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Veja os melhores investimentos em renda fixa para 2023, segundo especialistas

Com inflação e Selic sem sinais de trégua, perspectiva é de que ativos continuem atrativos e rentáveis.

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Os títulos de renda fixa avançaram no mercado financeiro nos últimos anos, inseridos em um cenário de juros e inflação elevados. A tendência é que esses dois fatores se mantenham em alta em um novo ciclo de governo, com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. “A renda fixa será turbinada em 2023, só que será preciso apertar o cinto”, diz um dos especialistas ouvidos pelo InvestNews. Com a perspectiva de ativos mais atrativos e rentáveis, veja quais são os melhores investimentos em renda fixa para 2023.

“O ano de 2023 será de fortes emoções tanto na renda fixa como na variável. Em 2022, a discussão era até onde iria o aperto monetário, e tudo indicava que estava perto do fim, com uma inflação caminhando para o controle, somada à melhora dos dados econômicos, apesar do cenário externo hostil, e com uma perspectiva de melhora no curto/médio prazo”, afirma Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.

Crédito: Adobe Stock

Para o especialista, a postura do governo eleito mais “gastadora”, sem tomar conhecimento do chamado “teto dos gatos”, e com uso de velhos clichês da política para justificar gastos, inflação e juros altos parecem ser demandas contratadas novamente para 2023. Relator-geral do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI) protocolou no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição retirando o Bolsa Família do teto de gastos por quatro anos no final de novembro. 

Essa foi a principal mudança em relação ao anteprojeto apresentado anteriormente pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin. O impacto fiscal das medidas até então era de até R$ 198 bilhões. 

“Com o teto de gastos mais flexível, ou extinto, é possível que o panorama fiscal passe por algum nível de deterioração, possivelmente aumentando os spreads dos títulos de renda fixa prefixados e atrelados à inflação”, aponta relatório da Toro Investimentos sobre a melhor estratégia de alocação para 2023 assinado por Lucas Carvalho (CNPI-P), João Freitas (CNPI-P), Paloma Brum (CNPI-T) e (Lucas Serra CNPI-T).

“A depender dos impactos (e da expectativa dos impactos) dessas medidas sobre a inflação, pode ser necessário manter a taxa de juros em patamares mais elevados no Brasil, apesar da posição já avançada no que diz respeito aos juros básicos brasileiros atuais quando comparados a outras economias”, diz outro trecho.

Já Arley Junior, estrategista de Investimentos do Santander, recorda que a Selic iniciou 2022 em 9,25% e termina com 13,75%, com aumentos justificados pela inflação elevada e cenário fiscal incerto. “Tudo indica que teremos juros elevados por mais tempo do que era esperado. Após três meses em deflação, o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE] de outubro surpreendeu os analistas por vir acima das expectativas.”

“A possibilidade de maiores gastos do governo federal em 2023 é um fator que aponta para a possibilidade de ter a Selic mais alta por mais tempo. Mesmo com tamanha volatilidade, a expectativa é que no final do ano que vem a taxa de juros atinja o patamar de 12%, com cortes acontecendo a partir do segundo semestre de 2023”, acrescenta.

As projeções para a inflação no Brasil continuam em tendência de alta para 2023, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central no dia 17 de dezembro. A expectativa para o IPCA de 2023 passou de 5,08% para 5,17%, em meio ao forte aumento de gastos previstos pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição.

No caso de 2024, a projeção continuou em 3,50% pela oitava semana seguida. Há um mês, as medianas eram de 5,01% e 3,50%, respectivamente.

Juros elevados em 2023 favorecem a renda fixa

No cenário de renda fixa para 2023, Alves afirma que os juros devem ser mantidos no patamar atual de 13,75% ao ano ou que provavelmente serão elevados à medida que a inflação bater cada vez mais forte. 

“O prêmio de risco do Brasil precisa justificar uma dívida/PIB acima de 100%, gasto público ‘sem teto’, e alta de preços para a conta da economia fechar, o que deve elevar a taxa pré-fixada para além dos 16%, pós-fixados na mesma linha, e títulos de IPCA podendo pagar até mais. A renda fixa será turbinada em 2023, só que será preciso apertar os cintos.”

