A produção de petróleo bruto da OPEP recuou para o menor nível em 36 anos no mês de abril. A queda é um reflexo direto da guerra no Irã, que continua a sufocar as exportações no Golfo Pérsico e a forçar a interrupção de operações em diversos campos.

De acordo com um levantamento da Bloomberg, a oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo caiu 420 mil barris por dia só em abril, atingindo a marca de 20,55 milhões de barris diários.

É o nível mais baixo registrado desde 1990, período da primeira guerra no Golfo liderada pelos EUA. O recuo atual foi impulsionado por perdas severas no Kuwait e no Irã.

A queda se soma ao tombo de março, quando a produção já havia despencado 8,6 milhões de barris por dia — o maior declínio em décadas — após o fechamento do Estreito de Ormuz.

Essa perda de oferta no Golfo Pérsico representa a maior interrupção do mercado de petróleo na história, elevando os preços do diesel, da gasolina e do querosene de aviação, o que coloca o mundo sob ameaça de uma nova onda inflacionária e de uma recessão global.

No mercado financeiro, os contratos futuros de petróleo operam sob forte volatilidade diante das incertezas diplomáticas. Em Londres, os preços chegaram a cair 7% nesta quarta-feira (6), reagindo a relatos de que os Estados Unidos enxergam um acordo iminente no horizonte. A cotação do barril do Brent, a referência global da commodity, porém, permanece acima de US$ 100.

A estabilidade do grupo também foi abalada na última semana com o anúncio de que os Emirados Árabes Unidos deixarão a organização. A decisão ocorre após anos de atritos com a Arábia Saudita, líder do bloco, em torno das limitações impostas às cotas de produção.

Os dados de abril da Bloomberg ainda incluem os números dos Emirados Árabes, uma vez que a saída oficial só entrou em vigor no dia 1º de maio. Apesar do fechamento de Ormuz, nações-chave da OPEP e seus aliados concordaram, no último fim de semana, em prosseguir com um aumento nominal e simbólico nas cotas de produção para junho, mantendo — ao menos no papel — o processo de restauração da oferta iniciado antes da guerra.

O Kuwait sofreu as maiores perdas no mês passado, com a produção caindo 470 mil barris por dia, operando agora com apenas 800 mil barris diários — menos de um terço do nível anterior ao conflito. As exportações do país minguaram para apenas 22 mil barris por dia, conforme dados de rastreamento de navios-tanque.

O Irã, embora tenha conseguido manter o fluxo nas fases iniciais do conflito, agora se vê pressionado pelo bloqueio dos EUA aos seus carregamentos. O Comando Central dos EUA informou na segunda-feira que as forças americanas redirecionaram 50 embarcações desde o início do bloqueio, em 13 de abril. Com isso, a produção iraniana caiu para 3,05 milhões de barris por dia, com um corte de 1,5 milhão de barris.