A moeda americana opera em firme alta de 2,26%, cotada a R$ 5,2895, por volta de 13h40. O DXY, índice que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de moedas de mercados desenvolvidos, também sobe no dia (0,87%).
O movimento do dólar virou de ponta cabeça, mas não é possível dizer que a trajetória de queda contra o real e outros emergentes tenha sido abandonada, assim como o fluxo do dinheiro estrangeiro para as bolsas. Ainda não se pode prever até onde vai esse movimento.
O ponto é que, em um momento de busca coordenada por proteção no mundo todo e alta volatilidade, o dólar é um refúgio tradicional. Ter dólares na carteira ajuda a diversificar o risco de ter exposição a ações, principalmente. E combinar ativos que tenham historicamente correlações opostas entre si é a melhor estratégia.
O Ibovespa tem queda forte de 3,6%, aos 182.535 pontos hoje. E o mesmo se vê nos emergentes: o EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – recua forte no dia, com queda de 5,72%. Todas as bolsas globais – EUA, Europa e Ásia – enfrentam um dia negativo. Afinal, são ativos de risco, ainda que ele seja menor nas economias desenvolvidas.
E o ouro?
O ouro é uma alternativa tradicional de proteção e também deve ser usado como fins de diversificação na carteira, exatamente pela sua descorrelação, historicamente, de outros ativos de risco, como as ações.
Acontece que a commodity opera em queda hoje, de 3,58%, na faixa dos US$ 5.131 a onça. E alguns motivos indicam o porquê disso.
Os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity. É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.
Existe também um efeito sobre o ouro pela forte alta generalizada do dólar. Quando o dólar dispara, ele encarece o ouro para compradores que usam outras moedas, especialmente em um momento em que o metal bateu recordes. Com menor demanda internacional, isso pode levar o preço do metal para baixo, e não o contrário.
As taxas de juros dos títulos do Tesouro dos EUA também estão em alta no dia, seja nos contratos de vencimento mais curto, de dois anos, como de prazos maiores, de 10 anos.
Nesse caso, o mercado começa a reduzir apostas em cortes de juros na maior economia do mundo diante do risco de que o petróleo mais caro gere pressão inflacionária adicional. Juros mais elevados tornam os títulos americanos mais atrativos em relação a diversos mercados. Isso ajuda a explicar por que o metal recua mesmo em um ambiente de maior tensão geopolítica.
É a queda de braço entre essas forças que explica o desempenho do ouro em diferentes momentos. E é por isso que o movimento fica mais complexo quando o pano de fundo é difuso como o que se vê agora, em que as incertezas dominam o cenário mais do que tudo.
Toda a busca por proteção hoje responde ao fato de que o conflito ganhou impactos econômicos mais graves. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra contra o Irã deve durar entre quatro e cinco semanas, tempo em que a volatilidade deve ficar bastante elevada nos mercados.
A isso se soma o anúncia do Irã, no fim da tarde de ontem, de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global. Embora haja margem para aumento de produção entre países exportadores de petróleo, o que ajudaria a segurar os preços, o risco aumentou – o Brent acaba de voltar à faixa de US$ 80 por barril.