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CEO Responde

CEO da Movida: fusão de concorrentes facilita nosso plano de expansão

Após união de Localiza e Unidas, locadora diz estar confiante e ambiciona entregar o maior retorno ao acionista.

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Para quem questionou sobre o que aconteceria com a Movida (MOVI3) após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a fusão dos seus principais concorrentes, Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3), a resposta é que, aparentemente, está “tudo sob controle”. É o que afirma o CEO da empresa, Renato Franklin, em entrevista exclusiva ao InvestNews. “A fusão não muda em nada nosso plano de negócios”, defende.

Embora ele diga nos bastidores da conversa que não gosta de falar do “casamento dos outros”, Franklin aceitou o convite para esclarecer aos investidores o que esperar do futuro da locadora de veículos frente às mais recentes movimentações do mercado.

Otimista, ele acredita que a fusão dos concorrentes pode até ser uma oportunidade. Segundo o executivo, com menos players no mercado de locação, a execução do plano de crescimento da Movida deve acelerar. “Para o consumidor é ruim, mas para os players de mercado, locadoras, essa fusão gera algumas oportunidades de captura de retorno adicional”, defende.

Franklin enxerga que o mercado brasileiro ainda é sub-penetrado em todas as linhas de negócio em que a Movida participa: rent a car (aluguel de carros por diárias ou pacotes); gestão de frotas públicas e privadas e no modelo zero quilômetros (carro por assinatura).

Para o longo prazo, a Movida aposta suas fichas na gestão de frotas, enquanto que para o médio prazo (até 3 anos), a companhia enxerga que o pilar de crescimento está nas assinaturas de carro zero para pessoas físicas.

“Esse mercado tem um potencial de crescimento de 1 milhão de carros por ano”, aponta o CEO da empresa. Com o financiamento perdendo espaço entre o consumidor, a Movida espera que o aluguel de carros substitua essa demanda auxiliando a companhia a cumprir o plano de crescimento estipulado até 2025. Mas como a Movida vai fazer frente aos concorrentes e novas dinâmicas de mercado? Confira todos os detalhes na entrevista.

Segundo dados da Economatica Brasil, desde o seu IPO, em fevereiro de 2017, até o fechamento de 16 de dezembro, as ações da Movida (MOVI3) já valorizaram 161,79%. Enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, avançou 68,74% no mesmo período.

No acumulado de 2021, os papéis MOVI3 recuam 11,62%.

Esta entrevista faz parte do quadro do InvestNews CEO Responde, que traz cinco perguntas sobre as principais dúvidas do mercado sobre negócios de capital aberto. Confira o que já foi publicado:

  • CEO da PDG: após recuperação, cautela é a palavra de ordem
  • CEO da Oncoclínicas: troca de liderança levará companhia a um próximo nível
  • CEO da Wiz: novos parceiros vão fortalecer receita após saída da Caixa
  • CEO da Kepler: Nosso grande desafio é reduzir o déficit de armazenagem agrícola
  • CEO da Orizon revela planos de triplicar tamanho da empresa
  • CEO da Locaweb: ‘Nosso caixa vai só para aquisições e isso é um privilégio’

InvestNews – Com a fusão de Localiza e Unidas se concretizando, o que muda para a Movida em termos de estratégia? Isso pode atrapalhar o crescimento da companhia?

Renato Franklin – A fusão não muda em nada nosso plano de negócios. E acho que até facilita um pouco a execução, porque com um pouquinho menos de competição, já que um player sai mais enfraquecido, como é o caso da Unidas, a gente consegue ter uma avenida ainda mais positiva para nosso crescimento.

O histórico da Movida é de crescer mais rápido do que a média do mercado, conquistando clientes, atuando em nichos diferentes. Nosso compromisso é com a geração de valor e o nosso plano de negócios.

Não sabemos exatamente qual será o plano do concorrente, mas sim que temos menos competição por crescimento, por retorno, eficiência e principalmente pela experiência do cliente. A gente quer entregar o maior NPS (Net Promoter Score) do mercado.

Estamos confiantes com o mercado de locação de carros para 2022, apesar do cenário macro desafiador, o nosso setor tem baixa penetração e muitas avenidas de crescimento.

Anunciamos um capex líquido (investimento em ativos para a companhia) de R$ 6 bilhões para 2022 e vamos investir ele 100% em frota.

Sobre a fusão dos concorrentes, o desinvestimento vai considerar a marca Unidas, que deve continuar existindo, só que ela fica mais fraca, com menos GTF (gestão total de frotas), então acredito que a pressão por preços será maior, com alta deles, o que ajuda a melhorar a rentabilidade e trazer mais Ebitda para a Movida. E com isso acelerar o nosso crescimento.

Então, enxergo um horizonte muito positivo para a indústria como um todo e a Movida está bem posicionada para aproveitar esse momento de mercado. Nosso grande objetivo é entregar o maior retorno para o acionista.

IN$ – No passado, vocês já foram contrários à fusão dos concorrentes. O Cade aprovou a fusão com restrições para evitar concentração de mercado. Concorda que os remédios aplicados são efetivos?

Renato Franklin – Sim, a gente não teve acesso ainda ao total do remédio, então não consigo avaliar exatamente. Por enquanto temos apenas informações de bastidores noticiadas nas matérias.

