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Finanças

Analistas apontam 3 formas de se proteger do sobe e desce do mercado

Especialistas ouvidos pelo InvestNews avaliam que, apesar da turbulência, não é hora de vender ativos.

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em

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Taís Laporta, Katherine Rivas, Fabiana Ortega e Erica Martin
Conjunto de moedas em ordem decrescente de tamanho


A crise que derrubou os mercados esta semana deixou boa parte dos investidores apreensivos. No entanto, analistas consultados pelo InvestNews avaliam que, apesar da turbulência nos ativos, não é hora de entrar em pânico. Eles recomendam três pilares para se proteger da forte volatilidade: focar no longo prazo, diversificar a carteira e procurar ativos dolarizados.

Nesta sexta-feira (22), o Ibovespa chegou a despencar 4% e o dólar atingiu R$ 5,75 após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter pedido “licença” para gastar além do teto fiscal, o que culminou na demissão de membros de sua equipe. Contudo, a bolsa reduziu as perdas durante a tarde, após Guedes discursar ao lado do presidente Jair Bolsonaro, reafirmando sua intenção, ao dizer que detesta furar o teto de gastos, mas que não precisa tirar [nota] 10 em [política] fiscal. 

‘Licença’ para gastar além do teto

Dias atrás, Guedes usou a expressão “waiver”, muito utilizada no mercado financeiro, como uma forma de pedir “licença” para descumprir uma exigência. O waiver é comum, por exemplo, quando o FMI (Fundo Monetário Internacional) concede o “perdão” a um país por não ter pago uma dívida em atraso.

No caso, o “waiver” de Guedes é o teto de gastos criado durante a gestão do ex-presidente Michel Temer. A regra proíbe que o setor público tenha despesas crescendo acima da inflação. Os gastos do governo, estimados em “pouco mais de R$ 30 bilhões”, ficariam de fora desse teto para poder viabilizar o pagamento do Auxílio Brasil, benefício que deve substituir o Bolsa Família, anunciado esta semana a partir de novembro, no valor mínimo de R$ 400.

O mercado reagiu mal à fala de Guedes. A leitura foi de que o governo admitiu não ter recursos para bancar o programa social, mas preferiu abandonar o compromisso fiscal, que era o principal voto de confiança concedido pelos investidores ao ministro. Com o teto praticamente abandonado, cresceram os temores sobre o descontrole das contas públicas.

“Quando se faz alteração no teto de gastos, a percepção do investidor é que as regras mudaram no meio do jogo, provocando desconfiança”, afirma Felipe Fernandes, chefe de análise da Flip Investimentos.

Daniela Schulz, especialista em investimentos e head de mercado de capitais da Eu Me Banco, acrescenta que o risco fiscal e a questão política do país já estavam na conta do mercado com a proximidade maior das eleições presidenciais de 2022. Ela não nega que o estouro do teto de gastos teria efeitos muito negativos para o país. “Pode ter fuga de capital e o país vai perdendo a credibilidade e confiança dos investidores, além de aumenta o risco de crédito ”. 

Diante deste cenário, como fica a situação do investidor? Veja abaixo o que pensam analistas ouvidos pela reportagem.

Queda dos mercados: o que fazer?

Parte do mercado passou a apostar que, com a crise acentuada desta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode acelerar o ritmo de alta da taxa Selic em sua próxima reunião, já na próxima quarta-feira (27). JPMorgan Chase & Co, Morgan Stanley e Credit Suisse agora estão prevendo aumento de 125 pontos-base, o que levaria os juros a 7,5% ao ano. O UBS está mirando 150 pontos-base. 

Nesta sexta-feira, enquanto o Ibovespa caía cerca de 4%, ações ligadas a exportações de commodities se isolaram entre as altas da sessão. Na outra ponta, papéis de empresas baseadas em expansão acelerada lideraram perdas, como bancos digitais e comércio eletrônico. Em relatório, a Levante Investimentos recomendou “monitorar ações de empresas sólidas, rentáveis e com ‘track record’ comprovado de superação de momentos de crise”, indicando evitar estatais e consumo doméstico.

