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Finanças

Ibovespa cai 0,18% puxado por incertezas com pacote econômico do governo

Divergência entre Guedes e Bolsonaro pelo valor do Renda Brasil reforça cautela entre os investidores

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Investnews
bolsa de valores

Apesar de que as relações entre EUA e China melhoraram, com avanços na fase 1 do acordo comercial, desta vez foi a política brasileira e a falta de consenso entre Guedes e Bolsonaro que impactaram o desempenho dos mercados. Após o adiamento do “Big Bang Day” os investidores estão desconfiados sobre a rápida aprovação de medidas que facilitem a retomada econômica. Em meio a essa incerteza, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 0,18% aos 102.117 pontos.

A expectativa era de que nesta terça-feira (25) o governo anuncie um megapacote de medidas sociais e econômicas que potencializem a recuperação econômica. Contudo, o anúncio foi frustrado, divulgando apenas a novidade do programa habitacional Casa Verde Amarela que deve substituir o Minha Casa, Minha Vida.

O novo programa marca um ponto de partida em iniciativas mais sociais na gestão de Jair Bolsonaro. Com o crédito a obras e reformas, o Casa Verde Amarela deve oferecer taxas de juros menores para incluir 1,6 milhão de famílias. 

Apesar do anúncio do programa, os investidores estão cautelosos com o desentendimento entre o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica em relação ao valor sugerido para o Renda Brasil, de R$ 247, considerado baixo pelo mandatário do País.

O ministro da Economia Paulo Guedes se recusa a chegar a um valor a partir de R$ 300, já Bolsonaro considera os R$ 247 ineficientes e sugere um meio termo entre R$ 200 e R$ 600. Especialistas de mercado avaliam que o Renda Brasil também teria uma conotação política porque Bolsonaro enxerga no programa uma oportunidade de aumentar a sua popularidade e garantir a reeleição.

Enquanto Bolsonaro olha o lado político que pode lhe garantir novos aliados no Norte e Nordeste do país, Guedes olha para o lado fiscal onde as contas não fecham. Além de ter a responsabilidade de oferecer um valor mínimo adequado para as famílias brasileiras, o ministro estaria dividido entre remanejar recursos e não aumentar os impostos.

Com o peso fiscal, o Ibovespa ainda acumula perdas em agosto, na ordem de 0,77%. Na semana, contudo o índice subiu 0,59%.

No cenário interno, pesou também o desempenho da VALE (VALE3) que despencou 2,13% seguindo a queda do minério de ferro em Qingdao (China), que recuou 1,79%.

No cenário externo, os avanços no combate do coronavírus além do aceno de paz entre China e EUA, que facilitou as negociações comerciais, fizeram os índices disparar. O S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas, com alta de 0,36% e 0,76%, respectivamente. Já o índice Dow Jones caiu 0,21%.

O apetite por risco ganhou força no mercados internacionais após notícia de que o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, tiveram uma reunião virtual com o vice-premiê da China Liu Hu para discutir a implementação do acordo comercial de “fase 1” que as duas maiores economias do mundo firmaram em janeiro.

Segundo comunicado do escritório de Lighthizer, ambos os lados identificaram avanços e disseram estar comprometidos em tomar os passos necessários para garantir o sucesso do pacto bilateral. No encontro também foi ressaltado o “significativo aumento” de compras de produtos americanos pelos chineses.

O dólar enfraqueceu ao longo do dia realizando lucros. O dólar comercial fechou em queda de 1,19% cotado a R$ 5,527. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,6088.

“Foi um movimento ligado à moeda, e, não a notícias, uma vez que não houve mudanças na direção da Bolsa”, ressaltou Daniel Miraglia, especialista em mercados de capital global da Omninvest. Segundo ele, os dados de transações correntes e Investimento Diretos no País (IDP) vieram bem, o que, aliado à queda do dólar principalmente frente a moedas fortes, como o euro, como evidencia o índice DXY, cesta de moedas fortes ante o dólar, ajudou a criar condições para o movimento de venda.

Destaques da Bolsa

Entre as maiores altas do dia se destacou o varejo de moda. As ações das Lojas Renner (LREN3) avançaram 4,29%, enquanto os papéis da Hering (HGTX3) fecharam em alta de 3,17%.

