Da soja ao petróleo: entenda o que são commodities

Descubra como investir nas principais commodities produzidas no Brasil

Imagem de um navio cargueiro visto de cima navegando em águas azuis, carregado com contêineres vermelhos, azuis e amarelos, seguido por um rastro de espuma em "V" no mar.
Foto: AdobeStock

As commodities não são apenas matérias-primas. Elas constituem os alicerces da economia moderna, com influência desde no preço do pãozinho que entra em sua mesa até no custo da energia que ilumina nossas cidades.

Neste guia, você entenderá como pode participar deste mercado dinâmico, diversificar seus investimentos e aproveitar as oportunidades que ele oferece. Tudo isso com estratégias práticas e informações essenciais.

Se você está pronto para explorar novas fronteiras e expandir seus horizontes financeiros, mergulhe conosco no universo das commodities!

O que são commodities e como funcionam?

Originalmente, o termo “commodities” era utilizado para designar qualquer tipo de mercadoria. Não é surpresa, portanto, que a palavra de origem inglesa signifique “mercadoria”, na tradução literal. Ao longo do tempo, no entanto, o termo sofreu alterações em seu significado.

Hoje em dia, é considerado uma commodity o produto que cumpre os seguintes requisitos:

  • é uma matéria-prima produzida em larga escala;
  • é negociado mundialmente;
  • está no estado bruto, pouco (ou nada) industrializado;
  • pode ser estocado em grande quantidade sem perder a qualidade.

Em suma, commodities são matérias-primas básicas. Isso significa que são pouco processadas, servindo de base para a produção de produtos mais complexos e de maior valor agregado.

Além disso, elas têm padrões mundiais de qualidade, com propriedades muito parecidas entre um produtor e outro. Ou seja, o milho produzido no Brasil terá as mesmas características — tamanho, forma, propriedades nutricionais — do milho que sai das lavouras da Argentina, da China ou dos EUA, por exemplo.

As commodities são negociadas com base em cotações determinadas pela oferta e pela demanda globais. Essa padronização simplifica a negociação, mas variações nos preços podem impactar economias ao redor do mundo. Ao se tornar uma commodity, o valor de uma matéria-prima é definido pelo mercado, refletindo as cotações nas bolsas de valores.

Características das commodities 

Como mencionado, as commodities têm características únicas: 

  • são pouco industrializadas;
  • não têm diferenciação de marca, o que se traduz em qualidade e produção uniformes, e
  • podem ser armazenados/estocados por determinado período sem perda significativa de qualidade. 

Esse alto nível de comercialização e sua importância universal tornam as commodities fundamentais para diversas indústrias, servindo como pilares do comércio global e oferecendo oportunidades significativas para investidores.

Quais são os principais tipos de commodities? 

As commodities são divididas em várias categorias com base em sua origem. Abaixo estão os principais tipos:

  • agrícolas: são derivadas do cultivo da terra, como soja, milho, trigo, arroz, café, açúcar, laranja e algodão;
  • pecuária: são obtidas a partir da criação de animais, como as carnes de boi, frango e suína;
  • minerais: são produzidas por meio da extração de recursos minerais, como ferro, ouro, níquel, além de fontes de energia, como o petróleo e o gás natural;
  • ambientais: são os recursos originados da natureza em condições sustentáveis que podem ser comercializados, como insumos para agricultura e indústria — são exemplos água, madeira, créditos de carbono e energias renováveis;
  • financeiras: são moedas de outros países, como dólar, euro, real, além de títulos públicos.

Essas categorias abrangem os principais tipos de commodities, cada uma desempenhando um papel vital na economia global.

Uma curiosidade é a existência dos chamados “soft commodities”, que diz respeito ao grupo de mercadorias que são cultivadas, e não extraídas, incluindo produtos agrícolas como café, cacau, algodão e açúcar.

Vale ressaltar que o café é uma das soft commodities mais emblemáticas e culturalmente significativas. Inclusive, é a segunda commodity mais negociada no mundo, ficando atrás apenas do petróleo. Estima-se que mais de 2,25 bilhões de xícaras de café sejam consumidas diariamente em todo o mundo.

Qual o impacto das commodities na economia?

As commodities têm grande participação no crescimento econômico dos países porque são produtos básicos que servem de insumo para a produção industrial e energética, assim como a construção civil.

Por conta disso, a negociação é feita em escala global, com preços definidos por oferta e demanda: a redução de demanda mundial por determinada commodity geralmente implica em queda de preço, enquanto a alta da demanda costuma aumentar o preço do produto.

