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Economia

Renda do trabalho no Brasil tem maior queda em 8 anos em 2020

O total de pessoas com rendimento de trabalho caiu em 8,1 milhões.

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Homem mostra carteira de trabalho enquanto procura por oportunidades de emprego no centro de São Paulo. 06/10/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

A participação da renda do trabalho no Brasil no total de rendimentos registrou a maior queda em oito anos e registrou o menor patamar da série histórica em 2020, quando quase um quarto das residências do país recebeu um benefício social no primeiro ano da pandemia de covid-19.

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram ainda que pela primeira vez em uma região do Brasil, o Nordeste, a renda do trabalho perdeu para demais rendimentos — que incluem ajuda social.

O número de pessoas que receberam outros rendimentos saltou de 16,4 milhões em 2019, ou 7,8% da população, para 30,2 milhões, o que representa 14,3% da população.

Por outro lado, o total de pessoas com rendimento de trabalho caiu em 8,1 milhões, passando de 92,8 milhões para 84,7 milhões, ou de 44,3% para 40,1% da população, na maior queda percentual desde o início em 2012 da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), atingindo ainda o nível mais baixo.

“No ano passado o mercado de trabalho foi um problema por conta da pandemia, e o auxílio emergencial foi um colchão que segurou a renda das outras fontes”, disse a analista do IBGE Alessandra Saraiva.

De acordo com o IBGE, entre 2019 e 2020 o auxílio emergencial e o desemprego mudaram o perfil do rendimento domiciliar. No ano passado, a proporção de domicílios com pessoas recebendo outros programas sociais saltou de 0,7% para 23,7%.

Houve aumento em todas as regiões. Os destaques foram os Estados do Norte e do Nordeste, onde a população foi profundamente impactada pelo desemprego.

No Norte, a parcela de pessoas que recebia ajuda social subiu de 0,5% em 2019 para 32,2% em 2020, enquanto no Nordeste a proporção saltou de 0,8% para 34,0%.

“O mercado de trabalho sofreu com quarentena e restrições. As pessoas perderam emprego, especialmente com carteira de trabalho. Com menos gente tendo renda do trabalho, que é historicamente o mais importante e o que segura a renda, o auxílio emergencial evitou um estrago maior e mais grave”, explicou Saraiva.

Por outro lado, caiu a proporção de domicílios que recebiam o Bolsa Família no Brasil de 14,3% para 7,2%, uma vez que parte dos beneficiários passou a receber o auxílio emergencial. 

O Nordeste foi a primeira grande região do país desde o início da pesquisa em 2012 a registrar um percentual de pessoas com rendimento de trabalho (32,3%) inferior ao das pessoas que recebiam rendimento de outras fontes (32,8%).

Ainda segundo o IBGE, o rendimento médio real de todas as fontes caiu 3,4%, passando de 2.292 reais em 2019 para 2.213 reais em 2020. O rendimento de outras fontes caiu 15,4%, baixando ao menor valor –1.295 reais– desde 2012. 

Em 2020, o total de 1% das pessoas melhor remuneradas, com rendimento médio domiciliar per capita de 15.816 reais, recebiam 34,9 vezes o rendimento dos 50% com os menores rendimentos (rendimento médio de 453 reais). Em 2019, esta proporção havia chegado a 40 vezes, maior valor da série.

O índice de Gini, que mede a desigualdade social, do rendimento médio domiciliar per capita passou de 0,544 em 2019 para 0,524 em 2020. O Nordeste manteve o maior Gini em 2020 (0,526), e o Sul, o menor (0,457).

Entre 2019 e 2020, o Gini caiu em todas as regiões, sobretudo no Norte e Nordeste, onde o auxílio emergencial atingiu maior proporção de domicílios.

O Gini é um parâmetro internacional que mede a concentração de renda e o nível de desigualdade de um país. Quanto menor o índice, menos desigual é o país.

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