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Negócios

Aos 29, filho de Semenzato conta como deixou o tênis e assumiu holding do pai

Grupo SMZTO, que tem participação na EspaçoLaser, foi fundado em 2010 pelo empresário, que hoje preside o conselho de administração da companhia.

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Bruno Semenzato/Divulgação

Bruno Semenzato, CEO da SMZTO, holding especializada no investimento em franquias, tem contato com o mundo dos negócios desde antes de nascer. Seu pai, José Carlos Semenzato, fundou empresas de repercussão nacional, como foi o caso da rede cursos profissionalizantes Microlins, em 1991.

Mas participar ativamente do ramo empresarial nem sempre foi uma certeza para ele. O executivo chegou a ser tenista profissional e conseguiu figurar entre os 100 melhores do mundo na categoria juvenil.

Aos 23 anos, enquanto cursava economia na Duke University, nos Estados Unidos, e, ao mesmo tempo, competia pela universidade, Bruno tomou a decisão de se afastar do esporte e se dedicar integralmente ao negócios do pai, que havia recém-fundado a SMZTO.

O CEO, que completou 29 anos em julho, ingressou na empresa, inicialmente, para estruturar a área de investimentos. O propósito era modificar o processo de seleção das franquias que iriam receber aportes da holding. Na época, a empresa costumava avaliar propostas que vinham dos próprios empreendedores.

“Passávamos o dia todo avaliando o que chegava de forma passiva. A gente sentia que pouquíssimas oportunidades eram muito boas. Víamos que estávamos gastando muito tempo olhando para elas, em vez de buscar o que era mais atrativo”, explicou.

O objetivo, de acordo com o executivo, era construir um programa de investimentos que pudesse incorporar a experiência que seu pai acumulou no setor de franquias aos componentes da indústria de investimentos para que a empresa tivesse, de fato, uma metodologia no momento de selecionar os negócios dos quais se tornaria sócia.

O grupo atuou na expansão de companhias nacionalmente conhecidas, como a EspaçoLaser (ESPA3), que estreou na bolsa em fevereiro e movimentou R$ 2,64 bilhões na operação. Atualmente, a holding tem fatia de 2,26% no negócio.  

Em entrevista ao Investnews, Bruno, que assumiu o comando da companhia há um ano, conta por que tomou a decisão de deixar o esporte e se dedicar ao negócio; as características do seu modelo de gestão e os ensinamentos que levou do tênis para a empresa.

O CEO destacou ainda que, embora tenha características diferentes de José Carlos Semenzato, ambos “têm o mesmo senso de urgência e ímpeto de querer fazer as coisas acontecerem”.

Atualmente, o fundador da SMZTO é presidente do conselho de administração do grupo e um dos jurados do reality show “Shark Tank Brasil”

A SMZTO, que investe atualmente em 15 empresas, estima encerrar o ano de 2021 com 3.500 unidades ativas e alcançar um faturamento de R$ 4,5 bilhões. A projeção é chegar a 7 mil lojas em até cinco anos.

InvestNews – Quando você percebeu que era o momento de deixar o tênis?

Tinha 13 anos quando decidi me dedicar ao esporte. Saí de casa e fui morar em Santa Catarina para trabalhar com Larri Passos, que na época treinava o Guga. Morei lá dos 13 aos 19 anos. Levei a sério e conquistei algumas coisas legais. Depois de terminar o terceiro colegial, tirei um ano para jogar. Joguei vários campeonatos profissionais de entrada que pagavam até US$ 50 mil de premiação, que são normalmente os primeiros níveis do torneio.

Nessa época comecei a namorar a ideia de ir para uma universidade americana, onde pudesse jogar tênis universitário, em um nível praticamente profissional, e estudar ao mesmo tempo. Para poder depois, com 23 anos, já formado, tomar a decisão se voltaria para o circuito profissional, ou não. Esse sempre foi meu racional.

Fui para os Estados Unidos deixando aberta essa possibilidade de jogar tênis. Mas na metade da faculdade já tinha abandonado a ideia de jogar o tênis profissional depois de me formar. Em um determinado momento, soube que estatisticamente tinha uma chance muito pequena de figurar entre os 50 melhores tenistas profissionais do mundo, e, ao mesmo, me interessava por várias outras coisas. Sempre tive interesse pelos negócios da família e uma proximidade como o meu pai.