Subiu também a Rumo (RAIL3), as ações da companhia valorizaram 3,48%. Os papéis dispararam após a empresa apresentar na noite da segunda-feira detalhes sobre a precificação da sua oferta de ações (follow-on). O preço de cada papel será R$21,75.

Entre os destaques negativos estava a Braskem (BRKM5) que caiu 3,51%. Seguida da Cielo (CIEL3) e JBS (JBSS3) que recuaram 3,38% e 3,02%, respectivamente.

Ainda no mercado corporativo, os investidores ficaram de olho na Eletrobras. Os papéis da companhia dispararam ontem com rumores de privatização, e que os parlamentares e o governo Bolsonaro estariam cada vez mais perto de avançar com o projeto no Congresso.

Com isso as ações ordinárias da Eletrobras (ELET3) fecharam em alta de 2,17%, enquanto as preferenciais (ELET6) avançaram 3,11%.

Na safra de balanços, as lojas Marisa tiveram prejuízo de R$ 171,7 milhões no segundo trimestre de 2020, com perdas de 507% comparado ao mesmo período em 2019, Contudo, o resultado não abalou a confiança dos investidores. As ações da Marisa (AMAR3) fecharam em alta de 8,41%.

Outro resultado que repercutiu foi do grupo Ser Educacional que lucrou R$ 54,7 milhões no segundo trimestre, uma queda anual de 7,3%. As ações do grupo (SEER3) avançaram 3,08%.

Cenário doméstico

No Brasil, o IPCA-15 de agosto veio em linha com a mediana (+0,23%) e dentro do intervalo das projeções do mercado (+0,05% a +0,37%).

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) perdeu força em cinco das sete capitais pesquisadas na terceira quadrissemana de agosto. O indicador cheio desacelerou a 0,51%, de 0,52% na quadrissemana anterior. Mas, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) subiu 10,5 pontos na passagem de julho para agosto, para 96,6 pontos, a quarta alta consecutiva. Em médias móveis trimestrais, o indicador teve crescimento de 9,7 pontos.

Bolsas americanas

As bolsas de Nova York não tiveram sinal único nesta terça-feira, mas o S&P 500 e o Nasdaq registraram ganhos, renovando máximas históricas de fechamento. A notícia do contato entre autoridades de Estados Unidos e China para tratar de comércio foi bem avaliada, ajudando o apetite por risco, mas um dado fraco da confiança do consumidor conteve os ânimos.

O índice Dow Jones terminou em baixa de 0,21%, em 28.248,44 pontos, o S&P 500 subiu 0,36%, a 3.443,62 pontos, e o Nasdaq avançou 0,76%, a 11.466,47 pontos.

A notícia de que autoridades de EUA e China trataram da fase 1 do acordo comercial agradou, já que o encontro virtual ocorreu mesmo em meio a tensões bilaterais. Assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro garantiu hoje que os chineses têm mantido as compras prometidas na iniciativa.

Por outro lado, na agenda de indicadores o índice de confiança do consumidor nos EUA, medido pelo Conference Board, caiu de 91,7 em julho a 84,8 em agosto, ante previsão de 92,5 dos analistas. A Oxford Economics comentou que a piora na confiança pode estar relacionada ao fim de benefícios extras federais para desempregados, em meio ao impasse sobre novos estímulos fiscais em Washington.

Após o dado, as bolsas perderam fôlego, mas o Nasdaq sobretudo ainda tomou novo impulso à tarde. Papéis de tecnologia e, sobretudo, de serviços de comunicação se destacaram. Facebook subiu 3,47%, Amazon avançou 1,18% e Alphabet, 1,31%.

Entre outros papéis no radar, ExxonMobil caiu 3,17%, após a notícia de que a ação da empresa deixará de integrar o índice Dow Jones a partir da segunda-feira. O setor de energia em geral caiu, também diante dos problemas à produção de petróleo no Golfo do México, com a passagem do furacão Laura. Boeing, por sua vez, teve queda de 1,99%, pressionando o Dow Jones.

*Com Estadão Conteúdo

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