O valor cobrado por uma commodity é semelhante para todos os produtores do mundo, mas fatores como questões climáticas, políticas e econômicas de um país ou região podem influenciar no valor cobrado por produtos específicos.

O mercado de commodities agrícolas, por exemplo, apresenta muita volatilidade nos preços, porque a produção depende de fatores naturais, como clima favorável e ciclo de plantio e colheita. 

Países ricos em recursos naturais, como o Brasil, dependem fortemente das exportações de commodities para sustentar sua economia, enquanto nações importadoras enfrentam desafios relacionados à inflação e ao custo de vida quando os preços sobem.

Além do impacto econômico direto, as commodities também têm profundas implicações sociais e culturais. Elas influenciam desde o preço dos alimentos que chegam à mesa das pessoas até o custo da energia que ilumina suas casas.

Em tempos de incerteza econômica, como inflação ou crises financeiras, as commodities frequentemente servem como um porto seguro para os investidores, protegendo o poder de compra e estabilizando rendimentos.

Como as commodities operam na bolsa?

A negociação de commodities na bolsa de valores oferece oportunidades tanto para produtores quanto para investidores, permitindo a gestão de riscos e a diversificação de portfólios.

Na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, investidores têm acesso a contratos de negociação das principais commodities nacionais, facilitando a avaliação de opções e estratégias de investimento. Cada contrato disponível possui detalhes essenciais, como tamanho do lote, períodos de vencimento e métodos de cotação.

Atualmente os contratos disponíveis na B3 são:

  • boi gordo;
  • café arábica ⅘;
  • etanol hidratado;
  • milho;
  • soja.

Além disso, cerca de um terço das ações na B3 estão ligadas a commodities. No Brasil, as commodities representam uma parte significativa do mercado acionário. Investidores podem acessar esse mercado comprando ações de empresas que lidam com essas mercadorias, como a Petrobras (PETR3; PETR4), a Vale (VALE3) e a CSN (CSNA3), por exemplo.

A B3 também possui o Índice de Commodities Brasil (ICB). Ele serve como referência, ou benchmark (ferramenta usada para comparar processos, produtos e serviços de uma empresa com os de outras, de forma a melhorar o desempenho), para que fundos de investimentos, tesourarias, administradores de carteira e outros investidores possam avaliar o desempenho dos seus negócios com commodities e compará-los ao desempenho de outros ativos ou aplicações financeiras.

Quais são as principais commodities brasileiras? 

A abundância de recursos naturais e clima favorável fazem do Brasil um dos maiores produtores e exportadores mundiais de commodities, principalmente agrícolas e minerais, como mostramos abaixo.

  • Soja: o Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, utilizada principalmente na produção de óleo de soja e farelo de soja, que são ingredientes essenciais na alimentação humana e animal.
  • Petróleo: o Brasil é um importante produtor de petróleo, com grandes reservas offshore, especialmente no pré-sal. Ele é refinado em diversos produtos, incluindo gasolina, diesel e outros derivados.
  • Minério de ferro: utilizado na produção de aço, fundamental para a construção civil e a fabricação de automóveis, máquinas e outros bens duráveis. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro.
  • Açúcar e melaços: o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, utilizado na indústria alimentícia e na produção do etanol.
  • Milho: o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de milho, utilizado principalmente na alimentação animal, humana e na produção de etanol.
  • Boi gordo (carne): consumido globalmente e utilizado na produção de diversos produtos alimentícios. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo.
  • Celulose: o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de celulose do mundo, utilizada na produção de papel, papelão e outros produtos relacionados.
  • Café: consumido globalmente como bebida e usado em diversos produtos alimentícios. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo.

Esses produtos têm forte participação na economia brasileira: a exportação de commodities representa cerca de 6,5% do PIB do país.

Segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 2019, um país é considerado dependente de commodities quando elas representam mais de 60% de suas exportações totais de mercadorias. Esse é o caso do Brasil.

A UNCTAD alerta que esses países são vulneráveis a choques negativos e volatilidade de preços de commodities. Isso acontece porque o preço desses produtos tem forte influência internacional: independentemente do cenário econômico interno, o mercado de commodity responde à oscilação de demanda internacional e é facilmente afetado por crises em outros países.

O contrário também é verdadeiro: o setor pode se dar bem (é o chamado “boom das commodities”) e alavancar indicadores econômicos do país, mesmo sob um cenário interno desfavorável.

Quais as commodities mais exportadas pelo Brasil?

