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Finanças

Davi e Golias: Magalu ainda é respeitada, mas Via Varejo conquistou o mercado

Após turnaround, dona das Casas Bahia aposta em inovação para impulsionar lucro; mercado está confiante e começa a olhar o papel com bons olhos.

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Katherine Rivas

Ficaram no passado os dias em que as pessoas zombavam da torcida de investidores da Via Varejo (VVAR3). Os resultados da companhia no terceiro trimestre de 2020 comprovam que a varejista não brinca em serviço e que o futuro de Magazine Luiza pode não ser fácil.

Nesta quarta-feira (11), a Via Varejo divulgou seu balanço do terceiro trimestre. A companhia teve um lucro líquido de R$ 590 milhões de julho a setembro, resultado sete vezes maior do que as expectativas do mercado que apostavam em um lucro de R$ 88 milhões.

Além de comprovar que o turnaround da empresa vingou, a Via Varejo está apostando com força na inovação e modernidade. E não estamos falando apenas do Baianinho não – que adotou recentemente um novo jeito adolescente – a companhia está investindo com força no e-commerce especialmente com aquisições como a I9XP e Distrito.

Com números bons, a Via Varejo está se tornando a queridinha das casas de análise e gestores de fundos. Embora nenhum tenha coragem de tirar a Magazine Luiza da carteira, apesar dos preços descontados. “Tudo depende do perfil do investidor, a Via Varejo oferece grande potencial de valorização e resultados expressivos mas para quem é conservador e não gosta de emoção Magazine é um bom case”, afirma Murilo Breder, analista da Easynvest.

Ele explica que no passado a concorrência entre as varejistas gerava dúvidas, não era possível ter certeza se a recuperação de Via Varejo era para valer, mas nos últimos meses a companhia entregou números fortes mostrando que busca um espaço para brigar de verdade no setor de varejo. “Ainda não estão na mesma posição, faltam alguns trimestres para isso”, avalia Breder. Contudo, ele defende que se Via Varejo colocar seu plano de expansão digital em prática o jogo pode mudar.

Valorização da ação

Precificando os bons resultados do balanço, as ações da Via Varejo (VVAR3) lideraram os ganhos ontem, subindo 5,61% enquanto o Ibovespa recuava 0,25%. Os analistas consultados pela reportagem concordam que esta alta é um fator limitante para a valorização do papel a curto prazo.

Nesta quinta-feira (12), a ação fechou em queda de 5,73%, cotada a R$ 17,76.

Por meio de uma análise técnica Thomas Lobo, analista da Flip Investimentos, enxerga uma tendência de baixa para a ação a curto prazo, após quatro topos descendentes. “O ativo deve continuar caindo e só será possível interromper essa queda quando alcançar o último topo de R$ 19,90”, explica. Após a VVAR3 alcançar esse patamar, a projeção gráfica de Lobo indica um potencial de valorização superior aos R$ 22.

Breder reforça que além da correção dos ganhos, há uma tendência limitante para o varejo puxada pela vitória de Biden e as vacinas. “Setores que andaram muito na pandemia agora desaceleraram”, diz. Tudo isso somado a entrada do investidor estrangeiro em novembro.

A médio e longo prazo as perspectivas são animadoras. Em relatório Daniella Bretthauer, especialista em varejo e analista co-head da Eleven Financial, recomenda a compra da ação com preço-alvo de R$ 28.

Ela acredita no potencial da companhia, com o desempenho das lojas que recuperaram os níveis pré-pandemia, a plataforma de marketplace e a simplificação na entrega e retirada de produtos.

Além de novas ferramentas que serão testadas na Black Friday, como vendas por aplicativo. “A companhia entra no 4T20 mais fortalecida e bem posicionada com R$7 bilhões em estoques”, aponta.

Para a Levante Investimentos, os principais catalisadores da VVAR3 serão: a retomada definitiva do varejo físico; o desempenho operacional da Black Friday e o nível das vendas após o fim do auxílio emergencial. Além da geração de caixa operacional positiva nos próximos trimestres.

Uma luta acirrada

No acumulado de 2020, Magazine Luiza (MGLU3) é a segunda maior alta do Ibovespa com retorno de 114,12%, enquanto Via Varejo (VVAR3) ocupa a terceira posição com valorização de 59%. E o Ibovespa ainda acumula queda de 11% no ano.

Olhando para a análise gráfica, Lobo explica que MGLU3 não interrompeu sua tendência de alta desde a pandemia, mesmo com a queda de hoje. Já a Via Varejo segue em baixa a curto prazo, com perspectiva de recuperação a médio e longo.