“Em termos de investimentos, aplicações em Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acompanham o movimento da taxa de juros, e visto que em 2023 o patamar estará elevado, produtos desta classe continuam a se destacar nas alocações. Atualmente foi observado um aumento da curva de juros, o que indica oportunidade para investimentos em títulos prefixados, para o médio prazo”, acrescenta.

Vale a pena investir na renda fixa em 2023? 

Idean Alves, da Ação Brasil Investimentos, afirma que o cenário de 2022 deve se repetir em 2023, só que com destaque maior para os pré-fixados, em vez dos pós-fixados com boa liquidez, tendo-se em vista que nada saia tão fora de rota. 

“Pode-se ter no final de 2023 o debate sobre o fim da alta de juros, o que pode gerar boas oportunidades em taxas que podem ir de 16% a 18% por ano, como aconteceu no momento mais turbulento do governo Dilma Rousseff, o que para muitos pode ser o ‘fim do Brasil’. Para quem gostar e tiver um pouco de paciência e disciplina, pode vir a fazer bons negócios na renda fixa”, afirma Alves.

O especialista da Ação Brasil Investimentos ainda ressalta que o prêmio de risco do Brasil deve ser bem estressado em 2023, o que pode gerar muitas discrepâncias e oportunidades com a abertura da curva de juros futuros, cenário ideal para operar em renda fixa, e pensar em investir no médio prazo.

“A história mostra que, normalmente, o resultado final é menos pior que o esperado, e o mercado exagera nas previsões, e tudo isso pode gerar boas oportunidades.” 

Já Arley Junior, estrategista de Investimentos do Santander, afirma que não só em 2023, mas o investidor deve aplicar sempre na renda fixa, por fazer sentindo dentro de uma carteira diversificada de investimentos. 

“A alocação em títulos de baixo risco, atrelados à Selic, tem a função de controlar o risco da carteira como um todo, além de servir de reserva para casos de emergência. Por isso, independentemente do patamar da taxa de juros, o investidor sempre deve considerar esse investimento em seu portfólio. Agora, naturalmente, a aplicação se destaca ainda mais com a Selic em 13,75%.”

Quais são os principais investimentos de renda fixa?

Estrategista de Investimentos do Santander, Arley Junior explica que dada a volatilidade nas taxas negociadas atualmente, o investimento em títulos pós-fixados continua a ser bastante atrativo. 

“Aplicações como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra Imobiliária Garantida (LIG), Tesouro Selic e ainda, fundos DI, têm conseguido capturar o movimento de alta e trazem ao investidor o conforto de ter acima de 1% ao mês de rentabilidade sem correr grandes riscos.”

renda fixa
Crédito: Adobe Stock

No entanto, diz o estrategista, os títulos prefixados atingiram as máximas nos últimos dias e voltaram a garantir taxas elevadas. “Como nossa expectativa é que a Selic comece a cair, esses títulos devem ser considerados pelos investidores que desejam ter uma taxa mais alta por mais tempo.”

Já Idean Alves, da Ação Brasil Investimentos, diz que o investidor pode aplicar de forma direta em títulos, como Tesouro, CDB’s, LCI’s, LCA’s, debêntures entre outros. “Investir até o vencimento desses papéis, ou fazer isso via fundos de investimentos, com o benefício de não ter que esperar vencimentos longos, apenas a cotização do fundo, que tem até a opção de resgate no mesmo dia.”

O especialista explica que a melhor forma de escolher títulos de renda fixa é buscar os que “casem uma ótima taxa de remuneração para o prazo que investidor está buscando, e observar sempre o emissor da dívida e quem ficará responsável pelo pagamento”. “Tudo isso levará a um bom rendimento, e a depender do cenário, até uma saída com ágio sobre o título de renda fixa, um prêmio pela venda dele antes do vencimento.”

Quais são os melhores investimentos em renda fixa para 2023?

Para o próximo ano, os investimentos pós-fixados e em prefixados devem continuar como principais destaques. Arley Junior, do Santander, afirma que, no caso dos ativos que acompanham a Selic, a “taxa elevada seguirá atraindo os investidores, em especial, aqueles que desejam correr menores riscos”. 