A essa altura você já sabe que o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities do mundo, destacando-se principalmente na exportação de soja e seus derivados, minério de ferro, petróleo e seus derivados, carne bovina, celulose, açúcar, café, carne de frango e milho.

Essas commodities são essenciais para a economia global, com a soja e o minério de ferro sendo direcionados majoritariamente para a China, enquanto o petróleo é amplamente exportado para os Estados Unidos e a Índia.

As carnes bovina e de frango têm grande demanda na China e no Oriente Médio, e o café brasileiro é amplamente consumido nos Estados Unidos e na Europa.

A diversidade e a qualidade das commodities brasileiras são fundamentais para a economia do país e o comércio internacional.

De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as commodities mais exportadas pelo Brasil em 2024 foram óleos brutos de petróleo, soja, minérios de ferro, açúcares e melaços e óleos combustíveis de petróleo.

Quais as mais importadas? 

O Brasil, apesar de ser um grande exportador de commodities, também importa diversas matérias-primas e produtos essenciais para sustentar sua economia e indústria. Entre as mais importadas estão o petróleo bruto e seus derivados, gás natural, adubos e fertilizantes, produtos químicos, carvão mineral, trigo, cobre e produtos farmacêuticos.

Essas importações vêm de diversos países, incluindo Estados Unidos, Rússia, China, Alemanha, Colômbia, Argentina, Chile, Peru e Canadá. Essas commodities são cruciais para a geração de energia, produção agrícola, indústria química, siderúrgica, alimentícia e setor de saúde do país.

Samy Dana e Dony De Nuccio explicam tudo sobre commodities

Vantagens e desvantagens de investir em commodities 

Investir em commodities pode ser uma boa estratégia de diversificação de carteira, porém existem alguns riscos associados a essa estratégia que devem ser levados em consideração. 

Veja, a seguir, as principais vantagens e desvantagens de investir em commodities:

Proteção

Os preços das commodities tendem a subir com a inflação. Quando os preços dos bens e serviços aumentam, o valor das commodities também costuma aumentar, protegendo o poder de compra do seu dinheiro.

No entanto, para equilibrar a volatilidade e criar um portfólio mais resiliente, muitos investidores combinam esses ativos com o Tesouro Direto. Títulos como o Tesouro IPCA+, que são indexados à inflação, oferecem uma proteção adicional ao garantir que o rendimento acompanhe o aumento dos preços, independentemente das flutuações do mercado de commodities.

O mercado futuro também é uma forma de proteger os investimentos em commodities. Estes contratos permitem a compra ou a venda de uma commodity a um preço fixo em uma data futura, protegendo-se contra flutuações inesperadas.

Demanda global

A demanda por commodities, como petróleo, ouro e alimentos tende a crescer com o aumento populacional e o desenvolvimento econômico, o que pode impulsionar os preços no longo prazo.

Alto potencial de lucro

Commodities podem apresentar grandes oscilações de preços em períodos curtos, criando oportunidades para lucros rápidos para investidores que conseguem prever essas mudanças.

Alavancagem

Essa pode ser uma faca de dois gumes para os investidores. Ela permite ampliar os ganhos potenciais, mas também aumenta os riscos. Aqueles que especulam, comprando ou vendendo contratos visando obter lucros significativos, precisam estar cientes dos riscos elevados associados nesta prática.

Volatilidade

Embora a volatilidade possa oferecer oportunidades, ela também representa um grande risco. Os preços das commodities podem flutuar drasticamente devido a fatores externos como mudanças climáticas, desastres naturais e tensões geopolíticas.

Alto risco

Investir em commodities exige conhecimento e um entendimento profundo do mercado, fatores econômicos, políticos e ambientais que podem impactar os preços desses ativos. As oscilações podem ser grandes e é preciso saber gerenciar riscos.

Investir em commodities pode ser uma estratégia valiosa para diversificar seu portfólio e se proteger contra a inflação. No entanto, é essencial estar ciente dos riscos envolvidos e ter uma boa compreensão do mercado. Se você está disposto a enfrentar a volatilidade e dedicar tempo para aprender sobre esses ativos, veja o passo a passo de como investir em commodities.

Como investir em commodities: passo a passo

Uma maneira simples de investir nesses ativos é comprar ações de empresas que produzem ou exploram commodities, como a Petrobras, a Vale e a Suzano. Existem fundos mútuos e fundos de índices que investem em uma cesta diversificada de commodities.

O investimento em commodity também pode ser feito por meio de ETFs (Exchange Traded Funds) que são fundos negociados em bolsa que rastreiam o preço de uma commodity ou de um índice de commodities. É considerada uma maneira prática e acessível para investidores iniciantes.

