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Tesla, Mercado Livre, Apple e Amazon: os 4 BDRs mais negociados em 2020

O InvestNews consultou especialistas para ajudar o investidor que está na dúvida se esses papéis valem a pena.

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Amazon, Tesla, Apple Mercado Livre
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O ano de 2020 foi marcado por uma mudança nos investimentos em BDRs (Brazilian Depositary Receipts, ou recibos de ações). A modalidade, que permite que brasileiros invistam em empresas listadas em bolsas de outros países, ficou mais acessível a investidores com menos recursos. Nesse cenário, alguns já se destacaram como os preferidos entre os brasileiros. 

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O BDR da montadora Tesla (TSLA34) foi o mais negociado no ano na B3, seguido por Mercado Livre (MELI34), Apple (AAPL34) e Amazon (AMZO34). É o que aponta um levantamento feito pela provedora de informações financeiras Economatica, considerando dados até a semana encerrada em 18 de dezembro. 

Entre eles, o BDR da Tesla foi o que mais valorizou no ano. O papel caminha para fechar 2020 com uma alta próxima a 900% (considerando dados até o dia 18 de dezembro). Já o Mercado Livre tinha valorização acumulada de mais de 200%. A Amazon e a Apple, perto de 100%.

Veja abaixo os destaques dos BDRs mais negociados no ano. Para elaborar a lista, o InvestNews ouviu Henrique Castro, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EESP), e Beto Assad, analista técnico de ações e consultor de mercado financeiro para o Kinvo, aplicativo que faz a gestão de investimentos. Para ajudar o investidor que está na dúvida se vale a pena ou não investir nestes papéis, os dois apontaram ainda os pontos fracos e fortes de cada empresa.

1 – Tesla (TSLA34)

A Tesla é uma empresa dos Estados Unidos que projeta, produz e vende carros movidos a eletricidade, além de sistemas de geração e armazenamento de energia. 

No terceiro trimestre, teve lucro de US$ 331 milhões, avanço de 131% na comparação anual. Foi ainda o quinto trimestre seguido de resultado positivo, Já a receita no período foi de US$ 8,77 bilhões, o que significa um aumento de 39%.

Apesar da pandemia, a Tesla manteve a receita em crescimento em 2020. “O lucro líquido também é positivo, ao contrário de outras fabricantes, que não têm tido o mesmo desempenho esse ano em relação ao ano passado”, compara Castro, da FGV. 

O motivo para que a Tesla se destaque das concorrentes, segundo Castro, é que a companhia “se manteve em uma espécie de vanguarda dessas mudanças que estão acontecendo no mercado, na transição desses carros que hoje são a combustão para veículos elétricos ou mais ambientalmente responsáveis”. “A Tesla hoje em dia talvez seja a empresa que é vista pelos investidores como essa referência”, diz ele.

Esse diferencial também é apontado como uma vantagem por Assad. “Seu principal ponto forte, a meu ver, é sua filosofia voltada ao meio ambiente. Com cada vez mais gente se preocupando com as questões ambientais, a empresa tem mercado garantido no futuro próximo”, diz o analista, citando ainda como outro ponto forte “a inclusão da empresa no S&P 500”. 

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Já entre os pontos de atenção, Assad cita “um risco externo, com o forte crescimento da concorrência chinesa”. Ele acrescenta ainda que, “no curto prazo, a paralisação da produção devido ao avanço do covid-19 pode prejudicar”. 

Castro também cita o mercado concorrido como um fator a ser monitorado pelo investidor, mas em um prazo mais longo, “quando os países começarem a depender menos de veículo de combustão a petróleo e implementarem leis que incentivem o uso de equipamentos elétricos, automóveis elétricos”.

De qualquer forma, Castro acredita que a Tesla ainda tem espaço para crescer. “As pessoas têm interesse em investir em coisas ambientalmente mais responsáveis, em carros elétricos. A Tesla tem um nome vinculado a essa tecnologia. Então, nesse ponto ela sai na frente das demais concorrentes.”

2 – Mercado Livre (MELI34)

A plataforma de vendas online Mercado Livre, com sede na Argentina, foi uma das que se beneficiou do contexto de restrição do funcionamento do comércio físico durante a pandemia – assim como outras do segmento do varejo eletrônico.

No terceiro trimestre, a empresa teve lucro líquido de US$ 15 milhões. A receita líquida atingiu recorde de US$ 1,1 bilhão, uma evolução de 85% em dólar.

