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Finanças

Bolsa cai 1,46% com fala de Bolsonaro sobre Renda Brasil; dólar sobe

Enquanto a economia brasileira cobra reações rápidas, divergência entre Bolsonaro e Guedes coloca risco fiscal no radar

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InvestNews
bolsa de valores

A falta de alinhamento da pauta econômica entre Paulo Guedes e Jair Bolsonaro continua pesando no desempenho dos mercados. Desta vez, foi a declaração do presidente que desagradou os investidores. Bolsonaro afirmou que a versão atual da proposta do Renda Brasil feita pela equipe econômica está suspensa e não será enviada ao Parlamento. “Não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos. Não podemos fazer isso”, disse ele em um evento da Usiminas em Ipatinga (MG).

Acompanhando essa incerteza, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 1,46% aos 100.627 pontos. Na semana o índice recua 0,88% e no mês de agosto a queda é de 2,22%.

Além do programa Casa Verde Amarela, especialistas do mercado enxergavam no Renda Brasil uma alternativa para a recuperação da economia brasileira, que deve entrar em recessão técnica. As falas de Bolsonaro alertam também os investidores sobre um problema latente: a dificuldade de respeitar o teto de gastos.

Agora resta para o ministro da Economia, Paulo Guedes redesenhar um programa menor com menos beneficiários e que não coloque o Brasil em risco fiscal. Contudo, isso atrapalharia os planos de Bolsonaro de aumentar sua popularidade por meio do Renda Brasil para garantir a reeleição.

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Enquanto a pauta econômica ainda é incerta no Brasil, foi Wall Street que segurou o Ibovespa nos 100 mil pontos. As bolsas americanas subiram seguindo forte desempenho das empresas de tecnologia.

Os índices S&P 500 e Nasdaq alcançaram novos recordes históricos fechando em alta de 1,02% e 1,73%, respectivamente. Já o Dow Jones subiu 0,30%.

A economia americana também trouxe indicadores melhores. Os pedidos de bens duráveis nos EUA subiram 11,2% em julho, superando a expectativa do mercado que esperava uma alta de 4,8%.

O dólar voltou a subir com desgaste econômico no Brasil. O dólar comercial fechou em alta de 1,516% cotado a R$ 5,6112. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$5,6301.

O dólar escalou até a marca dos R$ 5,6340 durante a segunda etapa da sessão de negócios desta quarta-feira, sendo impulsionado por renovadas apreensões em relação às perspectivas negativas sobre as contas públicas do País e a volta de rumores sobre a permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no cargo – que acabaram sendo, mais uma vez, desmentidos.

O movimento de alta foi descolado do desempenho do dólar no exterior, onde os pares do real mostravam perdas comedidas e, em alguns casos, até valorização ante a divisa americana.

Entre as blue chips, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 2,84%. Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 2,41%.

Destaques da Bolsa

O destaque positivo do dia foi da Intermédica (GNDI3) que fechou em alta de 3,24%. A companhia avançou após fechar acordo para a compra do Grupo Medisanitas Brasil.

Entre as maiores altas também estava a Magazine Luiza (MGLU3) que subiu 2,44% com novo programa de recompra de ações. Podem ser adquiridas até 10 milhões de ações ordinárias no prazo de 18 meses contando a partir de hoje. Estas ações são equivalentes a 0,62% do total de papéis emitidos pela Magazine Luiza.

Subiu também a Marfrig (MRFG3) que avançou 1,35%.

Entre os destaques negativos recuaram as ações da Eletrobras (ELET3) com queda de 4,71%. Além da Embraer (EMBR3) e Cemig (CMIG4) que caíram 4,57% e 4,23%, respectivamente.

Cenário doméstico

A frustração da segunda-feira (24) com o adiamento do anúncio do “Big Bang” de Paulo Guedes por desentendimento de valores no Renda Brasil com o Planalto somou-se a um novo desconforto vindo do “mise en scène” político ontem. O ministro da Economia foi ausência importante ontem no anúncio do novo Minha Casa, Minha Vida. No evento, o presidente Jair Bolsonaro chamou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, de PG2, num dia marcado por mais disputa entre os liberais da equipe de PG, o ministro, e a ala desenvolvimentista.

Até o momento, as propostas da Economia sobre de onde tirar o dinheiro para elevar o valor do Renda Brasil, o novo Bolsa Família, são rejeitadas por palacianos. Sobre o Casa Verde Amarela, reportagem do “Estadão/Broadcast” evidencia que o setor da construção civil ficou frustrado com as condições do novo programa habitacional.

Mais cedo a FGV divulgou que Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) apresentou variação positiva de 0,82% no mês de agosto, desacelerando em relação a alta de 0,84% registrada em julho. No ano, o INCC-M acumula alta de 3,39% e nos 12 meses até agosto a alta acumulada é de 4,44%.

Bolsas americanas

As bolsas de Nova York abriram sem muito impulso, mas ganharam fôlego à tarde, o que levou os índices S&P 500 e Nasdaq a registrarem novos recordes históricos de fechamento desta quarta-feira (26). Os setores de serviços de comunicação e tecnologia se destacaram, com investidores ainda apostando nas ações das chamadas giant techs, enquanto o mercado também mantinha expectativa pelo discurso de quinta-feira do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,30%, em 28.331,92 pontos, o S&P 500 subiu 1,02%, a 3.478,73 pontos, e o Nasdaq avançou 1,73%, a 11.665,06 pontos.

Na agenda de indicadores, as encomendas de bens duráveis surpreenderam com alta de 11,2% em julho ante junho, bem acima da previsão de avanço de 5% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O Wells Fargo avaliou o dado como sinal de que o investimento continuou a se recuperar em julho nos EUA.

Nas bolsas, houve expectativa pelo discurso de quinta de Powell. Os investidores acreditam que o presidente do Fed manterá a postura favorável a estímulos, sem pressa de conduzir aperto monetário, o que tende a apoiar o mercado acionário.

Entre os dirigentes, o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, comentou o avanço recente das bolsas, atribuindo-o em parte à realocação de recursos do mercado de Treasuries para as bolsas, no atual ambiente de juros baixos, e também citou a força recente do setor de tecnologia. Para Barkin, existe um risco de que as valorizações fiquem elevadas nas bolsas americanas, nesse contexto.

Nesta quarta, as chamadas giant techs voltaram a mostrar fôlego, como tem ocorrido no quadro atual de pandemia, diante da percepção de que elas conseguem resultados fortes mesmo nesse novo ambiente. Facebook subiu 8,22%, Netflix ganhou 11,61%, Apple subiu 1,36% e Microsoft, 2,16%, enquanto Amazon teve alta de 2,85% e Alphabet, de 2,38%. Entre outras ações em foco, Salesforce.com subiu 26,06%, após divulgar balanço bem melhor do que o previsto. O papel passará, a partir da segunda-feira, a integrar o índice Dow Jones.

A alta, porém, não ocorreu em todos os setores, com baixas em energia, sobretudo, e também no financeiro. No caso do primeiro, provocava cautela o risco de estragos do furacão Laura, em sua passagem pelo Golfo do México, região importante para a produção de petróleo nos EUA.

*Com Estadão Conteúdo

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