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Finanças

Ibovespa e dólar fecham em queda após comunicado do Fed

Mercado também monitora preocupações sobre crise bancária nos EUA.

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O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou em queda nesta quarta-feira (3), assim como o dólar, após o comunicado do Federal Reserve (Fed) que elevou a taxa de juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual.

No dia, o Ibovespa caiu 0,13%, aos 101.797 pontos. O dólar caiu 1,08%, a R$ 4,9919.

O Fed anunciou em um comunicado de tom mais brando que decidiu elevar a taxa de juros mais uma vez em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 5% a 5,25%. O ajuste veio de acordo com a expectativa da maior parte do mercado.

O aumento vem em um cenário de inflação ainda longe da meta (5% em 12 meses até março, contra o propósito de 2%), embora as recentes crises de liquidez entre alguns bancos do país tenham levantado a discussão sobre uma possível pausa no ciclo de alta de juros.

“O comunicado não trouxe menção explícita sobre intenção de pausa, mas houve a exclusão da frase que dizia que se antecipava como apropriado aperto adicional. Essa mudança combina com um comitê que se vê mais próximo à parada do que num processo contínuo de ajuste”.

Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital.

“Se a comunicação oficial fosse composta exclusivamente pelo texto divulgado ficaria bem aberta a possibilidade de que um ciclo de baixa de juro poderia começar muito em breve”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

‘Super quarta’ ainda tem Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta sua decisão de política monetária, com o mercado esperando manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano pela sexta vez. 

Segundo dados da B3 sobre contratos de opção de Copom, considerando a expectativa do mercado, a probabilidade de manutenção da taxa Selic é de 96,5%. Também é vislumbrada uma possibilidade de queda de 0,25 ponto, mas a probabilidade é bem menor, de apenas 2,5%.

Bancos nos EUA no radar

Unidade do First Republic Bank em São Franscisco (EUA) 01/05/2023 REUTERS/Hyun Joo Jin

As ações de bancos norte-americanos de médio porte caíam, com o PacWest Bancorp e Western Alliance Bank estendendo perdas do início desta semana após o colapso de uma terceira grande instituição financeira regional em dois meses.

A intervenção dos EUA sobre o First Republic Bank e sua venda para o JPMorgan Chase na segunda-feira (1º) trouxe a turbulência do setor bancário de volta à tona e provocou uma liquidação de ações no setor com investidores temendo qual a próxima peça do dominó a cair.

O índice KBW Regional Banking Index fechou na terça-feira no menor nível desde dezembro de 2020.

“A onda de preocupação está aumentando sobre a saúde debilitada de carteiras de bancos regionais dos EUA, com muitos sentados em grandes perdas não realizadas”.

Susannah Streeter, diretora da Hargreaves Lansdown.

“A facilidade de saques na era digital está causando aumento do nervosismo, dada a velocidade dos colapsos bancários ao longo últimos dois meses”, acrescentou ela.

O PNC Financial Services Group afirmou na terça-feira (2) que seu controlador e a unidade bancária poderão fazer uma oferta de até US$ 15 bilhões em papéis comerciais como forma de garantir liquidez adicional.

Destaques da bolsa

Klabin

A ação KLBN11 subiu 3,75%, com o mercado repercutindo o balanço da empresa. A Klabin teve lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no primeiro trimestre, alta de 44% sobre o desempenho de um ano antes, apesar de queda no volume vendido do período, segundo balanço divulgado nesta quarta. Analistas, em média, esperavam lucro de R$ 698 milhões, segundo dados da Refinitiv.

Gerdau

A ação GGBR4 subiu 1,15%, também na esteira do balanço que mostrou que o grupo siderúrgico Gerdau teve lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre, alta de 9,4% sobre o desempenho de um ano antes. Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$ 2,12 bilhões, segundo dados da Refinitiv.

A empresa anunciou ainda pagamento de R$ 892 milhões em dividendos, em uma antecipação do mínimo obrigatório, em 15 de maio.

Carrefour

O Carrefour Brasil (CRFB3) caiu 9,39%, chegando a cair mais de 10% na mínima do dia até agora.

A empresa informou no dia anterior que registrou prejuízo líquido aos acionistas controladores de R$ 113 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo lucro de R$ 370 milhões de reais um ano antes, impactado por elevação nos custos e investimentos para conversão de lojas adquiridas do BIG.

Nesta quarta, o presidente-executivo do Carrefour, Stéphane Maquaire, disse em conferência com analistas que a empresa espera que as vendas do grupo no segundo semestre sejam “fortes” após a integração das lojas do BIG, na sequência de um início de ano “desafiador”.

Bolsas mundiais

Wall Street

As ações dos Estados Unidos fecharam em baixa nesta quarta, revertendo ganhos depois que declarações do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, fizeram investidores se questionarem sobre o próximo movimento do banco central dos EUA.

Os índices inicialmente mantiveram os ganhos após a declaração do Fed. O banco central norte-americano aumentou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, como esperado, e sinalizou que poderia interromper novas altas.

Segundo dados preliminares, o S&P 500 perdeu 0,67%, para 4.091,93 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,46%, para 12.025,33 pontos. O Dow Jones caiu 0,78%, para 33.423,43 pontos.

Europa

As ações europeias subiram nesta quarta, um dia após a maior queda em um mês, com a especulação crescente de que o Fed deve interromper o ciclo de aumento na taxa de juros, enquanto as ações de energia estenderam perdas.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,31%, a 462,51 pontos, após terminar a terça-feira no nível mais baixo em um mês.

O BCE deve aumentar as taxas de juros em 0,25 ponto percentual na quinta-feira, com dados recentes apontando para bancos fechando acentuadamente as ofertas de crédito, o que justificaria um aumento menor do que recentemente.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,20%, a 7.788,37 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,56%, a 15.815,06 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,28%, a 7.403,83 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 0,77%, a 26.835,31 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,06%, a 9.076,70 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,92%, a 6.068,21 pontos.

Ásia

As ações asiáticas recuaram pela segunda sessão consecutiva, com os investidores de olho em sinais de desaceleração da economia dos EUA e na possibilidade de que isso possa desacelerar o crescimento da Ásia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a previsão para a economia da Ásia na terça-feira, com a recuperação da China sustentando o crescimento, mas alertou sobre os riscos da volatilidade do mercado global impulsionada pelos problemas do setor bancário ocidental.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei permaneceu fechado.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,18%, a 19.699 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC não abriu.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, não teve operações.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,91%, a 2.501 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,53%, a 15.553 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 0,61%, a 3.262 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 0,96%, a 7.197 pontos.

*Com informações da Reuters.

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