Para analistas consultados, o melhor que o investidor pode fazer quando o mercado está volátil é manter a calma. Felipe Fernandes, chefe de análise da Flip Investimentos, recomenda não mexer na carteira de investimentos em momentos de forte volatilidade. “É nessa hora que o investidor toma as piores decisões”, diz. Para ele, não se deve comprar ou vender ações. “Temos várias empresas em patamares bem interessantes, mas não tomaria nenhuma decisão agora”, diz.

José Falcão, analista do Nu invest, explica que se o teto de gastos for quebrado, o país vai emitir mais dívida e os indicadores devem piorar, mas o país não vai quebrar e nada muda em relação às recomendações de investimentos. “Uma carteira diversificada já envolve proteções e mantém ativos de risco visando longo prazo e, neste momento, em preços mais atrativos”. 

Já para Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos, o máximo que o investidor pode fazer agora é verificar se faz sentido continuar aportando mensalmente em suas ações e, caso a ação que compõe o portfólio perca os fundamentos, aí se desfazer do papel”, afirma. 

Ele acrescenta que, se os fundamentos da empresa estão mantidos, as divergências econômicas no curto prazo, se vai ou não furar os teto de gastos, são apenas ruídos. “A pior coisa que o investidor pode fazer agora é entrar na onda do desespero e se desfazer de ações que fazem sentido para ele no longo prazo”.

Como proteger a carteira do risco político

Juan Espinhel, especialista de investimentos da Ivest Consultoria, reforça que uma carteira diversificada nesse momento é a melhor saída para quem está no turbilhão, mas é preciso avaliar se, por exemplo, uma carteira de ações tem papéis do mesmo setor e se as ações estão expostas ao mesmo tipo de risco.

“Essas crises de certa forma afetam o mercado como um todo, mas se você tem sua carteira dividida em empresas com exposições diferentes, tende a se proteger um pouco mais”, reforça Espinhel. Ela também alerta para o investidor não tomar decisões precipitadas em momentos de turbulência. 

“O cenário mudou muito rápido e aquele investidor que se desfez da carteira na pressa provavelmente vendeu com o Ibovespa caindo a 4%. Se esperasse 40 minutos, teria um cenário melhor”, alerta.

O especialista da Invest Consultoria alerta que uma diversificação inteligente na carteira não significa necessariamente sair de ações e ir direto para a renda fixa, porque a curva de juros subiu e isso afetou títulos públicos como Tesouro IPCA+. “Teve marcação a mercado para quem já tinha esse tipo de título”. Para quem carrega o papel até o vencimento, nada muda na rentabilidade combinada.

É hora de procurar dólar?

Daniela Schulz, especialista em investimentos e head de mercado de capitais da Eu Me Banco, reforça que ao colocar na carteira ativos em dólar, o investidor consegue protegê-la, pois ela tem essa correlação negativa com o Ibovespa. “Geralmente, quando a bolsa cai, o dólar sobe e o investidor consegue proteger a carteira”.

Espinhel, da Invest Consultoria, também aponta a dolarização da carteira como estratégia de proteção. Além de uma boa diversificação no cenário local, ele cita investimentos como ETFs. “Na bolsa brasileira consegue comprar, por exemplo, XINA11, IVVB11, EURP11, que trazem o fator cambial e ainda têm expõem um risco diferente”.

Segundo Fernandes, da Flip, outra forma de dolarizar a carteira é investir em BDRs (recibos de ações listadas no exterior), seja comprando dólar ou com investimentos no exterior, especificamente. “São as boas empresas do exterior que acabam sofrendo menos. Se você for olhar, BDRs são os ativos que estão no azul junto com dólar, protegendo nossas carteiras já diversificadas”.

Daniela Schulz, da Eu Me Banco, concorda que em momentos de estresse, não é hora de vender os ativos. Pelo contrário. “Existem boas oportunidades em ativos que estão descontados muito por causa dessa oscilação de risco fiscal. Se já havia um ativo que o investidor vinha analisando, agora é hora de entrar nesta oportunidade”, avalia.


Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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