Na metade da faculdade já estava dedicando meus esforços para me preparar para uma carreira profissional no mercado financeiro ou qualquer outra empresa. Estava focado em estudar e preparar minha jornada mais empreendedora.

InvestNews- Você assumiu como CEO há um ano, mas já se envolve nos negócios do seu pai há mais tempo. Como foi esse processo?

Costumo dizer que nasci no mundo das franquias. Desde quando me entendo por gente, meu pai já empreendia em uma empresa que crescia através do modelo de franquias, que era a Microlins. Mas comecei muito cedo me dedicando ao tênis profissional. Dos 13 aos 19 fiquei focado no esporte, nunca parei de estudar, mas meu grande objetivo era jogar tênis profissional.

Estudei economia nos Estados Unidos e joguei tênis pela faculdade. Depois voltei ao Brasil para trabalhar com a minha família. Meu pai já tinha começado com a SMZTO há uns dois ou três anos e feito alguns investimentos. Na época, a empresa era bem embrionária, muito centrada na figura dele, que estava ensaiando uma expansão.

Comecei a ajudar a colocar de pé o time de investimentos da SMZTO. O objetivo era ter um grupo que pudesse investir em setores diferentes e apoiar empreendedores que quisessem crescer sempre pensando no modelo de franquias.

De um ano para cá assumi a cadeira de CEO, que está voltada para tocar o dia a dia da operação, então ainda me envolvo muito na agenda de investimentos.

Temos hoje escala e receita relevantes. Ajudamos empreendedores a formar empresas que lideram suas categorias. Tivemos a oportunidade de entrar na EspaçoLaser, quando ela tinha um pouco mais de 20 lojas, e acompanhamos a empresa até o IPO no começo deste ano. Continuamos como um acionista relevante.

Também ajudamos na caminhada da Odontocompany desde o começo até a consolidação do setor. É muito legal também poder apoiar a Oakberry em uma jornada de crescimento internacional. Pela primeira vez temos a oportunidade de aprender com o modelo que está sendo replicado para mais de 20 países e se aproximando de 500 lojas.

Aprendemos com cada investimento. A nossa visão é mirar em mais de sete mil unidades ativas em cinco anos e se consolidar como o principal grupo de investimentos em franquias do Brasil. Hoje podemos falar que, somando todas as nossas marcas, estamos muito próximos de ser o maior grupo, perto do Boticário.

O nosso grande sonho é poder apoiar essas marcas por bastante tempo, sem ter pressa e sem a necessidade de vender as empresas que apostamos. Isso traz um alinhamento muito grande com os empreendedores que veem na SMZTO um sócio que pensa como eles e que não vai multiplicar o capital em duas, três ou quatro vezes e vender a empresa para o primeiro comprador que tiver, virar as costas e ir embora. Acreditamos muito em ter o empreendedor no centro de tudo do que a gente faz.

Investnews- Como foi a implementação da área de investimentos?

Quando comecei a estruturar a área, entrei para ser um analista de investimentos e começar essa empreitada de colocar o time de pé. Tínhamos uma prospecção muito passiva. Como o Semenzato atraiu muito a atenção, principalmente depois de ter feito alguns negócios de muito sucesso, passávamos o dia todo avaliando e recebendo as oportunidades que chegavam de forma passiva.

A gente sentia que pouquíssimas daquelas oportunidades eram muito boas. Víamos que estávamos gastando muito tempo olhando para elas, em vez de selecionar oportunidades que eram muito mais atrativas, ou seja, invertemos para uma lógica de originação ativa.

Até porque é muito difícil um empreendedor que é muito diferenciado, com um negócio que está indo muito bem e que precisa de pouco investimento tomar uma decisão de querer vender um pedaço da sua empresa.

Todos os investimentos que tínhamos feito até então foi pela figura do Semenzato. Nosso objetivo era construir um programa de investimentos que pudesse incorporar a experiência que meu pai acumulou ao longo dos anos em franquias, trazendo componentes muito bem estabelecidos da indústria de investimentos e, então, construir um programa e uma área que tivesse muita disciplina e soubesse que tipo de franquia buscaria, a participação que teríamos e a metodologia usada para avaliar os negócios.

Hoje posso dizer que nosso modelo é bem proprietário. Fazemos só uma coisa da vida que é avaliar negócios de franquia para comprar, ou não, e temos que fazer bem. E a gente se propõe a fazer melhor do que ninguém.

