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Finanças

4 investimentos seguros para dormir tranquilo em tempos de pandemia

Com o estresse no mercado, conheça alguns investimentos em renda fixa que oferecem boas oportunidades e segurança na hora de investir.

Publicado

em

por

Katherine Rivas
Investimentos
Crédito: Shutterstock

Investir durante a pandemia da Covid-19 é um desafio para alguns. Para outros, oportunidade. Com a Selic em 3% e o Banco Central anunciando um possível novo corte de 0,75 ponto percentual, muitos investidores tentaram migrar para a renda variável em busca de rentabilidade. Mas o cenário interno conturbado e crises políticas fizeram o Ibovespa voltar a ficar volátil, deixando ainda mais inseguros os novatos do mercado financeiro. Muitos que tentaram ingressar no mundo dos investimentos se perguntaram: E agora? Onde investir meu dinheiro com segurança e obter um pouco de rentabilidade?

Se você, investidor, estava quase jogando a toalha, fique tranquilo. Ainda há opções para dormir tranquilo. Pelo menos é o que explica Igor Ghellardi Cruvinel, sócio diretor de investimentos da Doc Concierge, que enxerga na crise uma boa oportunidade para ganhar dinheiro na renda fixa. Ele reconhece que, há um ano, a renda fixa deixou de ser uma opção com boa rentabilidade.

“Investimentos atrelados ao CDI antigamente entregavam, por exemplo, 15% de rendimento. Com a Selic em queda livre, os mesmos títulos devem entregar entre 2% e 3%”, explica. No entanto, ele Cruvinel afirma que o pânico gerado no mercado traz novas oportunidades para outros ativos da renda fixa. É o caso do Tesouro Selic, Tesouro IPCA, e o Tesouro Prefixado.

“A Selic está pouco atrativa, mas tem o IPCA e o prefixado, que em 2019 estavam rendendo cerca de 4%, e agora estão pagando 8% para o prefixado e para o IPCA quase 5%”, aponta Ghellardi e justifica que, com o estresse do mercado financeiro, o governo precisa emitir mais títulos públicos com boa rentabilidade e tornar estes mais atrativos. Eis que surge uma boa oportunidade para quem quer investir na renda fixa de olho no longo prazo.

Já Damont Carvalho, gestor de fundos multimercado macro da Claritas Investimentos, acredita que tudo passa por uma questão de adaptação, já que a Selic deve sofrer ainda mais cortes, entre 0,50 e 0,75 ponto porcentual. No entanto, o mundo inteiro passa também por uma onda de juros baixos e forte volatilidade nas bolsas, deixando espaço a renda fixa mesmo no curto prazo. “Ainda é possível gerar retorno na renda fixa em até dois anos”, comenta.

Primeiros passos

Antes de entrar na corrida dos investimentos, é importante ter uma reserva de emergência para momentos de crise como agora. No entanto, Ghellardi esclarece que não é possível utilizar títulos públicos com este fim, nem pensar em ganhar dinheiro com a reserva em tempo de juros baixos. A escolha dos investimentos para a reserva de emergência segue a dinâmica de zero risco e rendimentos que acompanhem a Selic. “Para reserva de emergência vejo apenas três opções: poupança, CDB pós fixado atrelado ao CDI (com liquidez diária) e Tesouro Selic”, aponta.

Para Damont, a escolha dos títulos para a reserva de emergência depende do perfil do investidor, que pode ser conservador, moderado ou arriscado. Contudo, acredita que no cenário pós-pandemia a reserva de emergência se tornará um item importante, por causa do cenário de incerteza que vivemos com menos emprego e renda.

Onde investir

O InvestNews conversou com Igor Ghellardi, sócio diretor de investimentos da Doc Concierge e Graziela Fortunato, especialista em finanças e professora da IAG-Escola de Negócios da PUC-Rio, para identificar quais investimentos ainda são seguros e rentáveis durante a pandemia da Covid-19, para quem está de olho em segurança.

1 – Títulos Públicos

O Tesouro Direto oferece hoje três alternativas para investir:

  • Tesouro Selic: acompanha a variação da taxa Selic até o momento do vencimento.
  • Tesouro IPCA: paga a variação da inflação (IPCA) mais uma taxa de juros.
  • Tesouro prefixado: você já sabe qual será o retorno no momento da compra do papel.

