O novo Minha Casa Minha Vida ampliou para até R$ 600 mil o valor dos imóveis que podem ser financiados no programa com juros subsidiados. E incluiu dezenas de milhares de famílias de classe média só na faixa 4 – a mais alta que existe – com o aumento do teto de renda para R$ 13 mil por mês.

Esse aumento massivo de novos consumidores habitacionais significa uma oportunidade para os investidores. A demanda adicional pela casa própria deve sustentar resultados mais robustos nos próximos meses para diferentes construtoras com esse foco que são listadas na B3.

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A largada para os financiamento com os novos limites do MCMV ocorreu na quarta-feira (22), quando a Caixa Econômica Federal passou a liberar as operações dentro das condições aprovadas pelo Conselho do FGTS no fim de março.

E, entre as incorporadoras e as construtoras, quais devem se beneficiar?

Cury (CURY3)

A Cury é considerada por muitos analistas como a “queridinha” do setor. A operação em São Paulo e no Rio de Janeiro tem alta velocidade de vendas e margens saudáveis. É uma das que mais aproveitam o aumento do teto de renda para a classe média.

A principal nuvem no horizonte é uma liminar envolvendo alvarás de construção em São Paulo, que, no início de 2026, gerou queda de 15% nas ações.

Analistas do Santander, porém, avaliam o impacto como monitorável e que a questão não altera a tese central do benefício do novo MCMV. As ações da construtora acumulam altas de 8,28% no ano até abril e de 26,62% em um ano.

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Direcional (DIRR3)

Com presença em 12 Estados, mas atuação mais forte em Minas Gerais, no Norte e no Nordeste, a companhia tem um histórico de execução robusto. Tem se beneficiado da expansão do programa para regiões fora do eixo Rio-São Paulo, especialmente nos segmentos de menor renda, como as Faixas 2 e 3.

Uma virada estratégica recente foi a criação da Riva, subsidiária de médio padrão que já responde por 32% dos lançamentos e 35% das vendas da companhia. Além de expandir o mercado, a Riva traz margens superiores. A ação da empresa sobe 5,87% em 2026 e 44,16% em 12 meses.

Plano & Plano (PLPL3)

Focada quase exclusivamente na região metropolitana de São Paulo, a empresa atua fortemente nas faixas 1 e 2 do programa. O novo teto permite que a incorporadora lance empreendimentos mais valorizados dentro das regras do MCMV.

O retorno sobre o patrimônio líquido projetado para 2026 (ROE, que é o quanto de lucro a empresa gera com o dinheiro dos acionistas) alcança 45%, um dos mais altos do setor de construção popular.

Os analistas projetam números robustos para a companhia ao longo do ano, com um volume de R$ 5,3 bilhões em lançamentos para 2026, uma alta de 18% sobre 2025, e um lucro líquido de R$ 578 milhões.

A fragilidade da ação PLPL3 é a liquidez. Com volume médio diário de negociação em torno de R$ 13 milhões, a ação escapa do radar de grandes fundos e faz com que o papel fique “esquecido” mesmo com fundamentos sólidos.

Tenda (TEND3)

A companhia enfrentou anos de margens comprimidas e dívida elevada no pós-pandemia, quando precisou honrar obras já vendidas em meio a uma explosão de custos de construção não previstos nos contratos. Mas o vento mudou.

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Após uma grande reestruturação, a empresa voltou a se destacar. Em 2025, os papéis acumularam alta de mais de 100% em meio a resultados como um crescimento anual de 375% do lucro líquido em 2025 para R$ 505 milhões e um aumento de 27% da receita bruta para R$ 4,17 bilhões.

O “calcanhar de Aquiles” continua sendo a subsidiária Alea, braço de construção em woodframe (casas pré-fabricadas) que ainda queima caixa e gera volatilidade desproporcional nas ações.

O Bradesco BBI avalia que o “ruído” gerado pela Alea é exagerado em relação ao seu impacto real nos lucros. Em 2026 até abril, o papel tem alta de 40%. Em um ano, a ação acumula ganho de 95%.

MRV (MRVE3)

A MRV é a maior incorporadora da América Latina, com atuação em 150 municípios. O “novo” MCMV pode se tornar seu motor principal, permitindo o escoamento do seu enorme estoque de terrenos.

O “elefante na sala” — e na demonstração de resultados — é a Resia, subsidiária americana de apartamentos no modelo multifamily (construção de prédios totalmente para aluguel por um mesmo operador).

Em 2025, a empresa americana registrou prejuízo de US$ 243 milhões e acumulou US$ 695 milhões em dívida. A Resia já se desfez de aproximadamente US$ 241 milhões em ativos, pouco menos de um terço da meta de US$ 800 milhões que a companhia pretende cumprir até o fim deste ano.

Por causa do desempenho da subsidiária, a ação da MRV apresenta queda de 1,68% no acumulado do ano até abril. Em 12 meses, o papel tem alta de 26,30%.