Avaliar um negócio de franquias tem muitas particularidades. Olhamos para aspectos nesses negócios muitos diferentes quando se compara ao investimento em uma startup de tecnologia ou uma indústria.

É um modelo que quanto mais a gente faz, mais aprendemos, mais ganhamos conforto e aprendizado para avaliar e como saber, de fato, se tem um modelo que já é vencedor, mas que pode ser escalado e se tornar um líder.

A maior parte do tempo ao avaliar um negócio passamos respondendo se aquela empresa entrega um valor muito claro na ponta para o consumidor final e também para o franqueado e se tem atributos que possibilitem liderar na categoria.

InvestNews – O que você aprende com seu pai e o que leva para o seu modelo de gestão?

O meu pai é uma pessoa muita empreendedora. O que ele faz de melhor é estar ao lado dos empreendedores. Fomos descobrindo juntos que a melhor forma de aproveitar as nossas qualidades é fazer com que a agenda dele esteja voltada muito mais para continuar pensando com o chapéu de empreendedor, de estar próximo aos empreendedores e apoiá-los nas principais decisões.

Enquanto isso, trago para a mesa tudo o que precisa ser feito dentro de uma agenda de um grupo de investimento que precisa ter muita disciplina, formar time, construir teses de investimentos, implementar ferramentas, tecnologias e pensar na estratégia.

Encontramos uma fórmula muito adequada de se complementar. Hoje estou muito mais focado em fazer esses investimentos e enxergar tendências e gaps em algum mercado, enquanto ele acaba sendo a pessoa que se senta nos conselhos das empresas investidas e está sempre disponível para os empreendedores.

Muita gente quando olha para meu pai enxerga esse lado comercial, essa veia empreendedora, além do ímpeto e da habilidade de falar em público e de expressar as ideias, como as características que fazem dele um empreendedor de sucesso. Mas eu diria que o que ele faz de melhor é ter jogo de cintura para entender que sócios diferentes tem motivações diferentes, preocupações diferentes e que precisam ser escolhidos e ouvidos de maneira diferente.

InvestNews – Quais as diferenças no modelo de gestão entre você e seu pai?

Tive a escola que meu pai implementou, mas temos algumas características diferentes. Ele gosta muito mais de falar e de se comunicar. Apesar de entender a importância de me comunicar, gosto muito de me planejar antes de falar. Preciso me planejar muito e com o time antes de externalizar algo.

O meu pai se comunica para planejar. Além disso, apesar de eu ser mais tranquilo e ele mais acelerado, temos o mesmo senso de urgência, o mesmo ímpeto de querer fazer as coisas acontecerem e de querer tirar do papel. Por fora pode parecer muito diferente, mas por dentro temos o mesmo drive e o DNA de empreendedor, de quem gosta de fazer a coisa acontecer.

InvestNews – Quais lições conseguiu levar do esporte para dentro da empresa?

Muita coisa. Desde as mais óbvias, como disciplina, paciência, trabalho duro e de entender a importância da preparação até como aprender a perder. Apesar do tênis ser um esporte individual e depender muito de cada um, também é preciso entender que muita gente nos ajuda no caminho de preparação e que precisamos das pessoas.

Acho que outro componente muito importante é o autoconhecimento. O esporte individual força você a se conhecer profundamente para conseguir entender o que acontece quando performamos bem ou não.

Acho que esse componente é muito bom, porque traz muita humildade, no sentido de reconhecer seus pontos fracos e onde precisamos de mais de ajuda. E é muito o que a gente busca implementar na cultura da empresa.

Somos muito mais focados em valorizar bons questionamentos do que respostas rasas. Gostamos de pensar que sempre vai ter mais dúvidas do que certezas, e não tem nenhum problema nisso.

O tênis também me mostrou que poderia competir de igual para igual e que eu poderia ser bom não só no Brasil, mas no mundo. Trouxe muito essa crença que podemos competir de igual para igual com qualquer investidor pelo mundo, e isso é muito da nossa natureza. A gente gosta de sonhar grande. Sabemos que o caminho é longo, temos um horizonte de longo prazo. E é assim que as coisas acontecem no tênis. Ninguém vira um dos melhores jogadores do mundo em seis menos ou um ano. Uma carreira bem-sucedida se constrói pelo menos ao longo de uma década.  

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