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Finanças

‘Micos’ da bolsa: 5 ações para ficar longe em 2020, segundo especialistas

Enquanto algumas companhias caminham para recuperar tudo o que perderam na pandemia, outras não conseguem sair do atoleiro. Veja quais são.

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em

por

Katherine Rivas
micos bolsa

Agosto chegou e o Ibovespa, principal índice da B3, fechou seu quarto mês seguido de alta. Desde a pior fase da crise, valorizou 60%, e dentro dele é possível identificar as ações que caminham para recuperar suas perdas ou voltar aos níveis pré-pandemia. Não faltam também exemplos negativos: companhias que não pertenciam a setores perenes (que sobrevivem a qualquer crise) ou as que já carregavam consigo crises financeiras ou de governança. Para estas empresas, a pandemia trouxe à tona seus problemas internos, embora muito investidor ainda aposte na recuperação de seus papéis.

Por este motivo, o InvestNews conversou com os especialistas Felipe Ruiz e Fabio Baroni do Ações Garantem o Futuro, projeto que ensina a investir no longo prazo utilizando o método de Luiz Barsi. Eles identificaram quais ações se encaixam como “micos” da bolsa brasileira em 2020, aquelas que prometiam engatar, mas acabaram desapontando. Veja a lista a seguir:

1 – IRB Brasil (IRBR3)

Segundo os especialistas, o grupo ressegurador IRB Brasil (IRBR3) já pode ser considerado o maior “mico” da bolsa em 2020. As ações da companhia que já foi chamada de uma das “queridinhas da bolsa” acumulam perda de quase 80% desde janeiro, a maior queda do Ibovespa.

Baroni explica que o IRB Brasil é a única ação, entre as empresas mais mal avaliadas por ele, que pertence a um setor perene, resiliente e teoricamente imune a crises, que é o mercado de seguros. A situação complexa da resseguradora estaria relacionada à quebra de confiança no mercado, após um histórico de polêmicas que os investidores acompanharam.

Conflitos como a carta da gestora Squadra, que questionava os lucros do IRB e sua rentabilidade gigante; boatos desmentidos de que a Berkshire Hathaway, conglomerado de Warren Buffett, era sua acionista; investigações de irregularidades envolvendo a Susep e a CVM e informações contábeis pouco confiáveis fizeram as ações da companhia encolherem de R$ 44,9 em janeiro de 2020, para menos de R$ 8.

Felipe Ruiz reforça que a crise do IRB Brasil não foi fruto da pandemia, mas uma crise de confiança provocada por inconsistências contáveis e números inflados. Tudo isso gerou uma mancha gigante na imagem do ressegurador, que dificilmente será esquecida pelos investidores. “O principal problema do IRB é que não dá para saber se o pior já passou. É igual à situação da Petrobras quando estava envolvida na Lava Jato. O investidor fica resistente a comprar as ações porque em cada armário você encontra um esqueleto novo”, comenta.

Apesar de o IRB ser visto como uma empresa quase monopolista, com 40% da fatia do mercado de seguros, Ruiz explica que este tipo de conflito espanta investidores estrangeiros, especialmente em tempos em que governança e ESG viraram pilares para decisões de investimentos. E estes por meio de fundos são grandes investidores de companhias como o IRB.

Ele defende que o problema de recuperar a imagem de uma companhia de capital aberto também não é assunto fácil. “O IRB Brasil destruiu sua reputação de 81 anos em segundos. Agora deve viver pelo menos os 2 anos mais difíceis da história da companhia para recuperar a confiança do mercado”, avalia.

Recentemente, a companhia tomou algumas iniciativas para mudar este cenário de caos. Realizou auditorias e investigações para detectar problemas contábeis e demitiu os responsáveis pelo boato envolvendo a Berkshire Hathaway. E anunciou um processo de captação de R$ 2,3 bilhões por meio de ações ordinárias, para capitalizar a companhia segundo as exigências da Susep.

