A gestora americana I Squared Capital, especializada em ativos de infraestrutura, avançou para a segunda fase do processo de venda do Porto Sudeste, terminal portuário no Rio de Janeiro avaliado em cerca de US$ 5 bilhões.

O ativo é controlado atualmente pela trading Trafigura e pela Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi.

Também passaram para a fase final o consórcio formado pela Vale e pela siderúrgica Gerdau, e a M Resources, empresa australiana de logística sediada em Brisbane, segundo apuração da Bloomberg.

I Squared, Gerdau e Trafigura não quiseram comentar. Porto Sudeste, Mubadala e M Resources não responderam aos pedidos de comentário.

Já a Vale encaminhou a um comunicado divulgado em 30 de abril, no qual afirmou que “avaliações de oportunidades de investimento são realizadas no curso regular de suas atividades”, e que continuará informando o mercado prontamente sobre qualquer fato relevante decorrente da prospecção.

A I Squared

Com sede em Miami e cerca de US$ 40 bilhões sob gestão, a I Squared é uma das maiores gestoras independentes do mundo focadas em infraestrutura.

Foi criada em 2012 como spin-off do braço de infraestrutura do Morgan Stanley e abriu seu primeiro escritório na América do Sul em São Paulo, no fim de 2023, sinalizando ambição de ampliar a presença no país.

No Brasil, a gestora já fez aposta relevante em infraestrutura digital: anunciou no fim do ano passado a compra da Elea Data Centers, uma das maiores plataformas de data centers do país, com nove campi em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Globalmente, opera ativos em portos, ferrovias, energia, telecomunicações e saneamento, e na América Latina detém posições no porto colombiano de Barranquilla, entre outros.

O terminal

O Porto Sudeste é hub logístico estratégico para mineradoras brasileiras que buscam rota de escoamento ao mercado asiático, especialmente o Sudeste Asiático, e está conectado por ferrovia a Minas Gerais, principal região produtora de minério de ferro do país.

O terminal embarcou volume recorde de 27,8 milhões de toneladas em 2025, contra 21,9 milhões em 2024, mas ainda opera bem abaixo da capacidade de cerca de 50 milhões de toneladas, segundo o último balanço.

Trafigura e Mubadala adquiriram o controle do terminal em 2014, em meio ao colapso do conglomerado de Eike Batista, comprando-o da MMX Mineração & Metálicos.

A venda agora em curso, conduzida pelos bancos Goldman Sachs e UBS BB, ocorre 13 anos depois da primeira tentativa frustrada de um consórcio brasileiro (Vale, CSN, Gerdau e Usiminas) de manter o ativo em mãos nacionais.