Já os prefixados, que garantem a taxa no momento da contratação, diz Junior, voltaram a operar em níveis elevados, e podem se destacar ao longo do tempo pelo “efeito da marcação a mercado: a reprecificação diária dos valores dos títulos. Se a expectativa para juros futuros cair, o valor do título sobe, proporcionando ganhos ao detentor do título”. 

“Nesse caso, o investidor pode encontrar soluções via CDB prefixado, Tesouro prefixado (com ou sem pagamento semestral) e nos fundos com benchmark do Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M), que representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados”, acrescenta.

O que muda na renda fixa em 2023

A partir de 2023, os investidores terão mais clareza de que os ativos de renda fixa estão sujeitos a variações, como as ações na bolsa de valores. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) determinou que a partir de 2 de janeiro, as “instituições financeiras que seguem o Código de Distribuição deverão disponibilizar aos clientes os valores de referência dos títulos públicos e privados que eles possuem”. 

“Os números deverão constar nos extratos das contas, aplicativos, em áreas logadas, entre outros locais. As regras valem para títulos públicos federais (exceto Tesouro Direto), debêntures, CRIs e CRAs (Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio, respectivamente) investidos diretamente pelos clientes”, diz nota da associação. 

Tal qual os fundos de investimento e as carteiras administradas, o investidor poderá acompanhar diariamente o valor desses ativos, ampliando a transparência com a padronização dessa categoria. A Anbima já divulga os preços diários desses papéis, que podem ser usados pelas casas para atualizar informações e cumprir norma.

Relatório da Toro Investimentos aponta que os “títulos com prazo entre 1 e 3 anos pós-fixados, que devem se beneficiar de um patamar mais elevado de CDI, saem com vantagem em relação aos prefixados e atrelados à inflação, que podem passar por um aumento nos spreads ao longo dos próximos meses”.

“Garantir um retorno real atrativo, para prazos entre 2 e 5 anos, pode se mostrar interessante, pois assegura uma proteção contra uma possível alta da inflação. O Brasil está em uma posição privilegiada diante da reação mais rápida do Banco Central em subir os juros e medidas do atual governo, que ajudaram a arrefecer os níveis de preços da economia”, diz outro trecho do relatório. 

Os especialistas da Toro afirmam que o Brasil ainda sente pressões inflacionárias externas que podem ser potencializadas, “caso as políticas fiscais demasiadamente expansionistas se materializem por aqui”. “Por isso, títulos atrelados ao IPCA, com prazo entre 2 e 5 anos, também podem desempenhar bem, em um possível cenário de inflação mais alta durante esse período.” 

Já para alguns títulos atrelados ao IPCA mais longos, apesar dos prêmios atuais não serem desprezíveis, a equipe da Toro ressalta que, “dado o maior duration  [tempo médio em que o investidor recebe o pagamento de seu investimento], o aumento nos prêmios (na parte prefixada) desses papéis traria um impacto negativo superior ao ganho que um IPCA mais alto traria. 

Apesar de ainda fazer sentido para alguns perfis e objetivos individuais de cada investidor, no médio prazo pode ser possível encarteirar esses títulos com prêmios ainda mais atrativos”.

Como escolher os melhores títulos de renda fixa para investir?

Há várias aplicações na carteira de renda fixa conforme a rentabilidade, o risco, o objetivo e o emissor do título para investimento. Os principais são: Poupança, CDBs, Tesouro Direto, Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Debêntures, Letra de Câmbio, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).

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Crédito: Adobe Stock

A recomendação é ter uma composição equilibrada entre os títulos. “Para tomar a decisão de quais títulos alocar, é necessário entender quais são os prazos, objetivos e perfil de risco do investimento, o que varia bastante de pessoa para pessoa”, diz Arley Junior, estrategista de Investimentos do Santander.

“Esses investimentos devem ser combinados com outras estratégias e diferentes classes de ativos, para buscar um retorno ainda mais interessante, com risco adequado ao perfil”, acrescenta Junior ao indicar as Carteiras Modelo do banco.

“São portfólios estruturados por especialistas que avaliam as expectativas para o cenário econômico e fazem seleção de produtos, buscando retornos diferenciados e equilíbrio de risco de acordo com os diferentes perfis de investidores.”

Como a renda fixa remunera os investidores?