No dia 31 de julho, a companhia anunciou que vai pagar dividendos no montante de R$ 93,1 milhões aos acionistas, e juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 27,3 milhões, R$ 0,10 por ação. O pagamento ocorrerá no dia 29 de dezembro, apenas para acionistas com posição no dia 14 de agosto.

O IRB Brasil adiou a divulgação do seu balanço do 2º trimestre para o dia 28 de agosto. Nesta segunda-feira (3), divulgou uma prévia bimestral (abril-maio) na qual aponta um prejuízo líquido de impostoS de R$ 392,5 milhões no período e uma sinistralidade de 123%. “O pagamento de dividendos e JCP não significa nada, pode ser até uma estratégia para facilitar a subscrição de acionistas, porém não quer dizer que a situação financeira da companhia esteja melhorando”, defende Ruiz.

Para reconstruir sua reputação, o IRB tem ainda a seu favor o apoio de controladores como Bradesco e Itaú, que se comprometeram a subscrever o aumento de capital. Até o presidente do Bradesco, Octavio Lazari tentou amenizar a situação da companhia e deu a benção. Em teleconferência, afirmou recentemente que o Bradesco enxergava o IRB como investimento e como uma empresa viável para auxiliar no aumento de capital. “Aportamos recursos no IRB porque a empresa está se resolvendo dos problemas que aconteceram”, reforçou .

Seja como for, uma possível recuperação do IRB é para o longo prazo. Por isso, Baroni recomenda ao investidor avaliar quanto estômago e paciência tem para aturar as oscilações do papel. “Quem comprou IRB quando a companhia tinha fundamentos precisa avaliar se ainda existem indicadores positivos, porque a resseguradora ainda deve passar por maus momentos”.

2 – Azul (AZUL4)

Para os especialistas, o segundo maior “mico” da bolsa no momento é a companhia aérea Azul (AZUL4), que atua em um setor já susceptível a crises, cujas operações estão entre as mais castigadas pela pandemia. A receita dolarizada ou atrelada a commodities deixou a Azul ainda mais vulnerável a variações do câmbio.

As mudanças no preço do petróleo, por exemplo, também afetaram a Azul por ser este o principal combustível das aeronaves. Quanto mais alto o preço do petróleo, maior o impacto na receita. Toda essa vulnerabilidade fez com que as ações da Azul recuassem mais de 65% no acumulado do ano, a segunda maior queda do Ibovespa.

Segundo Ruiz, a companhia tem um modelo muito arriscado e sua recuperação deve demorar mais do que a da concorrente Gol (GOLL4), pela incerteza das suas operações.

Recentemente, as companhias aéreas revelaram uma queda de 85% nas viagens corporativas na pandemia, em relação a 2019. Os preços das passagens de avião caíram 4,15% até o momento. A Azul encerrou o segundo trimestre de 2020 com R$ 2,3 bilhões em caixa e afirmou que sua posição de liquidez é robusta e deve melhorar até 2021.

Mas, para Ruiz, esse caixa robusto não deve mudar em nada a frágil situação da companhia. Antes de se recuperar, ela ainda deve lidar com outros desafios. Entre eles, o rebaixamento de sua nota de crédito pela S&P de B para CCC+. Com isso, a grande preocupação do mercado é que a aérea precise de uma reestruturação de dívida.

Outro grande problema é a ajuda do BNDES oferecida às aéreas. Segundo Ruiz, tudo indica que a ajuda deve chegar às empresas apenas em setembro.

3 – Embraer (EMBR3)

A terceira ação para manter distância na visão dos especialistas é a da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3), companhia que já desvalorizou mais de 60% em 2020 e que também sofre os impactos da pandemia do setor aéreo. A Embraer tem dois problemas fortes: a demanda por seus produto e a quebra do “namoro” com a Boeing. No segundo trimestre de 2020, a entrega de aeronaves caiu 67% na comparação com o mesmo período em 2019.