Matheus Bicalho, especialista em Investimentos da Flip, compara os fundamentos das companhias: Atualmente Magazine Luiza tem 20% de marketshare (participação de mercado), enquanto Via Varejo tem apenas 10%.

Ambas as varejistas entregaram excelentes resultados e aumentaram as vendas na pandemia.

Em questões de logística, Magazine Luiza consegue entregar 35% das vendas em até 24 horas, enquanto Via Varejo entregava 30% no mesmo período. No entanto Roberto Fulcherberguer, CEO da Via Varejo, anunciou hoje que a entrega dos produtos no mesmo dia será uma realidade no primeiro semestre de 2021.

Olhando para os usuários das plataformas, Via Varejo possui 15 milhões de clientes e Magalu chega a 27 milhões.

A taxa de crescimento da receita de Magazine Luiza foi de 15% ao ano nos últimos cinco anos, já Via Varejo cresceu apenas 2,5%. Em relação a dívidas, Magalu também tem uma situação mais confortável.

Por último, Bicalho destaca o valuation da empresa comparado a quanto esta é negociada. “Magazine Luiza é 7,4 vezes o valor de venda dela e a Via Varejo representa 1,4 vezes”, explica.

Apesar de parecer a guerra de uma nanica contra um gigante, o especialista enxerga maior potencial de crescimento para Via Varejo, por estar mais descontada que a concorrente. “Magazine Luiza é uma companhia consolidada, porém Via Varejo tem mais espaço para crescer. Hoje optaríamos por ter posição em VVAR3”, aponta.

Breder, da Easynvest, acredita que esse desconto entre a ação de MGLU3 e VVAR3 é exagerado e vai diminuir nos próximos meses, especialmente com os resultados entregues pelas companhias. “A impressão é que Via Varejo ainda tem muito pela frente, com resultados fortes sem contar as aquisições em logística e startups. Está com o queijo e a faca na mão”, conclui.

Veja também: Magalu, B2W ou Via Varejo? Compare as ações das 3 varejistas mais negociadas

Balanço

A Via Varejo (VVAR3) divulgou seu balanço na quarta-feira (11) à noite, a companhia surpreendeu o mercado com resultados acima do esperado.

A companhia teve lucro líquido de R$ 590 milhões de julho a setembro e reverteu o prejuízo de R$ 346 milhões no mesmo período em 2019. As expectativas do mercado para a varejista eram de um lucro de apenas R$ 88 milhões, a companhia extrapolou esse limite.

Segundo a Levante Investimentos, os principais fatores que contribuíram com o resultado foram: o crescimento das vendas brutas totais (GVM) acima do esperado que garantiu uma boa receita líquida. Margens operacionais (Ebitda) acima das expectativas e a recuperação do varejo físico, com indicador de vendas mesmas lojas positivo no terceiro trimestre.

No acumulado dos nove meses de 2020, o lucro líquido registrado pela Via Varejo foi R$ 667 milhões.

O Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,196 bilhão, um crescimento de 443,6% sobre o terceiro trimestre de 2019, quando o Ebitda foi de R$ 220 milhões.

A margem Ebitda ajustada saiu de 3,9% em 2019 para 15,3% de julho a setembro.

A receita Bruta da empresa cresceu 40,7%, totalizando R$ 9,296 bilhões no terceiro trimestre de 2020. No mesmo período em 2019 a receita bruta foi de R$ 6,608 bilhões.

A receita líquida da varejista foi de R$ 7,812 bilhões, um salto de 37,7% na comparação anual.

A companhia também investiu em aquisições no terceiro trimestre, é o caso da empresa de tecnologia I9XP, especializada em soluções de e-commerce, estratégia para contribuir com a transformação digital da varejista e projetos no marketplace.

A Via Varejo também comprou 16,67% da Distrito, uma plataforma que auxilia na transformação de empresas por meio de tecnologia conectando startups com investidores e acadêmicos. Na plataforma há 300 empresas conectadas e 11 laboratórios de inovação.

A principal surpresa foi o Volume Bruto de Mercadorias Vendidas (GVM) que teve um recorde totalizando R$ 10 bilhões, com 41% de participação das vendas online.

O GVM cresceu 43,4% na comparação anual. Apenas no e-commerce, o GVM foi de R$ 4,121 bilhões neste trimestre, crescimento de 218,7% em relação ao mesmo período em 2019 quando as vendas do online chegaram a R$ 1,293 bilhão.

A Via Varejo fechou setembro com um caixa líquido de R$ 3,366 bilhões e um endividamento na proporção de 1,1 vezes caixa/ebitda.

A dívida financeira ficou estável na comparação com o trimestre anterior, com R$ 4,509 bilhões.

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