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CEO da Totvs revela próximos passos da Dimensa, nova empresa criada com a B3

Sinqia que se cuide? Nova companhia de software financeiro quer abocanhar um mercado em expansão e fazer IPO até 2024.

Publicado

em

por

Katherine Rivas

Ainda está aguardando a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), mas a Dimensa, nova empresa de soluções tecnológicas para o setor financeiro fruto da parceria da B3 (B3SA3) e Totvs (TOTS3) já chegou com tudo.

Em entrevista ao InvestNews, o CEO da Totvs, Dennis Herszkowicz, afirmou que o objetivo da nova empresa é conquistar a liderança no segmento de software financeiro, se tornando a maior empresa do setor, o que, claro, pode representar problemas para a concorrente Sinqia (SQIA3), que hoje detém essa posição no mercado.

O mercado de soluções tecnológicas para o setor financeiro é bastante fragmentado, porém com muito potencial de crescimento, aponta o analista Murilo Breder, da Easynvest by Nubank. Este mercado movimenta hoje R$ 4,6 bilhões e tem uma taxa anual de crescimento de 12,6% desde 2012.

O analista explica que a Sinqia é líder do setor com uma participação de mercado de 7,3% e a pretensão de chegar a 25% nos próximos cinco anos. Entre seus principais produtos, a Sinqia tem soluções para bancos, fundos, previdência e consórcios.

Já a Dimensa, embora recém-nascida, também tem uma longa estrada. Isso porque antes a companhia era a TFS Soluções em Software, um braço da Totvs que atuava majoritariamente com bancos e fundos de investimento, mas que, segundo Herszkowicz, acabou ficando sem a devida atenção pelo tamanho do grupo.

Com a Dimensa, o objetivo da Totvs é que a unidade possa crescer, ampliando o leque de produtos, as áreas de atuação e destravando seu valor.

Para este propósito, o cheque de R$ 600 milhões da B3 foi essencial. O acordo prevê que a B3 terá 37,5% da Dimensa enquanto a Totvs permanece com os 62,5% restantes.

A Dimensa chega ao mercado com 400 colaboradores e cerca de 200 clientes, entre eles grandes bancos como Itaú, Santander e Bradesco. A receita líquida da companhia em 2020 foi de R$ 140 milhões.

Segundo o CEO da Totvs, a meta é que o cheque de R$ 600 milhões seja utilizado em um plano estratégico de fusões e aquisições até 2024. E quando a companhia atingir seu grau de maturidade corporativo, pretende fazer um IPO (oferta pública inicial de ações). Confira a entrevista:

InvestNews – Por que a decisão de fazer uma parceria com a B3 e criar a Dimensa? Como isso transforma a antiga TFS?

Dennis Herszkowicz – A TFS é uma empresa que tinha mais de 20 anos de mercado, líder na criação de sistemas que fazem gestão de fundos de investimento.

Ela sempre teve a oportunidade de ser maior do que atualmente é, ampliar o portfólio de produtos dela, o escopo de atuação, só que dentro da Totvs ela não estava tendo essa oportunidade.

A Totvs tem muitos negócios e o da TFS acabou ficando sem a devida atenção. Então a gente chegou à conclusão neste último ano de que o melhor caminho seria separar a TFS, trazer um novo acionista que conheça desse mercado, que tenha muitos relacionamentos e que obviamente pudesse trazer um cheque grande, que seria muito importante para que a TFS inicie um programa de M&A (fusões e aquisições) próprio.

O mercado onde a TFS atua é um mercado muito pulverizado, então uma consolidação é algo muito importante, uma oportunidade interessante para a companhia.

IN$ – A B3 trouxe um ‘cheque’ de R$ 600 milhões. Será 100% destinado a fusões e aquisições da Dimensa?

Dennis Herszkowicz – Sem dúvida, como a Dimensa já é uma empresa rentável tem uma margem muito parecida com a margem da própria Totvs, não temos a necessidade de um cheque para a operação regular.

