No primeiro caso estão players como Hapvida, Oncoclínicas, Kora Saúde e Alliança Saúde; no segundo, grupos como Rede D’Or, a recém-formada Bradsaúde, que reúne ativos do Bradesco no setor, Dasa, Fleury, Porto e Rede Américas.
Para a Dasa, maior grupo de medicina diagnóstica da América Latina, com marcas como Alta, Delboni e Salomão Zoppi e controlado pela família Bueno, o momento é de retomada dos investimentos com foco em renovação de laboratórios e equipamentos, depois de equacionado um quadro de elevado endividamento que pressionou a companhia em passado recente.
O mais recente investimento do grupo liderado pelo CEO Rafael Lucchesi envolve uma parceria com a GE Healthcare para a instalação de 16 novas máquinas de ressonância magnética com uso de IA (inteligência artificial) para os exames, em contrato de longo prazo cujos valores – não divulgados – superam dezenas de milhões de reais, segundo informações de mercado.
“É um movimento de atualização de máquinas de ressonância magnética que a Dasa não faz há pelo menos uma década, até mais tempo. Ele amplia a nossa capacidade de atendimento em 25%”, disse Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, em entrevista ao InvestNews.
“E ele se concretiza no curto prazo, com adoção em até dois anos, mas impacto de geração de valor para o grupo ao longo do tempo, no longo prazo”, disse o executivo, que também é médico.
As 16 novas máquinas de ressonância magnética da GE Healthcare vão representar a renovação de aproximadamente 10% do parque desse tipo de equipamento na Dasa, um prazo considerado inédito, segundo o executivo, dado que modernizações como essa em geral são graduais – de 2 a 4 por ano. O impacto terá abrangência nacional, com unidades em diferentes estados e regiões do país.
“É uma parceria que contempla os pilares clínico, operacional e financeiro, com perspectiva de médio e longo prazos”, disse João Paulo de Souza, Chefe Executivo da GE HealthCare Brasil, na mesma entrevista.
As novas máquinas permitem atualizações futuras sem que seja necessário trocar o hardware, e isso por um período que pode chegar a 20 anos, o que “protege o investimento”.
A troca de uma máquina costuma levar dois meses, enquanto a atualização dos novos equipamentos acontece em duas a três semanas – e isso no fim do dia se traduz em um número menor de exames que deixam de ser realizados.
Segundo o executivo da GE Healthcare, trata-se de contrato inédito no país para o grupo global com sede em Chicago, nos Estados Unidos. “Não houve nenhum grupo privado que tenha feito um investimento dessa magnitude.”
Para médicos e pacientes, segundo Valim e Souza, os ganhos serão percebidos em termos de maior precisão nas imagens para os diagnósticos, em boa medida em razão do uso de IA (inteligência artificial) nas máquinas. A duração dos exames em si também será menor, e haverá ganhos em conforto, com câmaras maiores – o túnel por onde entra o paciente para a captura das imagens.
Duas das novas máquinas são consideradas mais avançadas, com campo magnético de 3.0 Tesla (versus 1.5 Tesla nas demais), o que, segundo os executivos, se traduz em diagnósticos com maior precisão para doenças complexas em oncologia e neurologia, por exemplo.
Esses dois equipamentos serão instalados em uma unidade do Delboni Salomão Zoppi no bairro do Paraíso, em São Paulo, e em uma no laboratório da Alta do Barra Shopping, no Rio de Janeiro.
As novas máquinas também vão representar redução de custos de insumos, como no caso do gás hélio para a sua operação: o impacto estimado é da ordem de R$ 500 mil por máquina trocada ao ano.
No começo do ano, a Dasa já havia anunciado outro investimento relevante, para a renovação e a modernização de 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs), que são unidades responsáveis pelos processamentos de exames – cerca de 450 milhões a cada ano.
Na ocasião, a Dasa classificou o investimento – também de valor não revelado – como o seu maior já realizado, que incluía a abertura de NTOs em Brasília e em Belo Horizonte. Os números consolidados de investimento podem ser conhecidos no dia 12 de maio, quando o grupo divulga os resultados do primeiro trimestre de 2026 – e isso inclui possivelmente o capex para o ano inteiro.
No ano passado, o investimento (capex caixa) ficou em R$ 290 milhões.
Movimentos no mercado de saúde
Além da Dasa, o Fleury também tem reforçado os investimentos para o crescimento em medicina diagnóstica. O foco tem sido na frente de tecnologia e de digitalização, com iniciativas que ampliam o agendamento 100% virtual e melhoram a experiência do paciente e, ao mesmo tempo, reduzem custos.
Em outra frente, em março, o Fleury chegou a se juntar com a Porto nas negociações com a Oncoclínicas para a formação de uma nova companhia com a rede de clínicas oncológicas, que teria até R$ 2,5 bilhões em dívidas e passivos. Mas as conversas não prosperaram e foram encerradas.
Outro player relevante do setor, a Alliança Saúde, por sua vez, enfrenta uma crise financeira. O grupo que foi controlado por Nelson Tanure de 2023 até fevereiro deste ano entrou com uma ação cautelar de proteção contra credores em março, com dívida que estava em R$ 500 milhões em setembro passado. No fim de abril, o então CEO Ricardo Sartim renunciou ao cargo.