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Finanças

Bolsa fecha em queda de 2,20%, com risco fiscal e segunda onda da covid-19

Possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial preocupa o mercado

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InvestNews
bolsa de valores

Dia de retração para o Ibovespa, o índice acelerou as perdas após a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, que afirmou há possibilidade de prorrogar o auxílio emergencial caso ocorra uma segunda onda de coronavírus no Brasil, com extensão do estado de calamidade.

A notícia caiu indigesta para o mercado que está preocupado com o risco fiscal do país. O Ibovespa fechou em queda de 2,20% aos 102.507 pontos.

Guedes ainda aproveitou a quinta-feira para ressuscitar alguns mortos, entre estes o debate da criação de um novo imposto, a nova CPFM, e a taxação de dividendos.

Ainda sobre o coronavírus, o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou que é possível ter a vacina no 1º trimestre de 2021, isso se as etapas de verificação com a Anvisa evoluírem

Nos Estados Unidos, o discurso político e as eleições foram trocados pela preocupação com o avanço do vírus e suas consequências na economia. Houve aumento recorde das contaminações com um salto de 10% nas hospitalizações em cinco dias.

As bolsas americanas fecharam em queda: Dow Jones recuou 1,08%, S&P 500 caiu 1,01% e Nasdaq teve baixa de 0,65%.

Na Europa, onde há também uma segunda onda da covid-19, as restrições de circulação continuam. As bolsas europeias fecharam em queda generalizada. O destaque negativo foi a bolsa de Paris, que encerrou o dia em baixa de 1,52% aos 5.362,57 pontos.

Acompanhando esse risco global o dólar voltou a subir. O dólar comercial fechou no seu patamar máximo, com alta de 1,14% e cotado a R$ 5,478.

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Destaques da Bolsa

Entre os destaques positivos do dia subiram: Taesa (TAEE11) com alta de 3,10%, seguida de Hapvida (HAPV3) e B2W (BTOW3) que valorizaram 1,97% e 1,51%, respectivamente.

Os investidores encontraram na Taesa, uma ação defensiva, um refúgio em meio ao risco pela segunda onda de coronavírus. Já a B2W reagiu positivamente após a divulgação de resultados da Via Varejo.

No lado oposto do índice recuaram as companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) com queda de 6,38% e 5,92%, precificando o risco global da covid-19.

Caiu também a Via Varejo (VVAR3) que fechou em baixa de 5,73%.

Ontem a companhia divulgou seu balanço do terceiro trimestre. A Via Varejo teve um lucro líquido de R$ 590 milhões de julho a setembro, resultado sete vezes maior do que as expectativas do mercado que apostavam em um lucro de R$ 88 milhões.

Após ter liderado os ganhos no Ibovespa ontem, a VVAR3 permanece com potencial limitado de valorização a curto prazo. No entanto, os analistas enxergam um ótimo cenário para companhia a médio e longo prazo.

Com números bons, a Via Varejo está se tornando a queridinha das casas de análise e gestores de fundos. Embora nenhum tenha coragem de tirar a Magazine Luiza da carteira, apesar dos preços descontados. “Tudo depende do perfil do investidor, a Via Varejo oferece grande potencial de valorização e resultados expressivos mas para quem é conservador e não gosta de emoção Magazine é um bom case”, afirma Murilo Breder, analista da Easynvest.

Segundo Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, a perspectiva do mercado de que o papel tenha um target de R$ 20 a R$ 28 é totalmente factível. “A Via Varejo mostrou que conseguiu fazer turnaround agora é preciso focar nas vendas digitais porque Magazine Luiza é forte no marketplace”, avalia.

Bolsa americanas

Os mercados acionários de Nova York abandonaram o bom humor recente com a perspectiva de uma vacina para covid-19 em breve e deram mais atenção à nova onda da doença nos Estados Unidos. A perspectiva de queda na atividade, em um quadro de dificuldade para a aprovação de mais estímulos fiscais, pressionou as ações nesta quinta-feira.

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,08%, em 29.080,17 pontos, o S&P 500 recuou 1,01%, a 3.537,01 pontos, e o Nasdaq caiu 0,65%, a 11.709,59 pontos.

Os EUA têm batido recordes de casos e analistas alertam para o avanço também nas hospitalizações. Algumas autoridades têm adotado restrições à atividade, inclusive em grandes cidades do país, para tentar conter o problema, mas isso pesa na atividade. Nesta quinta, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, previu alguns meses “difíceis” na economia americana e avaliou a vacina como uma solução apenas para o médio prazo.

Mais cedo, os índices futuros de Nova York chegaram a melhorar após números de pedidos de auxílio-desemprego na semana melhores do que o esperado.

As bolsas abriram sem sinal único, com o Nasdaq em alta, mas logo o quadro negativo predominou. Além das declarações de Powell, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, descartou apoiar um pacote fiscal mais robusto, enquanto a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, voltou a insistir na necessidade de mais apoio, em quadro de impasse no comando político do país sobre o tema.

O Goldman Sachs acredita que um novo pacote de ajuda nos EUA não deve passar de US$ 1 trilhão, mas mostra certo otimismo sobre a vacina, com a possibilidade de que ocorra imunização em massa no país no primeiro semestre de 2021. Nesse quadro, o banco espera crescimento de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em todo o próximo ano.

Bolsas na Europa

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 12, em uma sessão marcada pela realização de lucros após três dias de consistentes ganhos, na esteira do noticiário positivo sobre o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o coronavírus. Investidores monitoram, com preocupação, a segunda onda de casos da doença no continente e nos Estados Unidos.

O índice Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou em queda de 0,88%, a 385,16 pontos.

“Ainda há muito terreno para recuperar para a maioria das ações europeias, que ainda estão longe de seus recordes pré-pandemia”, explica o analista de mercado sênior da Oanda, Craig Erlam.

Os mercados europeus deram pausa nesta quinta ao rali dos últimos dias, desencadeado pelo anúncio da Pfizer e da BioNTech de que a vacina que desenvolvem de forma conjunta se mostrou 90% eficaz, de acordo com resultados preliminares da terceira fase dos ensaios clínicos.

O movimento também vinha ganhando impulso da confirmação da vitória do candidato democrata, Joe Biden, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Antes de desfrutar dos benefícios da vacinação, contudo, os países terão que enfrentar o recente avanço da covid-19.

Os EUA renovaram na quarta recorde diário de casos de doença, com 144 mil diagnósticos confirmados em 24 horas. A Alemanha também teve nova máxima no volume de infecções em uma dia, com mais de 18 mil na quarta.

Dentro desse contexto, o índice DAX, referência na Bolsa de Frankfurt, perdeu 1,24%, a 13.052,95 pontos. O papel da Lufthansa recuou 1,02%.

Em Londres, o FTSE 100 cedeu 0,68%, a 6.338,94 pontos. O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) do Reino Unido informou nesta quinta que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 15,5% no terceiro trimestre de 2020 ante o segundo, recuperando parte do tombo de 19,8% registrado entre abril e junho deste ano.

Na bolsa de Paris, o CAC 40 baixou 1,52%, a 5.362,57 pontos. A ação da Air France-KLM assinalou baixa de 0,63%.

Em Milão, o FTSE MIB caiu 0,83%, a 20.817,73 pontos.

Nas praças ibéricas, o IBEX 35 diminuiu 0,87%, 7.726,00 pontos, enquanto Lisboa contrariou o movimento descendente nos mercados europeus: avançou 0,59%, a 4.370,18 pontos.

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