um desaquecimento da economia, mesmo a gente tendo uma previsão de recessão técnica dos EUA no final do ano.”

analista Rodrigo Cohen, da Escola de Investimentos. 

Outro fator que contribui para essas expectativas é o fato de a inflação, apesar de ter desacelerado, seguir acima da meta de 2% do Fed. Além disso, o chamado núcleo do índice aumentou 0,4% em maio, subindo pela mesma margem pelo terceiro mês consecutivo. Nos 12 meses até maio, o núcleo do índice subiu 5,3%, após alta de 5,5% em abril.

“Já é possível notar os impactos dos juros altos na inflação americana, entretanto, alguns dados de atividade mostram resiliência que podem continuar ‘atrapalhando’ a queda nos preços”, comenta a economista Jadye Lima, da WIT Invest.

Em meio às incertezas, Piter Carvalho, economista da Valor Investimentos, aponta que, “para o Fed, não vai ser uma decisão fácil”. 

“A gente não deve ver um consenso, unanimidade. A inflação continua sendo um desafio e, se o núcleo se mantiver mais forte, o Fed deve voltar a subir os juros já no mês seguinte.”

Piter Carvalho, economista da Valor Investimentos

De qualquer maneira, a Guide Investimentos cita que a probabilidade de o Fed subir os juros em agosto diminuiu após os dados do CPI, que foram avaliados como positivos de maneira geral. “A visão majoritária do mercado hoje ainda é de aumento de 25 bps em julho, mas como já citamos, a nossa previsão é de que o Fed já parou de subir”, disseram em relatório.

Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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