Para investir em commodities, de forma mais direta, existe o mercado de contrato futuro. Nada mais é do que um acordo para comprar ou vender uma commodity a um preço fixo em uma data futura. Essa é uma estratégia mais recomendada para investidores experientes. 

Ainda é possível investir mediante Opções e Derivativos, que são contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender uma commodity a um preço específico. São instrumentos mais complexos e recomendados para investidores avançados.

Agora que você já sabe que existem várias formas para investir em commodities, siga o passo a passo e você saberá como investir o seu dinheiro.

1. Entenda o mercado de commodities

Antes de investir, é crucial entender o que são commodities e como o mercado funciona. Você pode acompanhar as cotações das commodities em sites especializados, plataformas de corretoras e bancos de investimentos.

2. Escolha a commodity certa para você

Cada tipo de commodity tem suas próprias características e fatores que influenciam seu preço. Por exemplo:

  • petróleo: influenciado por fatores geopolíticos, como conflitos no Oriente Médio;
  • ouro: considerado um porto seguro em tempos de crise econômica;
  • agrícolas: fortemente influenciadas por condições climáticas e sazonais.

Além disso, entenda as questões econômicas gerais que influenciam no preço desses investimentos. Por exemplo, a Taxa Selic não apenas afeta o custo de oportunidade e a inflação, mas também impacta a taxa de câmbio, moldando completamente o cenário econômico em que as commodities operam.

3. Decida como investir

Como você acabou de ver, existem várias maneiras de investir em commodities. Procure entender e identificar a que melhor se adapta ao seu perfil. Lembre-se de que commodities são considerados ativos de risco.

4. Abra uma conta de investimentos

Para investir em commodities, você precisará de uma conta em uma corretora que ofereça acesso a esse mercado. Certifique-se de escolher uma corretora que ofereça as commodities e os instrumentos financeiros que você deseja negociar.

5. Faça a sua pesquisa

Antes de fazer qualquer investimento, é essencial realizar uma pesquisa aprofundada, que inclui:

  • analisar gráficos de preços: estude os gráficos de preços históricos para identificar padrões e tendências;
  • acompanhar notícias do setor: fique atualizado com as notícias e eventos que podem afetar os preços das commodities, como mudanças climáticas, políticas governamentais e eventos geopolíticos;
  • entender fatores de oferta e demanda: compreenda tudo o que afeta a oferta e a demanda da commodity escolhida.

6. Desenvolva uma estratégia de investimento

Uma estratégia bem definida é crucial para o sucesso no mercado de commodities. Considere os seguintes elementos ao desenvolver sua estratégia:

  • horizonte de tempo: determine se você está investindo em curto, médio ou longo prazo;
  • objetivos de investimento: defina seus objetivos financeiros, como crescimento do capital, geração de renda ou proteção contra a inflação;
  • gestão de riscos: estabeleça limites de perda e ganho e use ferramentas como ordens de stop-loss para proteger seu investimento.

7. Execute sua primeira operação

Com sua pesquisa concluída e sua estratégia em mãos, é hora de executar sua primeira operação. Aqui estão algumas dicas para começar:

  • comece pequeno: faça sua primeira operação com uma quantidade pequena de capital para ganhar confiança.
  • use ordens de mercado e limitadas: importante explicar: na ordem a mercado, o investidor não define o preço de compra ou venda na negociação do ativo. O contrário acontece na ordem limitada, o que garante que a ordem seja executada caso o mercado alcance este valor. Portanto, é importante utilizar ordens de mercado, para execução rápida; e ordens limitadas, para controlar o preço de entrada ou saída.
  • monitore o mercado: acompanhe de perto suas operações e o mercado para ajustar sua estratégia conforme necessário.

8. Monitore e ajuste seu portfólio

Investir em commodities requer monitoramento contínuo e ajustes periódicos. Para isso, é importante acompanhar o desempenho de suas operações e ficar pronto para fazer ajustes conforme necessário. Também é necessário reavaliar regularmente sua estratégia e portfólio para garantir que estão alinhados com seus objetivos. E mais: mantenha-se atualizado com as últimas tendências no mercado de commodities.

Para navegar com sucesso no volátil mercado de commodities, é essencial ter um entendimento profundo dos riscos e desenvolver uma estratégia elaborada. Com o planejamento adequado, você pode transformar as flutuações do mercado em oportunidades lucrativas, aproveitando ao máximo as dinâmicas deste setor crucial da economia global.

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