Então esse dinheiro vai todo para fusões e aquisições, é um mercado muito pulverizado com boas oportunidades.

A TFS chegou a ter um pipeline trabalhado pela área de M&A da Totvs, mas agora esse trabalho de estruturar, escolher prioridades de compra e executar será uma função específica do time de gestão da Dimensa.

Normalmente, esses planos tem um horizonte de três anos. É difícil ser muito mais curto do que isso e também é complexo ser longo, então diria que um horizonte de três anos é um bom tempo para a Dimensa executar.

IN$ – Os R$ 600 milhões devem ser utilizados no período de 3 anos?

Dennis Herszkowicz – Pode ser antes, a gente diz normalmente até três anos, mas dependendo do perfil, do que a gente consiga esse prazo pode ser mais curto.

IN$ – Qual o portfólio com que a Dimensa chega ao mercado?

Dennis Herszkowicz – A Dimensa começa com 400 colaboradores, uma receita líquida em 2020 de R$ 140 milhões, e mais ou menos 200 clientes.

Entre os produtos principais, o mais importante é a gestão de fundos de investimento, principalmente tudo aquilo que está ligado ao cálculo das cotas dos fundos.

A segunda área em importância é a plataforma de soluções de “core banking” e o terceiro é um sistema para gestão de cartões private label para o varejo.

IN$ – Quais segmentos integram esses 200 clientes?

Dennis Herszkowicz – O cliente principal são os administradores de fundos e em segundo lugar os bancos.

A Dimensa pretende trabalhar com instituições financeiras, totalmente focada em tecnologias para o mercado financeiro. Na medida em que o mercado está passando por mudanças importantes, regulatórias e tecnológicas, surge uma quantidade muito grande de empresas novas.

Então, varejistas têm hoje ofertas financeiras, a própria Totvs por exemplo, nos últimos anos se tornou player financeiro, então não existe uma limitação do perfil das empresas que a Dimensa possa atender. O que precisa é que essas empresas estejam operando com produtos financeiros.

IN$ – Qual o valor de mercado da Dimensa?

Dennis Herszkowicz – A Dimensa nasce avaliada em R$ 1,6 bilhão, já considerando o cheque que vai ser aportado pela B3 de R$ 600 milhões, depois que o Cade aprovar a operação.

IN$ – Aonde pretendem chegar nos próximos três anos?

Dennis Herszkowicz – Esse será o grande desafio da gestão da Dimensa, mas posso garantir que ela continuará focada em tecnologias meio, infraestrutura tecnológica para entidades financeiras.

Não vai sair disso, a Dimensa não vai oferecer produtos financeiros para clientes finais, sejam empresas ou pessoas físicas. Ela prove a tecnologia meio, infra, os setores que ela vai atender serão definidos pela nova gestão.

Em relação ao número de clientes, vai depender de quais produtos novos vão surgir no portfólio, o ticket médio destes. Esperamos aumentar o número de colaboradores com o crescimento da receita.

IN$ – Está nos planos de vocês atender fintech e bancos digitais?

Dennis Herszkowicz – Sem dúvida nenhuma, o nosso maior foco serão as áreas que mais crescem, entre estas fintechs, agentes autônomos, serviços financeiros. Daremos uma grande atenção para este tipo de empresas.

IN$ – A Sinqia é atualmente líder de mercado, com market share de 7,3%. Vocês pretendem conquistar o público fora do radar dela?

Dennis Herszkowicz – Nosso objetivo é ser a maior empresa desse segmento, sem dúvida nenhuma. A gente sabe que para isso precisamos melhorar a qualidade dos nossos produtos existentes para conseguir crescer organicamente. Mas também temos a clareza de que parcerias, aquisições serão fundamentais. Não tem como a Dimensa chegar na liderança apenas com crescimento orgânico.

IN$ – Então vocês chegam para conquistar a liderança que a Sinqia tem no mercado de software financeiro?