O segundo problema foi a quebra do acordo com a Boeing. Em 2019, as ações da Embraer passaram a ser muito procuradas pelos investidores por causa de um anúncio de que o acordo com a Boeing garantiria a distribuição de um dividendo muito representativo. “Na época, a Embraer chegou a valer R$ 18, mas isso acabou”, explica Ruiz. Na segunda-feira (3) as ações da companhia fecharam cotadas a R$ 7,66.

Ruiz avalia que, hoje, a Embraer depende de três segmentos para fazer a companhia andar: aviação comercial, jatos regionais e a unidade de negócios que era parceira da Boeing. Destes, ele acredita que a aviação comercial ainda é um ativo muito estratégico para Embraer.

Gigantes como Airbus vão ter que se associar para manter a competitividade”, defende. Com isso, a Embraer poderia ser beneficiada. Outra alternativa é que a companhia receba apoio do governo ou até mesmo revise seu portfólio para encontrar formas de atuar ou fornecer em novos segmentos. “O ponto chave da recuperação da Embraer é a aviação comercial”, defende Ruiz.

4 – Time for Fun (SHOW3)

A quarta ação apontada como “mico” da bolsa é tão incerta quanto seu ramo de atividade. Com a pandemia, o segmento de eventos e entretenimento foi atingido em cheio. E o futuro ninguém sabe porque é muito difícil entender o consumidor que por sinal mudou bastante.

Falamos da Time for Fun (SHOW3), que cai quase 55% no acumulado de 2020. Provavelmente você já ouviu falar do festival Lollapalooza, evento organizado pela empresa e que foi adiado para dezembro e pode ser remarcado novamente.

Baroni explica que o futuro para o setor é nebuloso. Com o distanciamento social, muitos consumidores mudaram de hábitos. Um exemplo são alguns shows dentro do Allianz Park, onde as pessoas entraram de carro para assistir a espetáculos. “O problema não foi adiar o Lollapalooza, e sim que o setor de eventos não é essencial e pode ser cortado do orçamento de uma pessoa na primeira oportunidade”, explica.

Segundo Baroni, a companhia já não estava bem das pernas em 2019, entrou mal em 2020 e foi atingida em cheio pela pandemia. Isso a torna um alvo fácil de ser eliminado. “A queda é duradora e não vai acabar rápido”, adverte.

5 – CVC Brasil (CVCB3)

Especialistas defendem que a agência de viagens e turismo CVC Brasil (CVCB3) é uma companhia boa em um setor ruim. Apesar de ser a líder do segmento e ter feito aquisições importantes nos últimos anos, nada muda o fato de que o setor de turismo é instável e exposto a crises como a que vivemos agora.

Baroni explica que, no passado, a líder do turismo era recomendada pelo pagamento de dividendos, mas com a pandemia as ações da CVC ficaram comprometidas, recuando mais de 50% em 2020.

Além do impacto da crise no setor, a companhia também passou por problemas de contabilidade, especialmente nos seus balanços. Isso fez com que a CVC adiasse novamente a divulgação do balanço anual de 2019 e os resultados do 1º trimestre, agora programados para 31 de agosto.

A CVC é uma das poucas empresas que ainda estão enroladas com a demonstração de resultados, o que, para Ruiz, é sintoma de um grande problema interno. Ele também conclui que nada é certo para as empresas turísticas e que talvez a saída seja procurar parcerias com outras empresas e setores para sobreviver aos novos padrões de negócios.

Embora a CVC seja líder do setor, por ser um ramo não perene, Ruiz recomenda cautela na hora de investir e revisar sempre a história de grandes companhias brasileiras. Segundo ele, liderança não é garantia de sobrevivência. “Setores como estes não vão sumir, mas as empresas podem acabar”, explica. Prova disso seriam as extintas companhias do setor aéreo como Varig, Vasp e TransBrasil, muitas delas antigas líderes de mercado e que hoje não existem mais. “Daqui a 15 anos, outras companhias nestes setores serão as líderes”, conclui.

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