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Volume levantado no mercado de capitais é recorde no 1º tri de 2021, diz Anbima

Trimestre foi marcado pelo retorno das debêntures e 16 IPOs; cerca de 50 companhias ainda aguardam na fila para abrir capital.

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Apesar da recuperação lenta da economia, o mercado de capitais brasileiro apresentou forte crescimento no 1º trimestre de 2021, captando R$ 102 bilhões em operações de renda fixa e variável.

Este volume é o maior da série histórica para os primeiros três meses de um ano, segundo apontou nesta terça-feira (13) a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Para José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, o destaque foi da renda variável que, pela primeira vez, não foi pressionada pelos efeitos da pandemia.

Se comparados a 2020, já excluindo o follow-on da Petrobras, os IPOs (ofertas iniciais de ações) representaram apenas R$ 4 bilhões nos três primeiros meses do ano passado, enquanto, no primeiro trimestre de 2021, já foram R$ 21,8 bilhões captados em IPOs. “É a primeira vez que uma oferta primária supera a secundária. As empresas estão procurando dinheiro para se capitalizar e conseguindo convencer os investidores”, afirma Laloni.

A discrepância é perceptível nos dados que mostram um 1º trimestre mais ativo, frente a um histórico anterior de ser o período mais desafiador do mercado.

Ele ainda cita a retomada do mercado de emissão de dívida na renda fixa, representado pelas debêntures. Estas captaram R$ 31 bilhões, patamar semelhante ao 1º trimestre de 2019, quando a captação representou R$ 28,1 bilhões.

Segundo Laloni, após a paralisação do mercado no ano passado, houve uma recuperação gradativa na demanda por debêntures, com prazos cada vez maiores, ele também enxerga um crescimento nos fundos de renda fixa, principalmente os que tem ativos de crédito privado.

“O efeito de uma tendência na alta de juros não é um impedimento para o mercado de capitais continuar se desenvolvendo”, acrescenta.

Renda variável

Na renda variável, o volume captado nas ofertas de IPOs e follow-ons foi de R$ 33,4 bilhões. Também foi o maior da série histórica para o período.

Pela primeira vez, as ofertas públicas de ações superaram os follow-ons, com um volume de R$ 21,8 bilhões. Tudo isso graças a 16 companhias que estrearam na B3 neste trimestre.

Segundo Laloni, até o momento há mais 50 companhias que aguardam na fila para abrir capital na bolsa brasileira.

Embora ele acredite que ainda é muito cedo para apontar um novo recorde, desde 2007, quando houve 64 IPOs, Laloni aponta que o movimento de preparação das empresas e bancos de investimento é forte, fruto da diversificação de setores entrantes na bolsa além do tamanho da operação.

“Temos ofertas de até R$ 200 milhões. Isso muda um pouco a percepção de que o investidor estrangeiro só comprava IPO de operação grande, o mercado está mais dinâmico”, acrescenta.

Entre estes IPOs também foi perceptível a que a oferta primária supera a secundária, com as companhias destinando mais recursos para o caixa da empresa, para investimentos ou aquisições.

No 1º trimestre de 2021, as ofertas primárias foram da ordem R$ 20,9 bilhões, enquanto as secundárias chegaram a R$ 12,5 bilhões.

Entre os principais compradores estavam os fundos de investimento (49,7%) e os investidores estrangeiros (7,1%). O investidor pessoa física manteve sua participação no patamar de 7,1%.

Já as ofertas de follow-on movimentaram R$ 11,6 bilhões.

Renda fixa

Na renda fixa, o destaque foi das debêntures, que apresentaram recuperação pela primeira vez desde a pandemia, com crescimento de 84,1% se comparado ao 1º trimestre de 2020.

O volume captado pelas emissões de dívida foi de R$ 31 bilhões, sendo R$ 23,9 de debêntures tradicionais e R$ 7,1 bilhões em incentivadas.

Com esta recuperação, o mercado de debêntures volta aos patamares do 1º trimestre de 2019.

Laloni aponta também um movimento de alongamento da dívida, com investidores optando cada vez mais por prazos maiores. Apenas 22,6% optaram por uma debênture com vencimento de até 3 anos, enquanto 45,2% investiram no período de 4 a 6 anos.

“É o retorno de prazos longos, se olharmos para os 3 anos, é um período não tão curto para a realidade brasileira”, defende ele.

Os principais compradores de debêntures foram intermediários e participantes ligados à oferta (62,9%), seguido dos fundos de investimento (24,7%). Já a participação da pessoa física foi de 5,6% neste tipo de ativo.

O vice-presidente da Anbima também se mostrou otimista com os ativos de renda fixa híbridos, representados pelos FIDC, Fundos Imobiliários (FII) e CRIs. “Vemos muito espaço para os FIDC continuar crescendo e os números comprovam isso”, desstaca.

O volume captado pelos Fundos Imobiliários, por exemplo, foi de R$ 14 bilhões no 1º trimestre de 2021.

O peso do ESG

Durante a coletiva, Laloni também destacou a preocupação da Anbima em relação as métricas ESG (governança, ambiental e social) que já estão impactando no mercado. Ele destacou diversas iniciativas da associação para mapear estas estratégias na indústria de fundos e mercado de capital.

Em relação a crise apresentada nas estatais, Laloni reforçou a importância da governança corporativa nas companhias para ter um mercado de capitais de qualidade.

• Como diversificar na renda fixa com debêntures?

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