Pela informação dos bastidores, acho que é um remédio significativo, forte. Se for de verdade o compromisso de venda de 70 mil carros, considerando seminovos, rent a car, não dá para falar que é um remédio pequeno. E pode sim endereçar um nicho dessa concentração.

Agora, tem muita coisa para acontecer ainda. O que vai dizer se o remédio foi efetivo ou não são os próximos trimestres. Assim que passar um ano, a gente vai saber qual foi o efeito real disso, as consequências do remédio, como o mercado está.

Para o consumidor é ruim. Melhor para ele ter 3 players no mercado, próximos, com mais briga do que ter concentração no mercado. Mas para os players, empresas de aluguel de carros, essa fusão gera algumas oportunidades de capturar retorno adicional.

A Movida não está preocupada com a concentração de mercado, estamos focados e confiantes no nosso plano de negócios.

IN$ – A meta da Movida ainda é crescer organicamente? Vocês têm 170 mil carros. Como vai funcionar a estratégia de crescimento orgânico?

Renato Franklin – Estamos realmente otimistas com o crescimento e mantemos o nosso plano. A expectativa de crescimento orgânico da Movida inclui dois terços das unidades de longo prazo, com a gestão de frotas (GTF) e o carro zero quilômetros para pessoa física. E um terço focado no crescimento do rent a car.

É claro que isso é um plano de negócios e vamos ajustando de acordo com a ocupação e geração de valor de cada unidade, à medida que vai subindo o preço, colocamos mais carros onde conseguimos rentabilizar melhor.

Mas o crescimento da Movida é principalmente orgânico. Então o nosso capex líquido de R$ 6 bilhões considera apenas investimento orgânico.

Enxergamos um crescimento forte em 2022 e reforçamos o nosso guidance (projeção) de chegar em 2025 entre 260 mil e 310 mil carros. Estamos confiantes disso.

Sobre o próximo ano, não divulgamos a projeção. Mas se você considerar o nosso Capex de R$ 6 bilhões vai chegar a uma frota aproximada de 200 mil carros. Então a tendência é que a gente chegue perto desse número.

Em relação a esse Capex, temos estruturado todo o nosso balanço e caixa para executar esses R$ 6 bilhões, sem depender de aportes de capital ou movimentos de equity. Já estamos estruturados para entregar esse plano de negócios.

O recurso será investido maioritariamente em novos carros, expansão e renovação de frota. E apenas uma parte muito pequena, de R$ 200 milhões será direcionada a tecnologia, pesquisa, desenvolvimento, digital e lojas. Temos acordos fechados com montadoras, contratos firmados, que vão nos permitir executar esse plano de negócios.

IN$ – Em relação ao crescimento inorgânico, via aquisições, a Movida anunciou recentemente a compra da Marbor, que vai agregar 1.800 carros. De que forma esta aquisição contribui para o crescimento e quando o investidor deve ver os efeitos no balanço da companhia?

Renato Franklin – Essa aquisição é muito semelhante à que fizemos com a Vox Frotas, quase o mesmo tamanho e nos permite agregar um novo nicho de clientes. A Marbor já vem com uma carteira de clientes, então ela adiciona ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação) no mês seguinte em que a transação for aprovada e tiver a incorporação da companhia.

É semelhante a adquirir carros com uma carteira de clientes e funcionários muito bem estruturada que vai contribuir com o nosso plano de crescimento.

O maior empecilho do crescimento da Movida hoje é gente. Formar gente e atrair gente diferente para continuar crescendo, mantendo o nível de serviço. Então quando encontramos uma empresa com uma cultura legal, com gente boa trabalhando nela, um mercado que pode ser explorado e um valuation (valor da companhia) justo entendemos que a compra faz sentido.

A Marbor vai somar com quase 2 mil carros para o crescimento da Movida. É uma empresa de Mogi das Cruzes (SP), com um mercado onde atua bem, crescimento importante nos últimos anos, força comercial. Sem dúvida, com a escala da Movida, vai conseguir entregar mais resultado nos próximos anos.

Agora temos todo o processo de incorporação, mas em 2022, a Marbor já vai rodar em cheio na operação da Movida, somando ebitda, agregando receita, no segmento de gestão de frota privada. Então no balanço do primeiro trimestre de 2022 o investidor verá o efeito dessa aquisição.

IN$ – Além desta aquisição, temos outras no radar? Ou o foco permanece orgânico?

Renato Franklin – Estamos avaliando sim oportunidades, mas não temos nada material. Geralmente, ficamos de olho na entrada em alguns nichos, que fortalecem o nosso posicionamento, mas são aquisições pequenas que não modificam o plano de negócios da companhia. Nosso cenário base para 2022 é 100% de crescimento orgânico.

Agora, sendo transparente, a gente tem avaliado oportunidades. Tem mais de 10 empresas que estamos avaliando, mas depende muito das premissas, de ter uma cultura parecida com a nossa, um negócio que faz sentido, que gera retorno e valor e com valuation justo.

As locadoras menores têm muito mais dificuldades de competir com empresas de maior escala, por diversos motivos, desde custo de capital, aumento dos juros, dificuldade de comprar carros etc. Se uma companhia cumprir as premissas podemos colocar para dentro e fazer aquisição. Mas de novo, o nosso plano de crescimento considera 100% de crescimento orgânico.

Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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