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Finanças

Quem é Carolina Bartunek, a adolescente que começou a investir aos 13 anos

Questionadores, imediatistas e autodidatas digitais: a nova geração de investidores que vai transformar o mercado.

Se você pertence à geração dos millennials (pessoas entre 18 e 35 anos de idade), saiba que seu tempo passou. Agora é a vez dos nativos digitais ou “geração zappiens”, aqueles que já nasceram conectados. Livres, questionadores, imediatistas e autodidatas digitais. Eles já chegaram ao universo dos investimentos. Carolina Bartunek tem apenas 17 anos, mas começou a investir em ações aos 13 por influência do pai, Florian Bartunek, fundador da Constellation Investimentos e um dos gestores de fundos mais renomados do país.

O interesse por investir surgiu no Natal de 2016. Era o auge dos patins entre a criançada e todas as amigas de Carolina tinham o seu. Ela pediu um par de presente para Florian, mas ele decidiu que estava na hora de Carolina fazer escolhas. “Meu pai disse que poderia comprar os patins, mas que talvez eu os usaria por 2 meses para logo ficarem esquecidos no armário”, lembra Carolina.

“Então ele ofereceu comprar ações com esse dinheiro e explicou que, se eu fizesse tudo certinho com o investimento e tivesse paciência, em breve poderia comprar 2 patins com os rendimentos”, conta.

Comprando Google, Nike e Apple

Indecisa, mas curiosa com a proposta, Carolina topou. Naquele Natal, Florian ensinou a filha que ações eram “pedacinhos” de empresas, por isso era importante que ela escolhesse aquelas que conhecia e acompanhava. Como todo nativo digital, Carolina estava familiarizada com marcas como Google, Nike, Apple, e também com a Berkshire Hathaway do Warren Buffet, esta última por influência do pai, que vivia citando o nome do bilionário pela casa. “Comprei as minhas primeiras BDRs. O mais legal foi ter escolhido empresas que nós jovens conhecemos e usamos. Isso transformou o ato de investir em algo muito divertido”, lembra.

Quatro anos depois, Carolina ainda permanece com as ações na carteira. Depois, passou a comprar algumas empresas brasileiras, especialmente aquelas que considerava bem organizadas. Na carteira da adolescente, as queridinhas são Natura (NTCO3), BTG Pactual (BPAC11) e Magazine Luiza (MGLU3).

Carolina é a prova de que educação financeira não tem idade. Jovem ou velho, nunca é cedo ou tarde para começar. Apesar de ter crescido sob a influência de um pai que respira o universo dos investimentos, a adolescente afirma que este não é um fator determinante para jovens terem um relação saudável com dinheiro. “Ter pais que entendem de investimentos jamais foi nem será um requisito para nós, jovens, procurarmos educação financeira. Podemos ser os primeiros a introduzir este assunto na família”, explica. Florian também apoia o pensamento da filha. “Hoje tem muitos meios digitais, canais de YouTube, podcasts para os jovens aprenderem”, reforça o gestor.

Como os nativos digitais investem

A esta altura do campeonato, você deve estar se questionando: se um nativo digital é imediatista, como ele lida com conceitos como buy and hold (comprar e manter)? Como se informa ou estuda? Você lembra o que estava fazendo aos 17 anos?

Nativos digitais trazem consigo suas próprias revoluções. Entre estas, o jeito de consumir informação financeira. Carolina gosta de livros, especialmente de biografias de grandes empresários, mas passa longe de um jornal. Busca avidamente conteúdo sobre mercado financeiro em podcasts, redes sociais de corretoras e gestoras, YouTube, lives e influenciadores de finanças. “Nós, jovens, precisamos conhecer o mundo dos investimentos, mas não pode ser uma coisa chata ou técnica”, afirma.

Clube das finanças

Traduzir o mercado financeiro para nativos digitais tem sido uma das missões da adolescente. Aos 16 anos e entendendo a curiosidade dos colegas do ensino médio pelo universo educação financeira, Carolina criou o “Clube das finanças” na escola em que frequenta. “Todo jovem tem curiosidade do que é investir, como lidar com dinheiro, às vezes até vira assunto do recreio”, comenta.

