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Finanças

Top 10: As melhores e piores ações do mês de julho

Quem ocupa o topo da lista das mais valorizadas é o frigorífico JBS (JBSS3) com alta de 10,27%, impactado pelos bons resultados obtidos fora do país.

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Cortes de carne bovina em frigorífico em Santana de Parnaíba (SP) 19/12/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

O mês de julho termina conturbado para o mercado financeiro em meio às falas do presidente Jair Bolsonaro sobre uma eventual manutenção do auxílio emergencial; o aumento do Bolsa Família e os balanços das companhias.

Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, caiu 2,63% nesta sexta-feira, aos 122.372 pontos – somente cinco empresas encerraram o pregão em alta. É a maior queda desde o dia 8 de março, quando o índice recuou 3,98%. No mês, a desvalorização chega a 3,94%. Veja mais cotações hoje.

Mas como as ações do Ibovespa se comportaram ao longo dos últimos 30 dias? O Investnews separou a lista das 10 companhias que tiveram a melhor e a pior performance no mês. Veja quais são.

Melhor performance

As ações de empresas ligadas ao segmento de commodities, especialmente as siderúrgicas, rechearam a lista das 10 mais valorizadas no mês. Os papéis da Usiminas (USIM5) avançaram 7,07%, enquanto os da CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) registraram ganhos de 6,5% e 4,02%, respectivamente.

“Esses papéis foram beneficiados pelo patamar elevado do preço das commodities, o que ajudou bastante na geração de caixa e na rentabilidade das empresas”, explica Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos.

O que também contribuiu para a boa performance foram as prévias dos bancos de investimentos, com estimativas positivas para o setor no segundo trimestre de 2021, além dos números financeiros fortes já reportados por Usiminas e CSN.

A Usiminas (USIM5) registrou um lucro líquido de R$ 4,5 bilhões (recorde trimestral) entre abril de junho deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 395 milhões reportado um ano antes, enquanto os ganhos da CSN (CSNA3) saltaram de R$ 446 milhões no segundo trimestre de 2020, para R$ 5,51 bilhões.

Mas quem ocupa o topo da lista das mais valorizadas é o frigorífico JBS (JBSS3) com alta de 10,27%, impactado pelos bons resultados obtidos fora do país. “A companhia tem se beneficiado bastante das operações nos Estados Unidos, onde houve uma retomada sólida do consumo de carne”, comenta Bruno Komura.

Por outro lado, o especialista reitera que as operações no Brasil não devem ter o mesmo destino. “O consumo de carne no país está baixo e deve ficar nesse patamar enquanto não houver uma conjuntura que permita o reaquecimento da economia”.  

Na sequência aparece a Cia Hering (HGTX3), com valorização de 9,03% no mês, ainda impactada pelo anúncio de aquisição do Grupo Soma (SOMA3), que vai pagar R$ 5,1 bilhões pela empresa. “Enquanto a Hering tem toda uma expertise na confecção, o Grupo Soma tem na distribuição e na utilização dos canais de venda, com isso os negócios se complementam, o que pode gerar valor aos acionistas”, diz o especialista da Ouro Preto.

De acordo com Gabriela Cortez Joubert, analista do banco Inter, outro ponto a favor da companhia é o cenário mais otimista para o comércio.  “O avanço da vacinação ajuda a criar percepção de que em pouco tempo as empresas irão retomar níveis de vendas, principalmente as que mais sofreram com a pandemia, como é caso da Hering, que é bastante forte no varejo físico”.

A Rumo (RAIL3) é outra empresa que contempla a lista das maiores altas, com ganhos de 7,99% no mês. O projeto em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, é o que tem feito a empresa decolar, na visão dos especialistas.

Nesta semana, o governo do Estado de Mato Grosso inicou o processo de audiência pública para a construção de uma nova ferrovia ligando os municípios de Rondonópolis a Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde e que deve ser operado pela companhia. “Vemos o anúncio como positivo para a Rumo, pois mostra o forte comprometimento das autoridades estaduais com o plano de expansão da rede da empresa para Lucas do Rio Verde”, afirmou o Bank of America (BofA) em relatório.

Quem também se destacou em julho foi a Weg (WEGE3), fabricante de motores, com alta de 5,82%. A empresa reportou lucro líquido de R$ 1,13 bilhão entre abril a junho, o dobro dos R$ 514 milhões registrado um ano antes. “O ciclo longo, que envolve aqueles projetos mais longos, como os de geração eólica, ajudou bastante na resiliência da empresa, que tem também um potencial enorme no segmento de motores menores, como os usados em eletrodomésticos, por exemplo, diante de uma retomada da economia”, avaliou o estrategista da Ouro Preto.

No mesmo barco estão BR Distribuidora (BRDT3), com alta de 6,22%, e Cosan (CSAN3),com avanço de 7,1%. Segundo Gabriela Joubart, um dos motivos que afetou positivamente essas companhias foi a elevação do preço do petróleo. “Com retomada da mobilidade, o consumo de petróleo se elevou. Além disso, os estoques baixos nos Estados Unidos ajudaram a segurar o preço do petróleo lá em cima, o que acabou beneficiando todas as empresas da cadeia”.