Em linhas gerais, Idean Alves, da Ação Brasil Investimentos, explica que a remuneração é através dos pagamentos de juros, que podem ser cumulativos e pagos juntos com o principal no vencimento ou resgate da aplicação. “Também pode ser feito de forma periódica através do pagamento do cupom de juros. A remuneração pode ser atrelada ao CDI, pré-fixada (taxa fechada) ou indexada a inflação, o famoso IPCA+.”

A oscilação da taxa de juros, da inflação, do câmbio e da oferta/demanda também afetam a rentabilidade do investimento. Arley Junior, do Santander, explica que alguns ativos de renda fixa têm a remuneração definida no ato da aplicação do investimento a partir de um percentual mensal (prefixadas). Também podem ser atrelados a um indexador, como taxa Selic, CDI (taxa DI), inflação (IPCA) –na modalidade pós-fixada ou híbrida– ou Taxa Referencial (TR), que garante a rentabilidade, se o investimento for levado até o vencimento.

Os títulos de renda fixa são classificados em prefixado, pós-fixado ou híbrido: 

  • Prefixados: Aqueles que têm taxa de juros fixa, ou seja, você já conhece no momento do investimento. A rentabilidade é garantida se o investimento for levado até o vencimento. Antes deste prazo, o investimento é avaliado a valor de mercado.
  • Pós-fixados: Possuem rentabilidade atrelada a um índice, sendo os mais comuns a taxa Selic e o CDI.
  • Híbridos: Mesclam taxa pós-fixada com uma prefixada. Em geral, é indexado à inflação e, por isso, garantem ganho real ao investidor. Ou seja, esses títulos oferecem de rendimento a variação da inflação mais uma taxa prefixada de juros (Ex.: IPCA + 6% a.a.). Condições válidas também para o vencimento da operação, resgates antecipados são marcados a mercado.

A rentabilidade definida no ato da aplicação é recomendada ao investidor que aposta na queda da taxa de juros no futuro. Na modalidade pós-fixada ou híbrida, a vantagem está na garantia do poder de compra, pois o investidor sempre busca ganho real (acima da inflação). 

A rentabilidade é proporcional ao valor e ao tempo do investimento –quanto maior for a aplicação e o tempo, maior será a remuneração. O mais comum é calcular a partir de um percentual do CDI. A taxa de juros cobrada é chamada de CDI ou taxa DI, calculada diariamente a partir das taxas médias dos empréstimos pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privado (Cetip), operada pela B3. 

Já no híbrido, o investidor combina parte prefixada e outra pós-fixada –normalmente atrelada ao IPCA ou ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). A Taxa Referencial (TR) é aplicada à poupança. Quando a Selic estiver acima de 8,5%, a remuneração é de 0,5% ao mês mais a variação da TR para depósitos efetuados a partir de 4 de maio de 2012.

Se a taxa básica for igual ou menor a 8,5%, ela será equivalente a 70% da Selic. Depósitos anteriores a 4 de maio de 2012 mantêm a rentabilidade de 0,5% ao mês mais a variação da TR.

Quais as vantagens e desvantagens de investir em renda fixa?

As principais vantagens de se investir em renda fixa são: rentabilidade, facilidade de aquisição do ativo, segurança, acessibilidade, diversificação, liquidez diária (em alguns títulos) e a isenção de impostos em algumas aplicações. 

Já as desvantagens são: a carência (se resgatar antes do prazo, o investidor deverá pagar multas e perderá parte dos rendimentos) e custos, como pagamento de  Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto de Renda (IR), taxa de administração e taxa de custódia sobre os rendimentos. 

Quais são os melhores investimentos em renda fixa em 2022?

Idean Alves, da Ação Brasil, afirma que os melhores investimentos de renda fixa hoje são títulos pós-fixados com boa liquidez, prazo menor de resgate, justamente para estar preparado para qualquer mudança de cenário, e flexibilidade na carteira. 

“Pensando na provável alta da inflação, títulos de IPCA+ podem ser interessantes, pois além de corrigir o dinheiro no tempo, devem ter taxas indexadas bem altas atreladas. Por último, os títulos pré-fixados podem ser interessantes para quem busca mais segurança e previsibilidade.”

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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