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Finanças

Selic mantida em 13,75%: o que muda na renda fixa e variável?

Especialistas recomendam a compra de títulos prefixados, mas com cautela; bolsa se mantém barata.

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Banco Central decidiu nesta quarta-feira (21) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%, confirmando as expectativas do consenso de mercado. Com isso, termina o maior ciclo de alta de juros dos últimos 23 anos. Neste contexto, como fica o retorno dos principais investimentos de renda fixa e renda variável? O InvestNews consultou especialistas e fez simulações para entender o cenário.

Para Virgínia Prestes, professora de finanças e investimentos da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), por mais que a decisão da autoridade monetária fosse amplamente aguardada, a manutenção é uma sinalização “mais forte” por parte do Banco Central de que o país chegou ao fim do ciclo de alta da taxa de juros.

Renda fixa ainda empolga com Selic mantida?

O fato é que mesmo com os juros estacionados, a renda fixa continua bastante atrativa, já que a Selic ainda está em patamar historicamente elevado. Por isso, os especialistas ouvidos recomendam que o momento é ideal para comprar títulos prefixados (quando a rentabilidade é previamente informada na compra do papel) – já que é possível travar os ganhos com base nos indicadores atuais.

“Como se espera uma redução da Selic e inflação mais baixa em 2023, os títulos de renda fixa pós-fixados ou indexados à inflação poderão render menos que os prefixados”, explica André Schneider, especialista em investimentos da Warren Investimentos.

Para se ter ideia, o último boletim Focus prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, caía para 5,01% em 2023, contra uma previsão de 6% para este ano, e que a Selic chegue a 11,25% no final de 2023.

Para Eduardo Perez, analista da NuInvest, o ideal é que o investidor exponha seus recursos em prefixados de curto prazo, como o Tesouro Pré 2025 – quanto mais longo o vencimento, mais difícil é identificar a trajetória dos indicadores econômicos, o que eleva os riscos da aplicação.

“A melhora da economia brasileira aliada ao corte de ICMS, mesmo com efeito de curto prazo, e estabilidade do petróleo ,criaram uma condição muito mais favorável ao Brasil para que haja espaço para melhor das condições de mercado como as taxas dos prefixado”.

Perez acrescenta, no entanto, que mesmo em condições ótimas, a exposição à forma de remuneração prefixada “não deve ser exagerada”.

Nesse sentido, a docente da Faap indica ao investidor, especialmente os mais conservadores, alocar pelo menos 50% da carteira em ativos pós-fixados.

“Numa eventual continuada de escalada da inflação, a gente pode sim ter outros aumentos de juros que não estão na visão do mercado. E esses ativos ajudam a reduzir a volatilidade da carteira”, acrescenta. Na lista de indicações, estão os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que são os títulos de dívida de bancos; Tesouro Selic, além de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

Bolsa fica mais atraente?

Se por um lado os ativos negociados em bolsa têm sua precificação prejudicada quando há aumento de juros – isso porque os investidores migram suas aplicações para renda fixa em busca de maiores ganhos ao mesmo tempo em que carregam menos riscos – na análise da professora Virgínia, da Faap, a manutenção dos juros pelo BC ajuda a trazer um “alívio”, especialmente para as ações.

“Esse ativos se tornam mais atraentes já na expectativa do início da queda da Selic que deve acontecer no final do ano que vem”.

A docente acrescenta, inclusive, que a bolsa brasileira já vinha reagindo positivamente a um possível término da alta da Selic desde meados de julho.

Mesmo com essa melhora, os especialistas alertam que as ações, especialmente, ainda seguem baratas, o que significa que ainda está em tempo de ingressar na renda variável e obter ganho de capital. 

“A bolsa brasileira está com um grande desconto em relação a outros mercados. A média do P/L (preço sobre lucro) está em apenas em 6,3 vezes, enquanto os índices globais seguem entre 12 e 18 vezes”, disse o economista da Warren.

Entretanto, o investidor precisa lidar com preocupações que podem mexer com o mercado por aqui, como as próprias eleições presidenciais; a inflação global e a subida de taxas de juros em outras economias, em especial a dos Estados Unidos.

Ao contrário daqui, o Federal Reserve (FED), considerado o Banco Central mais importante do mundo, elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 75 pontos bases nesta quarta-feira, com sinalização de novos aumentos na próxima reunião.

A decisão veio em linha ao que o mercado tem esperado, ao mesmo tempo que pode impactar os investimentos aqui no Brasil. Isso porque que os bonds americanos (que são os títulos de dívida emitidos pelo país) são considerados ativos financeiros com retornos “livres de risco”. Significa que, além de oferecerem um retorno ainda maior, o investidor praticamente não corre risco de calote.

“Por isso, o capital tende a migrar de investimentos mais agressivos para esses ativos, podendo gerar queda na bolsa de valores, aumento da cotação do dólar e consequentemente podendo impactar até a inflação de países como o Brasil, que tem grande volume de comércio exterior”, acrescentou o economista da Warren.

Para Paulo Cunha, sócio-fundador iHUB investimentos, inclusive, as falas do Fed e a inflação norte-americana têm ditado muito mais a performance do mercado do que as próprias reuniões do Copom.

“Tanto é que um dado de inflação (CPI) mais alto nos Estados Unidos fez a curva de juros futuro (expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados) daqui subir”, avaliou.

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