Castro comenta o espaço que o comércio eletrônico ainda tem para crescer no Brasil, que, na comparação com outros países, tem uma participação menor desse segmento nas vendas do varejo como um todo. Outra possibilidade é uma mudança de comportamento permanente trazida pela pandemia ao consumidor, que pode manter hábitos de compra online. “Isso é uma ótima notícia para o Mercado Livre, pois tem potencial para crescer. A empresa pode se beneficiar bastante.”

O especialista aponta como um diferencial seu sistema de pagamentos, o Mercado Pago. “Isso torna o Mercado Livre uma forte fintech com atuação em toda a América Latina”, comenta. No terceiro trimestre, o volume de pagamentos no Mercado Pago subiu 91,7%, a US$ 14,5 bilhões.

“As pessoas usam cada vez menos dinheiro em espécie para outras formas de pagamento eletrônico e o Mercado Livre pode se aproveitar muito bem disso. É uma empresa que acredito que se deve ficar atenta a ela, pois tem muito potencial de crescimento”, diz Castro.

Assad também aponta como vantagem competitiva “a evolução da empresa no setor de logística, que aumenta ainda mais sua competitividade no longo prazo”. 

O analista ressalva, no entanto, que o papel da empresa teve forte avanço no final deste ano, o que pode abrir espaço para realização de lucros – ou seja, investidores vendendo o papel para se aproveitar da alta. Com isso, é preciso ficar atento às oscilações. “Atenção apenas para a realização de lucros de quem está muito bem posicionado, que pode pressionar os preços após o rali de fim de ano”, resume Assad. 

3 – Apple (AAPL34)

Os especialistas destacam o fato de a fabricante do Iphone ser uma empresa consolidada no mercado. O último balanço da Apple, divulgado em setembro, foi de lucro de US$ 12,6 bilhões – uma queda de 7,4% na comparação com 2019. Mas a receita atingiu recorde de R$ 64,7 bilhões.

Um ponto de atenção seria a alta competitividade do segmento de tablets, celulares e computadores. “A Apple tem uma concorrência muito forte, mas a vantagem é que ela tem um público muito fiel”, diz Castro. “Seu maior ponto forte, a meu ver, é sua marca consolidada com sua legião de fãs. Difícil um usuário Apple trocar de marca, independente do alto valor de seus produtos”, complementa Assad.

Castro acrescenta que, “mesmo com essa concorrência, a Apple tem conseguido manter seu volume de venda e, o mais incrível, com o passar do tempo, em vez de os produtos ficarem mais baratos, estão ficando mais caros”.

Mas Assad aponta que “a queda na venda de iPhones vêm preocupando grandes investidores”. “Isso resultou em queda do lucro da empresa, mas nada que ainda traga maiores preocupações. Apenas liga o alerta para como a empresa irá desempenhar após o fim da pandemia”, analisa.

4 – Amazon (AMZO34)

Agigante do varejo online Amazon também se viu beneficiada do cenário de restrições de algumas atividades durante a pandemia. Além do e-commerce, a companhia atua nas áreas de streaming digital, computação em nuvem, inteligência artificial, carros inteligentes e na produção de equipamentos eletrônicos. 

No terceiro trimestre, a empresa teve lucro recorde de US$ 6,3 bilhões, um aumento de 200% em relação ao mesmo período de 2019.

Castro aponta como um diferencial positivo a diversificação nos negócios da empresa, citando “a parte de computação em nuvem” e a alta lucratividade desse serviço. “O Amazon Web Services é um braço da empresa que, apesar de não gerar muita receita, gera boa parte dos lucros. Esse serviço de computação em nuvem é responsável por metade dos lucros da Amazon”, diz Castro. 

“Esse serviço tem margens excelentes, ao contrário do varejo, que tem margens bem apertadas. Se esses serviços de computação em nuvem da Amazon continuarem a crescer, e tem muito a crescer, eu acho que está garantido uma valorização futura dos preços futuros da companhia”, continua o especialista. 

Já Assad afirma que “seu principal ponto fraco hoje consiste nas acusações da Comissão Europeia de que a empresa obtém vantagens injustas por utilizar dados de seus vendedores para atrair clientes com preços mais competitivos, como se ela fosse concorrente dos próprios vendedores”. 

O analista acredita que “isso ainda pode gerar dores de cabeça para a empresa se não for logo esclarecido”.

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