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Finanças

Conheça o ‘Kid Investor’, garoto que já é chamado de ‘Barsi’ da geração Z

Quem é o pequeno grande investidor que, aos 12 anos, já sonha em acumular dividendos e dá lições financeiras para 36 mil seguidores.

Publicado

em

por

Katherine Rivas

A relação com o dinheiro é um debate que atravessa gerações. Enquanto muitos conseguiram quebrar a barreira do poupar para o investir, ainda há uma parcela de brasileiros que encara a criação de patrimônio como algo inalcançável. Felizmente, as novas gerações buscam fazer as pazes com o dinheiro. O investidor Felipe Molero tem apenas 12 anos, mas já conquistou mais de 36 mil seguidores no Instagram e 10 mil em seu canal de Youtube. Mais conhecido como Kid Investor, o jovem influenciador compartilha dicas de educação financeira e investimentos para crianças e adolescentes.

MAIS: Carolina Bartunek, a adolescente que começou a investir aos 13 anos

Mas este não é seu único público-alvo. Com a facilidade com que explica como comprar uma ação ou um fundo imobiliário, Felipe atraiu seguidores de todas as faixas etárias. Em comum, elas compartilham o mesmo sentimento: “Quero investir, mas não sei por onde começar”. Até sua avó, a dona Dora Castilho Gonçalves, de 69 anos, começou a investir em fundos imobiliários (FII) por influência do neto.

Felipe faz parte da massa de pessoas físicas que hoje somam os 2,4 milhões de investidores em renda variável no Brasil. Segundo um levantamento da B3, pelo menos 10% do total de investidores da B3 são nativos digitais com menos de 24 anos. Ele começou a investir quatro meses antes da pandemia, inicialmente com FIIs, atraído pelo pagamento de dividendos. Mas, com a forte queda do Ibovespa em março, aproveitou as economias para comprar ações a “preço de banana”. A vontade de ganhar dinheiro, no entanto, já existia muito tempo antes.

Ganhar em vez de gastar

A primeira vez que Felipe descobriu ser possível ganhar, em vez de gastar, foi na escola, aos 10 anos de idade. “Na cantina vendiam umas balas, que eram as preferidas de todo mundo, e como tinha apenas uma cantina, jogavam o preço no alto. Vendiam a R$ 3 e mesmo assim meus colegas compravam”, conta. Felipe descobriu que era possível comprar a mesma bala em algumas lojas de guloseimas por R$ 0,60. Com a ajuda de um amigo comprou um pacote e começou a vender na escola por um valor mais baixo. “Fizemos um dinheiro legal”, lembra.

Passaram os meses e o episódio das balas só aumentou sua curiosidade sobre como os adultos ganham muito dinheiro. Tentando entender como as pessoas conseguiam comprar mansões ou veículos, sem ser herdeiros, começou a pesquisar na internet e encontrou informações sobre grandes investidores como Peter Lynch, Warren Buffett e Luiz Barsi. Todos eles tinham algo em comum: se arrependeram por não ter começado a investir mais cedo.

“Antes de começar a investir eu era muito consumista. Gostava de comprar roupas caras, mas nunca quis pedir aos meus pais dinheiro para isso”, lembra. Quando conheceu o mundo dos investimentos, uma luz verde acendeu, mostrando a ele que esta podia ser uma forma muito rentável de ganhar dinheiro.

Leituras e vídeos na internet

Felipe começou a procurar por conteúdo na internet. A primeira influência foi Breno Perrucho, um jovem investidor e dono do canal de YouTube Jovens de Negócios que divulgava informações sobre empreendedorismo, educação financeira e desenvolvimento pessoal. Em um vídeo no qual Breno indicava “Livros que vão mudar sua vida”, Felipe soube do exemplar “Pai Rico, Pai Pobre”, best-seller de Robert T. Kyiosaki e Sharon Lechter.

Assim como muitos investidores novatos, esta foi a primeira leitura de cabeceira de Felipe. Depois foi a vez de conhecer o “papa das finanças”, Gustavo Cerbasi, por meio do livro “Investimentos Inteligentes”. Ainda nessa caminhada, o influenciador Thiago Nigro, de 29 anos de idade, mais conhecido como o “Primo Rico”, foi outra inspiração para Felipe.

O menino prodígio também citou Samy Dana entre as suas inspirações, de quem afirma ser fã e acompanhar suas dicas de investimentos.

Sede por educação

Apesar de vir de uma família de classe média, Felipe foi o primeiro a introduzir o assunto educação financeira nas conversas de casa. Os seus pais falavam da importância de poupar, mas nunca haviam comentado sobre investimentos. Hoje é o garoto quem ensina os pais sobre como funciona a bolsa de valores. E a avó, dona Dora, já é uma ávida investidora de FIIs.