Graziela Fortunato explica que o Tesouro Direto é um investimento muito seguro, porque as chances de o governo dar um calote são quase nulas. No entanto, para conseguir uma boa rentabilidade agora, a especialista não recomenda comprar o Tesouro Selic, que atualmente tem um retorno muito baixo, de quase 3%. Já nos prefixados é possível encontrar taxas de até 7% e, no Tesouro IPCA, também há boas chances de rentabilidade.

O risco de não receber o retorno combinado só existe se você resgatar o papel antes do vencimento. “O prefixado tem o risco de a taxa Selic subir muito. Imaginemos que a Selic volte ao pior dos cenários, a 15% ao ano, e você comprou um título do Tesouro a 7%. Vai ter que carregar esta rentabilidade por 5 anos. Ou vender o título”, explica Graziela. No Tesouro IPCA, o risco seria parecido porque acompanha a inflação. No entanto, para quem investe em título público hoje, estas são as melhores alternativas.

2 – CDBs

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que é quando o investidor empresta dinheiro para o banco e recebe juros como pagamento, também são uma boa alternativa para quem quer investir a longo prazo na renda fixa. Eles são cobertos em até R$ 250 mil pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), uma espécie de “seguro” do investidor. Mas é preciso ser seletivo na hora de escolher a rentabilidade. Segundo Ghellardi, grandes bancos por exemplo, não oferecem boa rentabilidade. O jeito é ficar de olho nos CDBs de instituições financeiras de pequeno e médio porte, que são encontrados em corretoras.

Mas é importante ficar de olho nas avaliações de risco que devem ser AAA ou próximas a esta. E sempre optar por comprar um título de um banco que é bom pagador, mesmo que com rentabilidade menor. Em grandes bancos, por exemplo, é raro obter uma taxa acima de 100% do CDI. Já em bancos menores é possível encontrar retornos até 150% do CDI.

3 – LCI e LCA

Diferentemente dos CDBs, os títulos LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) são isentos da cobrança do Imposto de Renda, que varia entre 22,5% e 15%, a depender do prazo do investimentos. É importante ficar de olho na rentabilidade oferecida, porque na hora de comprar um CDB com 100% do CDI ou um LCI com 87% do CDI, o rendimento líquido (descontadas as taxas e impostos) pode ser semelhante. Neste caso, os especialistas aconselham ter estes investimentos para diversificar a curto prazo a carteira de renda fixa. LCIs e LCAs também são cobertos pelo FGC em até R$ 250 mil por CPF.

4 – Debêntures de empresas sólidas

As debêntures emitidas por algumas empresas também são uma boa alternativa para investir na pandemia. Segundo Ghellardo, durante a crise muitos títulos públicos foram penalizados, deixando espaço para títulos de dívida corporativa se tornarem mais atrativos. Mas para correr menos riscos, é recomendável optar por debêntures de empresas mais sólidas e que pagam boas taxas. Um exemplo é o título de dívida da Petrobras (PETR4).  

Porém, é importante ficar de olho nas informações das empresas e na rentabilidade oferecida. Uma opção, por exemplo, é ficar atento as classificações de risco que devem ser AAA ou AA. “Nunca compre um debênture que não possua classificação, a não ser que seja de uma empresa conhecida como a Petrobras. Se não tiver avaliação, o melhor é ficar de fora”, aconselha Ghellardo.

No site de cada empresa, na seção de Relações com Investidores é possível encontrar informações que ajudam na tomada de decisão. Ou ler os balanços da empresa para entender se tem liquidez de pagamento ou captação de crédito. Empresas com boa capacidade de crédito são sempre confiáveis. Outra característica de uma empresa que costuma ser boa é quando esta tem ações negociadas no exterior.

 Outras opções

Se você nunca investiu, mas quer sair da poupança durante a pandemia, Ghellardi aconselha as seguintes opções:

  • Curto Prazo: Fundos DI atrelados a CDI, CDB pós-fixado com liquidez diária e Tesouro Selic
  • Médio e Longo Prazo: Tesouro IPCA e prefixado, debentures, LCI, LCA e fundos imobiliários

Opções mais arriscadas

O especialista lembra ainda que quanto maior o tempo do investimento, maiores as chances de ter risco na carteira. Para quem é mais ousado, uma boa alternativa também é optar por fundos multimercados, que se beneficiaram com a crise.

“Se você é um investidor conservador, tenha 20% deste tipo de fundo, para os moderados e arrojados a dica é 30%”. Para aqueles que já investiam na renda fixa, a recomendação é tentar arriscar uma pequena porcentagem na renda variável, como ações, de até 10%. “Lembrando que é mais fácil entrar com a Bolsa em 77 mil pontos do que em 120 mil pontos”, conclui.

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