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B3 pode incluir ESG em uma reforma das regras do Novo Mercado

Presidente fez anúncio a jornalistas, mas não falou em data para a mudança.

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Logo da B3, em São Paulo 28/06/2018 REUTERS/Leonardo Benassatto

A B3 planeja incluir a agenda ESG nas discussões sobre reformas nas regras de admissão de empresas no Novo Mercado, o segmento com níveis mais exigentes de governança, disse nesta quarta-feira (16) o presidente-executivo da companhia.

“As próximas discussões sobre regras do Novo Mercado podem incluir temas como ESG”, disse Gilson Finkelsztain em transmissão online para jornalistas, mas sem mencionar quando isso deverá acontecer.

Sigla em inglês do conjunto de boa conduta corporativa em governança e em práticas socioambientais, o ESG ganhou expressão em 2021, com grandes agentes globais adotando o conceito como critério para comprar ações de empresas.

Criado há 20 anos, o Novo Mercado da B3 é concentrado em regras de boa governança. Atualmente, o segmento tem 163 companhias. A bolsa também criou cinco anos depois seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), carteira cuja próxima composição no início de 2021 terá apenas 39 empresas, dentre as 200 com ações de maior liquidez.

Ainda assim, o tema é alvo frequente de polêmicas, com profissionais de mercado e ativistas cobrando regras mais rigorosas de adesão, seguindo padrões internacionais.

Essa discussão ganhou força nos últimos anos, em meio a sucessivos escândalos de corrupção e denúncias de crimes ambientais, envolvendo inclusive empresas dessa carteira.

“Nosso papel não é de ser julgador, mas um indutor de boas práticas”, disse Finkelsztain.

No começo deste mês, a S&P Dow Jones Indices excluiu a ação do Carrefour Brasil de um índice ESG, em parceria com a B3, semanas após um homem negro ter sido espancado e morto por seguranças numa loja do grupo em Porto Alegre (RS).

A B3 informou na transmissão que deve criar em 2021 um índice com foco maior em questões sociais.

IPO

Finkelsztain também disse na transmissão esperar manutenção do forte ciclo de ofertas iniciais de ações (IPOs) no Brasil em 2021, após 27 estreias na bolsa paulista neste ano.

O executivo rechaçou a ideia de que o mercado esteja passando por uma bolha, mesmo com a escalada recente das ações – na terça-feira (15), o Ibovespa atingiu 116 mil pontos, zerando perdas no acumulado do ano – enquanto o país caminha para uma queda do PIB ao redor de 4%, na esteira da crise devido à pandemia da covid-19.

“A perspectiva dos mercados globais por uma vacinação em massa, aliada a uma injeção de liquidez financeira, traz perspectiva de crescimento de empregos e de negócios”, disse ele. “Se no Brasil houver clareza na agenda do governo para manter a inflação baixa e priorização das reformas e das privatizações, aí a gente tem tudo o que o mercado gostaria.”

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