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Crianças também podem investir; tudo começa com educação financeira

Hoje existem mais de 21 mil contas de investidores pessoas físicas com até 15 anos na B3.

Publicado

em

por

Marina Naime

Quando o mês de outubro chega, nosso olhar sempre se volta para a criançada. Começa uma grande negociação entre pais e filhos e, invariavelmente, a gente cai na tentação de premiar as crianças por algo que deveria ser a obrigação delas, como manter o quarto arrumado, ajudar em pequenas tarefas domésticas, ir bem na escola ou respeitar os mais velhos. 

Presentear é um ato de comemoração e celebração, mas também uma oportunidade de ouro para você ensinar seus filhos sobre economia, consumo e o valor do dinheiro. Afinal, a gente às vezes precisa rever nossos próprios ensinamentos: quem nunca comprou um presente supercaro, daqueles que piscam luzinhas e tocam musiquinha, e se desapontou porque a criança se interessou mais pela caixa do que pelo brinquedo?

Não é fácil começar a falar sobre finanças com os pequenos, mas se eu pudesse dar uma primeira grande dica seria: comece, o quanto antes, a jornada de educação financeira dos seus filhos para ensiná-los a lidar com o dinheiro de forma saudável e sustentável. Como?

Aqui não tem regra. Pode ser na hora do presente, mostrando para a criança que um brinquedo mesmo barato pode proporcionar momentos inesquecíveis em família. Que tal comprar um frisbee, que custa menos de R$ 10, levar seu filho ao parque e ensiná-lo a jogar? Na hora de dormir você pode ler com ele um livro que traz conceitos importantes sobre dinheiro e ainda dar boas risadas: a dica aqui é o “Como Se Fosse Dinheiro”, da Ruth Rocha. 

Outra excelente oportunidade para ensinar educação financeira está na feira. Como criança adora um desafio, experimente dar a ela R$ 5, pedir que compre uma caixa de morangos e combinar que todo o dinheiro que ela trouxer de troco será dela. Você mostrará na prática que esforço e paciência são valores recompensadores que devem ser exercidos sempre. A imaginação pede passagem, respeitando a realidade de cada família, e a capacidade dos pequenos de compreender o que se passa à sua volta e aprender coisas novas vai te surpreender. 

E se o assunto é educação financeira para as crianças, não temos como deixar de fora o famoso cofrinho/porquinho. E não importa a idade, ele é, sem dúvida, uma unanimidade e símbolo do início da jornada das crianças para aprender a importância da poupança. Economizar hoje para realizar sonhos amanhã, independentemente do orçamento familiar.

Mas é importante aqui reforçar que falar sobre dinheiro com as crianças não significa que elas devem participar das decisões financeiras da família, porque isso é papo de gente grande. Se você está passando por um momento financeiro delicado, não divida todas as suas preocupações com as crianças, porque isso pode ser interpretado de outra forma na cabeça delas. 

Criança pode investir em bolsa?

Muitos pais também começam a pensar no futuro dos seus filhos com eles ainda bem pequenos e sempre ficam com aquela dúvida: criança pode investir em bolsa?

A resposta é sim, e é importante destacar que não tem idade para começar a investir. O primeiro passo é abrir uma conta bancária em nome da criança ou em conjunto com um dos responsáveis para que seja possível fazer a transferência do dinheiro de mesma titularidade para a instituição financeira ou corretora escolhida pela família para começar a investir. 

Ou seja, a conta deve ser aberta com o CPF da criança e os menores de 18 anos precisam ter um representante legal indicado. Se seu filho adolescente quiser abrir uma conta será necessário ter a autorização dos responsáveis.

E aqui outro ponto de atenção: a criança ou o jovem deve ter sempre a orientação dos seus pais ou responsáveis para tomar qualquer decisão de investimento. Conhecer conceitos importantes como juros compostos, riscos, liquidez, taxas e os tipos de investimento disponíveis para a formação de poupança no longo prazo são fundamentais para que ele também evolua enquanto investidor.

Jovens investidores na bolsa

Nos últimos três anos, vimos explodir o número de investidores pessoa física na bolsa do Brasil: em 2018, eram de 814 mil contas, em dezembro de 2020, 3,2 milhões, e hoje já estamos perto de bater a marca de 4 milhões de contas. Se olharmos os dados de setembro, temos 21.630 contas de investidores pessoas físicas com até 15 anos. E os números comprovam um crescimento regular também para esse perfil de investidor: ao final de 2019, eram 6.617 contas, em dezembro de 2020, 14.720, o que representa um aumento de 45% no ano.

Diversificação

O mercado de capitais brasileiro oferece cada vez mais oportunidade de diversificação para o investidor na hora de alocar seu dinheiro. Hoje são quase 500 empresas brasileiras listadas que podem ter suas ações negociadas em bolsa, sem contar os mais de 50 ETFs, que funcionam como uma cesta de investimento de ativos atrelados a índices, e os mais de 700 BDRs, como são chamados os certificados emitidos no Brasil que representam ações emitidas por empresas listadas no exterior. 

Ações conhecidas dos seus filhos, como Disney, Netflix, Apple, apenas para citar algumas, podem fazer parte da carteira e seu filho pode, inclusive, se tornar sócio delas, sempre respeitando o perfil de risco e o propósito desse investimento. Aproximar as realidades e associar o mercado ao dia a dia ajudam seu filho a dar novos passos como investidor.

Mas as oportunidades não param por aí. E eu queria compartilhar com vocês uma história que aconteceu comigo: no ano passado, meu filho de 14 anos resolveu investir em um título de renda fixa pré-fixado que estava pagando algo em torno de 12% ao ano, o que parecia uma boa opção.

Eu expliquei para ele os riscos relacionados a esse tipo de investimento e a importância de não colocar todos os ovos em uma única cesta:  ele entendeu e diversificou um pouco em títulos pré-fixados e um pouco em pós-fixado. Esse é um ensinamento que ele jamais vai esquecer, porque se tivesse colocado tudo no pré-fixado, hoje estaria emburrado e triste com a escolha que vez.

Então, além de ensinar a diferença do dinheiro quando pensamos em curto, médio e longo prazos, é legal mostrar para eles que tem hora que você pode ganhar, mas também tem hora que você vai deixar de ganhar e que a diversificação é uma grande aliada para manter suas finanças equilibradas.

Eu contei essa história porque reforça não só quanto é importante uma criança ter noções básicas de finanças, mas também bases sólidas de conhecimento de português, interpretação e compreensão de um problema matemático. Tudo está extremamente conectado. Ele não precisa saber o que é inflação, por exemplo, mas ele pode entender que, ao longo dos anos, o dinheiro que ele usava para comprar o lanche, o suco e a sobremesa na lanchonete compram hoje apenas o lanche. Viu só como os conceitos básicos de educação financeira estão por todos os lados?

E aqui na B3 temos feito um trabalho intenso, ao lado do regulador e dos parceiros, para colocar a educação financeira no centro das discussões, porque entendemos que é dessa forma que podemos ajudar milhares de brasileiros a ter o controle de suas finanças, realizar seus sonhos e ajudar não só nossa economia, como o nosso país a crescer. E isso, como vimos, pode começar cada vez mais cedo.

*Marina Naime, Gerente de Educação da B3.

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