Dennis Herszkowicz – Esse é o objetivo. A Dimensa quer atingir essa liderança, chegar lá e fazer um IPO (oferta pública inicial de ações) no futuro. Esse é o nosso plano.

IN$ – Você comentou sobre melhorar a qualidade dos produtos da Dimensa. A concorrente já tem todas essas soluções, além de previdência e consórcios. Pretendem implementar isso também?

Dennis Herszkowicz – Não, a gente vai ampliar o portfólio da Dimensa, isso é uma certeza. Agora se a gente vai entrar nesses segmentos onde a Sinqia já está isso eu não consigo confirmar ainda.

Criaremos sem dúvida novas unidades e categorias de produtos, tanto organicamente mas principalmente por aquisições. As novas unidades serão definidas pela nova gestão da Dimensa, que devem definir as prioridades.

IN$ – ‘Banking as a Service’ e PIX fazem parte dessas novas categorias

Dennis Herszkowicz – São oportunidades que nos agradam, tudo que estiver passando por transformação regulatória e tecnológica se traduz em um aumento de players e crescimento acima de média, tudo isso nos interessa. Mas a Dimensa vai avaliar a capacidade que teria nesses segmentos e a disponibilidade de ativos.

IN$ – O IPO da Dimensa sai até 2024? Como isso beneficiará a companhia?

Dennis Herszkowicz – Impossível fixar um prazo. Vai ser diretamente proporcional ao nível de competência na execução desse planejamento. Quanto mais rápido e quanto mais bem feita for a execução do plano, mais rápido vai se abrir a janela para um IPO.

Sobre as vantagens, toda companhia que faz IPO atinge um grau de maturidade corporativo, ela conquista uma solidez do ponto de vista de governança, passa a ter uma marca empregadora mais forte, além de reforçar ainda mais o balanço. Todos esses são itens que ajudam no crescimento de uma empresa.

IN$ – O IPO tem o objetivo de captar recursos para novas operações de M&A?

Dennis Herszkowicz – Essa é uma das grandes vantagens que a Dimensa teria, então depois que a companhia tiver feito essa primeira etapa de crescimento, se tiver sido bem sucedida em gastar esse dinheiro que está sendo aportado agora, o IPO surge como uma alternativa importante para levantar mais recursos e poder fazer um novo ciclo de fusões e aquisições.

IN$ – A Dimensa saiu do guarda-chuva da Totvs. Para o investidor de TOTS3 quais os impactos?

Dennis Herszkowicz – Basicamente duas questões, a primeira é que toda vez que você faz uma operação desse tipo tem a possibilidade de destravar valor.

Então muitas vezes as empresas que ficam grandes como é o caso da Totvs acabam chegando em situações onde você tem ativos que não necessariamente estão conseguindo gerar todo o valor que eles poderiam e quando você faz uma operação como a da Dimensa você está destravando esse valor. Esta é a primeira vantagem que um investidor de Totvs terá com a criação dessa nova companhia.

O segundo benefício é que a Totvs está sempre buscando maneiras criativas de destravar valor nas suas unidades, quando isso ocorre pela primeira vez, com um acionista de peso como a B3, serve com um piloto para novas operações deste tipo. A Dimensa não foi a primeira, nem será a última.

IN$ – Está nos planos da Totvs tirar outras unidades do seu guarda-chuva para destravar valor?

Dennis Herszkowicz – Não podemos adiantar isso ainda, mas posso dizer que a gente passa todos os dias pensando nessas possibilidades e como fazer o destravamento de mais valor dentro da Totvs.

Se olhar na história recente da companhia, tentamos fazer isso de diversas formas seja vendendo operações, com parcerias estratégicas ou aquisições de empresas e agora estamos usando uma ferramenta diferente com a entrada de um acionista novo. Esse tema de destravamento de valor é um pilar fundamental e estratégico para a Totvs.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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