O Clube, fundado há 1 ano por Carolina e um amigo, hoje já reúne 32 membros, a maioria do 3º ano do ensino médio, e outros de séries menores. Entre as atividades, os adolescentes trocam dicas de livros, palestras, lives. E, em rodas de conversa, falam sobre suas dúvidas sobre educação financeira e investimentos.

Os encontros são semanais e sempre presenciais mas, com a pandemia, passaram a ocorrer de forma online e quinzenalmente. “Fiquei muito surpresa de que o pessoal aderiu. Eles não enxergam isso como uma escolha de carreira, mas têm curiosidade por começar a ter uma atitude com o dinheiro”, explica.

Direito de errar

Apesar da idade, Carolina Bartunek tem quase certeza de três coisas: a primeira é que cursará a faculdade de economia assim que concluir o ensino médio. A segunda é que sua paixão é o mercado financeiro. E a terceira é que, em meio a uma sociedade que cobra certezas sobre tudo, a bandeira que ela levanta é o direito de errar. “Parece clichê mas acredito que cada um vai achar sua hora, sua paixão. Se você não tem noção do que quer fazer nem se sinta pressionado. Mas, sempre corra atrás de conhecimento”, afirma.

Por este motivo e cansada de ver entrevistas muito técnicas com empresários e profissionais referência no mercado financeiro, Carolina decidiu simplificar e criou o projeto Investindo no Futuro, dentro do canal de YouTube da Constellation. O projeto inclui uma série de entrevistas super descontraídas com nomes de sucesso do mundo dos negócios, destinadas aos jovens. “Nós queremos saber coisas diferentes dos nossos pais. Por exemplo, quais foram os erros que Jorge Paulo Lemann cometeu, o que ele fez na vida. Entender que não existe um único caminho traçado”.

Foi essa curiosidade que levou a adolescente a entrevistar o bilionário Lemann antes da pandemia. Seguindo o formato de uma conversa entre amigos no sofá de casa, o empresário confidenciou que quase foi expulso quando estudava em Harvard, após explodir bombas juninas. Conhecemos quem era o jovem Lemann apaixonado por surf e tênis, que só descobriu o que queria de verdade com 32 anos. Que já teve o cartão de crédito recusado na vida e que empreendeu, apostou tudo e também faliu. Afinal gente como a gente! E o mais engraçado, o Lemann que acha a maior chatice sair em listas da Forbes.

“Aprendi duas lições na conversa que tive com Lemann. A primeira é que não existe um caminho certo para ter sucesso na vida. Você precisa fazer bem o que ama. E pode correr atrás e não dar certo, e precisa continuar errando, aprendendo e empreendendo. A segunda é uma lição para os jovens: precisamos aproveitar esta nossa etapa de vida para correr riscos”, afirma Carolina.

Mulher de fibra

A principal inspiração na vida de Carolina é Serena Williams, tenista norte-americana considerada uma das maiores atletas de todos os tempos. Serena é conhecida por ser uma mulher de fibra, forte, que venceu o preconceito, racismo e sexismo no mundo dos esportes. Ela inspira muitas mulheres a sonhar alto e se esforçar para serem excelentes.

É com esta inspiração que Carolina, aos 17 anos, diz estar pronta para empoderar mais mulheres a entrar no mercado financeiro. Segundo dados da B3, com o aumento de investidores pessoas físicas, 38% (598 mil) eram mulheres. Surpreende mais ainda saber que o número de mulheres jovens investidoras, entre 16 e 25 anos, cresceu 361% entre maio de 2019 e maio de 2020.

“É difícil lidar com o imediatismo da minha geração. Mas uma coisa que apreendi é anotar cada um dos meus investimentos e por que decidi comprar esta ação. Nas horas da turbulência, me ajuda a controlar os sentimentos”, conta. Assim como Carolina, muitas jovens meninas embarcam na jornada de se tornar investidoras. Mulheres de fibra que vão transformar as futuras gerações do mercado financeiro. Avante!

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