O que também contribuiu para subida das ações da Cosan, segundo o especialista da Ouro Preto, foi o anúncio feito pela Compass, empresa de gás e energia que pertence a Cosan, de aquisição da fatia de 51% da Petrobras na Gaspetro, holding que detém participações em 19 distribuidoras de gás canalizado no Brasil. O valor do investimento para a compra do ativo é de R$ 2,03 bilhões. “O mercado interpretou isso como positivo, o que impactou nos papéis da Cosan”.

Pior performance

Na outra ponta da lista, com as piores performances, estão Lojas Americanas (AMER3 e LAME4), com desvalorização de 25,58% e 20,27%, respectivamente.

Segundo o especialista da Ouro Preto, a mudança na estrutura societária, finalizado no mês de julho, corroborou com essa desvalorização. Em abril, Lojas Americanas e B2W aprovaram a fusão das operações.

Por isso, desde o dia 19 de julho, as ações da B2W (BTOW3), que agora tem o nome de americanas s.a., passaram a ser negociadas sob o ticker AMER3. Nesta mesma data, as ações da Lojas Americanas (LAME3LAME4) passaram a ser negociadas ex-cisão em papéis da B2W.

“Pode ser que alguns investidores da B2W tenham vendido o papel AMER3 e se posicionado em outros que têm exposição maior ao e-commerce e que possam ter mais atrativos. Mas acaba não explicando essa queda tão expressiva, como um movimento até irracional, após a união de duas empresas”, explicou o especialista da Ouro Preto.

No mesmo segmento, a Via Varejo (VVAR3) caiu 19,63%, o que pode estar relacionado a realização de lucros. “No mês passado a empresa subiu muito”, explicou Gabriela do banco Inter.

O estrategista da Ouro Preto afirma que somado a essa correção da valorização estão as preocupações em torno das novas variantes da covid-19.

Quem também apresentou uma perfomance ruim na bolsa de valores foi o GPA (PCAR3) que divulgou seus resultados trimestrais nesta semana. A companhia teve lucro líquido consolidado de R$ 4 milhões no período, queda de 95,9% ante um ano antes, resultado justificado pelas restrições de funcionamento dos estabelecimentos para conter a pandemia.

“O lucro dessas empresas acaba sendo prejudicado, porque há uma inflação alta que pressiona os custos, mas que a companhia não consegue repassar, porque a conjuntura, com alto nível de desempregado e uma economia que não está numa recuperação sólida, não permite”, reitera o especialista da Ouro Preto.

Os papéis de educação também registraram as principais perdas do Ibovespa, com Cogna (COGN3) e YDUQS (YDUQ3) com recuos de 15,94% e 15,04%, respectivamente.

“A perspectiva de retomada das aulas presenciais não fica tão clara e os papéis continuam sofrendo. Houve uma certa animação por conta da vacinação, mas as preocupações com a variante delta estão colocando em cheque a velocidade da retomada, o que acaba penalizando o setor de educação”.

Quem também sofre com as indefinições da crise da covid-19 são as empresas ligadas ao turismo, como é o caso da CVC (CVCB3), que fechou o mês de julho com perdas de 19,66%. Segundo o estrategista da Ouro Preto, é bem provável que, apesar de alguns dias de alta, o cenário de queda só seja revertido quando houver uma clareza maior sobre o rtimo da doença, após a vacinação. “As preocupações em torno da variante delta tem prejudicado as ações do setor ao aumentarem a insegurança em relação a retomada do segmento”.

A construtora MRV & Co (MRVE3), que atua no segmento de baixa renda, também fechou o mês com recuo de 11,7% . “No curto prazo a companhia tem sofrido mais, especificamente pelos aumentos de custos ligados ao setor de construção que ficam difícieis de serem repassados, dado que o cliente da MRV tem sofrido muito com a pandemia, diferente do que ocorre com o segmento de alta renda”, esclarece Bruno Komura.

Na visão do especialista, no longo prazo a companhia poderá se beneficiar com o ainda alto déficit habitacional do país, mas no curto prazo as ações da empresa devem ficar próximo a estabilidade ou manter a queda.

Ações com a melhor performance

JBSS3   10,27%
HGTX3   9,03%
RAIL3   7,99%
CSAN3   7,1 %
USIM5   7,07%
CSNA3   6,5%
BRDT3   6,22%
WEGE3   5,82%
HYPE3   4,11%
GGBR4   4,02%

Ações com a pior performance

AMER3   -25,58%
LAME4   -20,27%
PCAR3   -19,81%
CVCB3   -19,66%
VVAR3   -19,63%
COGN3   -15,94%
YDUQ3   -15,04%
SULA11   -13,74%
MRVE3   -11,7%
EZTC3   -11,6%

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