Na escola, ele considera que as aulas de educação financeira com duração semanal de 1h40 não são suficientes para aprender algo útil. “Tem outras matérias aleatórias que dão 3h30 de aula por semana. Acho que não faz muito sentido” comenta. Quando Felipe começou a publicar os vídeos no YouTube, vários amigos entraram em contato querendo entender como investir. “Fiz novos amigos e também fiz os amigos dos meus pais investirem”, lembra contente.

Embora considere que a forma como os pais lidam com dinheiro pode influenciar as crianças, Felipe reconhece que as novas gerações podem quebrar este ciclo e mudar a cultura financeira dos seus lares. “Muitos brasileiros acham que dinheiro é uma coisa feia, ou que os ricos conseguiram chegar lá por sorte”, cutuca. “Quando os pais não dão educação financeira aos filhos, podem atrapalhar a vida deles. Eles vão crescer e ter dívidas, depender do INSS. As pessoas falam que dinheiro é coisa ruim, mas sempre estão buscando ter este”, defende.

Por isso, nos vídeos do seu canal, ele aconselha pais a não pagarem mesada aos filhos para limpar a casa ou lavar a louça. E sim dar um incentivo às crianças para ler livros de educação financeira. “Se você pagar R$ 30 a uma criança para ler 80 páginas do “Pai Rico, Pai Pobre”, você estará a incentivando a entender sobre educação financeira. Os pais formam futuros empregadores e não futuros empregados”, diz.

Um novo Barsi?

Apesar de ser um nativo digital, geração que nasceu conectada e caracterizada pelo imediatismo, Felipe tem como mantra a estratégia de buy and hold, que se refere a comprar ações e manter estas na carteira por um longo tempo. “Esta é a forma como Warren Buffett enriqueceu”, comenta. Aos 12 anos de idade, o influenciador mirim acredita que o longo prazo não está muito distante. Pode ser aos 40 anos, data na qual ele gostaria de se aposentar.

Apesar de estar na sétima série do ensino fundamental, Felipe já tem sonhos de carreira. Pretende ser um gestor de fundo ou sócio de uma grande corretora quando crescer. No curto prazo, ele quer se tornar uma referência quando o assunto é levar educação financeira para as pessoas.

Felipe é uma criança, mas não se engane: é só assistir um dos seus vídeos que você pode até esquecer sua idade e achar que está ouvindo um adulto. Se ainda tem dúvidas, pergunte para a gerente de banco que tentou vender um título de capitalização para ele. “Quando tinha 11 anos, comentei para minha mãe que queria poupar. Ela me levou até a gerente de banco e me ofereceram capitalização que nem investimento é, e a poupança que perde dinheiro. Fiquei tão bravo que acabei explicando a ela que isso não funcionava”, conta. Meses depois e com mais conhecimento sobre o assunto, convenceu os pais a abrir uma conta em uma corretora.

Aos poucos, o Kid Investor tem ganhado o coração do mercado financeiro. Personalidades da internet como Tiago Reis não economizam elogios ao garoto. Há até quem o chame de Buffettinho, em homenagem ao Warren Buffett. E há quem acredite que ele será o novo Luiz Barsi, o CPF mais famoso da Bolsa de Valores.

Para Felipe é uma honra ser comparado com Barsi, um dos seus ícones. Humilde, garante que pode chegar perto, mas acha difícil superar o mestre. “Tem horas que me sinto como uma WEG (WEGE3), ela não vale R$ 68, mas as pessoas ficam muito otimistas. É a mesma coisa que sinto quando me comparam com Barsi, mas com humildade podemos crescer e ajudar mais pessoas”.

Onde ele investe?

Hoje, o pequeno grande investidor aplica em ações, ETFs e fundos imobiliários. Na carteira, ele tem a holding Itausa (ITSA4), que escolheu por causa dos dividendos; WEG (WEGE3) e Fleury (FLRY3), que comprou pelo potencial de crescer futuramente; e a Petrobras (PETR4) que lhe rendeu bons retornos durante a pandemia. “Comprei quando ela estava valendo R$ 9 e hoje está R$ 23”, comemora.

Ainda no portfólio do garoto, está a empresa de autopeças Mahle Metal Leve (LEVE3), que ele escolheu por estar presente em vários itens ao nosso redor. “A Mahle está em todo lugar, rolou até uma brincadeira de uma foto de aeronave onde estava o logo da companhia”, lembra.

Ele se orgulha de ter entrado na bolsa de valores durante a crise, o que hoje considera uma grande oportunidade. “Como diria o vovô Buffett, a má notícia é a melhor notícia do investidor e para mim foi a melhor coisa porque comprei tudo muito barato”, conta.

Enquanto muitos jovens ainda enxergam o fato de comprar ações como algo de outro mundo, Felipe continua trabalhando a todo vapor em seu canal do YouTube para mudar este conceito. Segundo ele, está na hora de entender que qualquer pessoa pode investir, e não só gente rica ou engravatada. “Não é apenas rico que investe, mas sim o contrário. Quem investe se torna rico”, diz.

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