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Finanças

Bolsa volta aos 96 mil pontos com 2ª onda na Europa e denúncias contra bancos

Este foi o menor patamar do Ibovespa desde o dia 3 de julho; dólar sobe

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InvestNews
Investimentos

Novamente o mercado financeiro precificou a contaminação por covid-19. Desta vez foi a segunda onda na Europa que puxou as bolsas no mundo para a queda. A notícia de que o Reino Unido está considerando fazer um novo lockdown pelo aumento de novos casos do coronavírus alarmou os investidores. Nesta segunda-feira (21), o Ibovespa fechou em queda de 1,32% aos 96.990 pontos. Este foi o menor patamar do índice desde 3 de julho, quando o pregão encerrou nos 96.764,85 pontos. No mês de setembro, o Ibovespa acumula perda de 2,39%.

Além da segunda onda contribuiu também para a queda do índice o escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveu grandes bancos, entre estes Deutsche Bank, HSBC, Standard Chartered e JPMorgan. As bolsas americanas também recuaram, Dow Jones caiu 1,84%, enquanto os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda de 1,16% e 0,13%, respectivamente.

O dólar subiu em meio a cautela global. O dólar comercial fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,40. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$5,4841.

As ações de commodities foram fortemente prejudicadas. Os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam em queda de 3,01% e 3,46%. Estas seguiram a queda do petróleo que acumulou perdas de quase 4%. O cenário conturbado acarretou em aumento na demanda pela segurança do dólar, que se fortaleceu e, em consequência, pressionou as cotações de commodities.

O petróleo WTI para novembro fechou em baixa de 4,31%, em US$ 39,54 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês recuou 3,96%, a US$ 41,44 o barril.

A Vale (VALE3) também fechou em baixa de 2,69%. O minério de ferro, negociado no porto chinês de Qindgao, recuou 4,07%, a US$ 119.82 a tonelada.

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Destaques da Bolsa

Entre os destaques negativos do dia, as companhias aéreas puxaram as perdas. O setor foi um dos mais afetados pela pandemia e vive um terceiro trimestre marcado pela dificuldade. Entre renegociações de entregas, débitos trabalhistas e dívidas com credores que estão apertando cada vez mais as companhias. A maior queda do dia foi da Gol (GOLL4) que desvalorizou 8,46%, seguida da Azul (AZUL4) e Embraer (EMBR3) com baixa de 7,80% e 4,79%, respectivamente.

Nos destaques positivos do dia o setor de varejo se fez presente, especialmente em companhias com olhar para a economia doméstica. B2W (BTOW3) avançou 4,01%, maior alta do dia, além de Magazine Luiza (MGLU3), com valorização de 1,77%.

Subiu também SulAmérica (SULA11) com ganhos de 2,86%. O JPMorgan elevou recomendação da ação para overweigth, com preço-alvo de R$ 54.

Ainda entre as maiores altas a Weg (WEGE3) avançou 2,27%.

Bolsas americanas

A segunda-feira foi marcada por forte aversão ao risco, as bolsas de Nova York tiveram queda. A nova onda de coronavírus na Europa e o cenário político conturbado nos EUA levaram à incerteza e consequente fuga de ativos de maior risco. Investidores ainda repercutiram reportagem do BuzzFeed News sobre transações suspeitas de grandes bancos, o que afetou o setor financeiro, em sessão também marcada pelas quedas consideráveis no setor aéreo e de energia.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 1,84%, em 27.147,70 pontos. O S&P 500 recuou 1,16%, a 3.281,06 pontos, e o Nasdaq caiu 0,13%, a 10.778,80 pontos.

O BBH aponta que os mercados estão começando a semana com aversão a risco, e que “é difícil apontar para uma única causa, pois existem muitos riscos se formando”. Algumas das questões estão presentes há semanas, ou mesmo meses, “mas a confluência de tantos fatores negativos foi demais para os mercados de ações ignorarem”, avalia o banco.

Há cautela por conta da deterioração do ambiente político em Washington, em meio ao debate sobre a sucessão da juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg, que morreu na última sexta-feira. A Capital Economics avalia que “as preocupações de que não haja mais estímulos neste ano podem ser parte do motivo pelo qual o S&P 500 caiu um pouco mais de 2% hoje, embora o aumento dos casos de coronavírus em muitas economias europeias também seja um fator”.

Hoje, houve forte impacto nas ações de bancos americanos provocado por denúncias de atividade ilegal de grandes instituições financeiras europeias e americanas envolvendo US$ 2 trilhões entre 1999 e 2017. A ação do Goldman Sachs caiu 0,99%, acompanhada por JPMorgan (-3,19%), Bank Of America (-3,35%) e Citigroup (-2,90%), alguns deles citados nas denúncias veiculadas pela imprensa.

As ações de energia tiveram uma das maiores quedas, em dia marcado pela forte baixa do petróleo. Além da incerteza que afetou todo o mercado global, o setor de hidrocarbonetos foi influenciado pela notícia da retomada de parte da exploração petrolífera na Líbia. Em Nova York e Londres, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixas próximas a 4%. As ações da Exxon Mobil recuaram 2,58%, e as da Chevron, 4,07%.

O setor aéreo está fortemente sujeito às incertezas geradas pela covid-19, e o aumento de casos da doença na Europa levou a um dia de fortes quedas nas ações. A Delta Air Lines recuou 9,94%, enquanto a United Airlines registrou baixa de 8,60%

Já o Nasdaq reduziu suas perdas mais para o fim da sessão, guiado pelos bons resultados de algumas empresas de tecnologia, sobretudo, e também de serviços de comunicação. Às 10h37 (horário de Brasília), por exemplo, o índice perdia 1,82%, mas fechou perto da estabilidade. As ações da Apple se valorizaram 3,03%, após o Citigroup elevar o preço-alvo do papel. Netflix teve alta de 3,70% e Microsoft subiu 1,07%.

*Com Estadão Conteúdo

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