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Finanças

Saiba por que o balanço da Petrobras animou os investidores

Lucro líquido da estatal superou as expectativas do mercado em mais de 90%

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Fachada de prédio da Petrobras no Rio de Janeiro
Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil. 09/03/2020 REUTERS/Sergio Moraes

O balanço reportado na noite de ontem pela Petrobras (PETR3, PETR4) animou os investidores no pregão desta quinta-feira (5). As ações preferenciais da estatal encerraram com valorização de 7,88% na B3, negociadas a R$ 28,35. O preço do papel oscilou entre R$ 28,06 e R$ 28,98, com volume financeiro de R$ 6 bilhões, montante três vezes maior em relação aos R$ 2 bilhões do pregão da véspera.

Os recibos de ações da empresa brasileira, negociados na bolsa de Nova York, também terminaram com ganhos de 9,21%, cotados a R$ 11,27. Ontem, imediatamente após a divulgação dos resultados, os papéis da companhia chegaram a avançar mais de 14% no pós-mercado.

Esse efeito positivo ocorre porque os números da companhia, referentes aos resultados financeiros do segundo trimestre de 2021, vieram acima do projetado pelas principais casas de investimentos, que, por sinal, já demonstravam otimismo.

O lucro líquido da Petrobras somou R$ 42,8 bilhões – ou R$ 40,7 bilhões (já desconsiderando efeitos não recorrentes como impairment e ganhos fiscais) – o que superou as expectativas do mercado em mais de 90%, segundo informações levantadas pela Eleven. Já o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) recorrente de R$ 60 bilhões ficou 20,7% acima dos números estimados.

O Safra, por exemplo, projetava ganhos de R$ 20,9 bilhões, o que representa metade do valor efetivamente contabilizado pela companhia, enquanto o Ebitda superou em 18% as projeções da casa.

“Com a maior diferença no negócio de refino, pois subestimamos o efeito do giro de estoque e superestimamos as despesas operacionais”, informou o Safra em relatório. O banco manteve classificação de compra para os papéis preferenciais da companhia com preço-alvo em R$ 38.

Quem também estimou um lucro abaixo do reportado foi o Goldman Sachs, que aguardava um montante de R$ 16,8 bilhões para a última linha do balanço, diferença de 142,6% ante o valor divulgado, e R$ 50,6 bilhões de Ebitda recorrente, quantia 18,57% menor ao informado pela Petrobras. O banco manteve recomendação neutra para os papéis da empresa, com preço-alvo em R$ 27,50.

O Bank of America (BofA) também projetava lucro de R$ 17 bilhões – uma variaçao de 151% ante o valor informado pela estatal. Ao manter classificação de compra para os papéis da petroleira, o analista Frank McGann disse em relatório esperar resultados operacionais sólidos e contínuos para a empresa. “Como resultado de um ambiente de preços favorável e melhoria da eficiência à medida que a empresa continua a simplificar seu portfólio”, disse ao manter preço-alvo em R$ 37,50 por papel.

Felipe Ruppenthal e Lucas Chaves, analistas da Eleven, também informaram em relatório que a Petrobras reduziu sua alavancagem para 1,49 vezes a relação da dívida líquida e o Ebitda, sendo que a dívida bruta ficou em US$ 63,7 bilhões, valor próximo à meta de US$ 60 bilhões para 2022. “Diante de bons resultados e boa eficiência no trimestre, reiteramos recomendação de compra para a companhia e acreditamos em um segundo semestre ainda forte sustentado por preços e melhora operacional”. A Eleven manteve preço-alvo de R$ 34 para os papéis preferenciais.

Em relatório, Luis Sales, analista da Guide também considerou positivo o balanço reportado pela estatal. Ele informou que o resultado da Petrobras é fruto da política de redução do endividamento e da melhoria de alocação do capital da companhia, permitindo que a estatal “concentre cada vez mais os seus recursos em ativos de classe mundial em águas profundas e ultra-profundas que a empresa tem realizado desde o mandato de Castello Branco”.

Por outro lado, as casas de investimentos sinalizaram alguns riscos associados à Petrobras: como a aproximação das eleições de 2022 (o que pode mudar os rumos da gestão da companhia e levar a uma ingerência política); possível greve de caminhoneiros; queda ou avanço do preço do petróleo Brent acima das expectativas e riscos em torno da implementação da política de preços de combustíveis da companhia.

Dividendos

O que também empolgou os investidores foi o fato de a companhia anunciar a antecipação do pagamento de dividendos no montante de R$ 31,6 bilhões (US$ 6 bilhões)

Bruno Amorim e João Frizo, analistas do Goldman, mencionaram em relatório que a antecipação do provento seria muito bem recebida pelo mercado. Até porque, embora já existisse uma expectativa por dividendos mais altos distribuidos pela companhia, a notícia representou uma antecipação na programação – o Goldman aguardava um aumento significativo dos dividendos só em 2022. “O pagamentos extraordinários consideram os resultados esperados da empresa e a geração de caixa para 2021. Além disso, a Petrobras cita que os pagamentos são compatíveis com a sustentabilidade financeira da empresa e não comprometem sua trajetória de redução da dívida e liquidez”, informou a dupla.

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