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Finanças

Bolsa perde os 100 mil pontos pressionada por bancos e fim da trégua política

Na semana, o índice recua 1,63% e no mês de outubro os ganhos se limitam a 5,29%

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InvestNews
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Após três quedas consecutivas o Ibovespa perdeu os 100 mil pontos. O índice fechou em queda de 1,40% aos 99.605 pontos nesta terça-feira (27).

O índice acompanhou o cenário externo, onde a ausência do pacote de estímulos e o aumento nos casos de coronavírus repercutem no mercado. Com as eleições americanas se aproximando, as bolsas fecharam com sinais mistos em Wall Street. O índice Dow Jones encerrou em baixa de 0,80% e o S&P 500 cedeu 0,30%. Apenas Nasdaq teve alta de 0,64% com bom desempenho das big techs que divulgam seus balanços nos próximos dias.

O dólar teve um dia instável mas voltou a subir graças ao risco fiscal. O dólar comercial fechou em alta 1,25%, cotado a R$ 5,682. Este foi o maior nível da moeda americana desde o dia 20 de maio quando encostou em R$5,69.

A inércia do governo na questão fiscal, sobretudo após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acusar a base do Planalto de obstruir o avanço das reformas, teve peso decisivo na alta da moeda. Além da procura de ativos no exterior com a segunda onda da covid-19 e indefinição do pacote de estímulos americano.

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No cenário interno, os conflitos políticos em Brasília voltaram ao radar dos investidores. A obstrução nas votações provocada pela base do governo causou a ira do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que até ameaçou com colocar em votação a prorrogação do auxílio emergencial caso o governo continue obstruindo as sessões.

“Se o governo não tem interesse nas medidas provisórias, eu não tenho o que fazer. Eu pauto, a base obstrui, eu cancelo a sessão. Infelizmente, é assim”, afirmou.

Além do fim da trégua política puxaram o índice os bancos que tiveram queda generalizada. Especialmente o Santander (SANB11) que despencou 4,73% apesar dos resultados do seu balanço.

O banco teve um lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no período de julho a setembro. Mas os investidores acreditam que as provisões para devedores duvidosos (PDD) são insuficientes para enfrentar a inadimplência em 2021, com o fim dos benefícios do governo. O Santander tem forte exposição ao segmento de varejo

Recuaram também o Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) com queda de 2,85%, 2,79% e 2,15%, respectivamente.

Destaques da bolsa

As maiores altas do Ibovespa no dia foram: Cosan (CSAN3) com valorização de 2,81%, seguida da Localiza (RENT3) que subiu 2,67% e Gerdau (GGBR4) com alta de 2,39%.

A Localiza valorizou acompanhando os resultados da Unidas divulgados hoje. A empresa teve lucro líquido de R$ 124,2 milhões, maior valor da companhia na sua história. A Localiza divulgará hoje seu resultado após o fechamento do mercado.

No lado oposto do índice recuaram: Embraer (EMBR3) com queda de 6,25%. Além de Santander (SANB11) e B3 (B3SA3) que fecharam em queda de 4,73% e 4,06%, respectivamente.

 O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no período de julho a setembro, um crescimento de 82,7% em relação ao trimestre anterior. E uma alta de 5,3% comparada ao mesmo período em 2019.

Contudo o mercado questionou as provisões para devedores duvidosos (PDD) do banco, na ordem de R$ 2,9 bilhões, acreditando que estas sejam insuficientes para encarar a inadimplência em 2021. “Tudo indica que a inadimplência deve aumentar com o fim dos benefícios do governo e o Santander tem mais exposição ao segmento de varejo”, explica Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

Bolsas americanas

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta terça-feira, 27, enquanto investidores digeriram indicadores econômicos e balanços corporativos. O persistente avanço do coronavírus impediu os negócios de se firmarem no azul, mas o bom desempenho do setor de tecnologia ajudou o Nasdaq a terminar com ganhos.

O índice Dow Jones encerrou em baixa de 0,80%, a 27.463,19 pontos. O S&P 500 cedeu 0,30%, a 3.390,68 pontos. O Nasdaq subiu 0,64%, a 11.431,35 pontos.

A ação da Microsoft se elevou 1,51%, à espera do balanço da gigante do Vale do Silício, que sairia depois do fechamento dos mercados. Os papeis de Caterpillar (-3,27%), 3M (-3,13%) e Pfizer (-1,24%) apareceram como destaques negativos, em reação a resultados trimestrais decepcionantes.

Pela manhã, o Departamento do Comércio dos EUA informou que as encomendas de bens duráveis no país aumentaram 1,9% de agosto para setembro, a US$ 237,1 bilhões, bem acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de alta de 0,4%.

Por outro lado, o índice de confiança do consumidor americano caiu de 101,3 em setembro a 100,9 em outubro, segundo o Conference Board. O resultado contrariou o consenso do mercado, de alta a 102,0.

A desaceleração da recuperação acontece em um momento em que o número de casos de covid-19 volta a subir. O país chegou a marca de 8,7 milhões de diagnósticos, quase 1/5 de todas das 43,7 milhões de infecções em todo o planeta.

Esse quadro prejudicou o humor nos mercados, influenciados ainda pela falta de um acordo por estímulos fiscais nos EUA. Após confirmar a nomeação da juíza Amy Coney Barrett à Suprema Corte, sob oposição firme de democratas, o Senado americano entrou em recesso até depois da eleição de 3 de novembro.

A paralisação praticamente inviabiliza as perspectivas para a aprovação de uma nova legislação de alívio econômico antes do pleito. Para o BBH, as negociações acabaram de vez. “Os dois lados estão muito distantes em vários assuntos para resolver rapidamente”, avalia.

*Com Estadão Conteúdo

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