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Finanças

BlackRock embarca em onda de IA e vê tecnologia como ‘megaforça’

A gestora já possui mais de 7% das ações da Nvidia.

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A BlackRock (BLAK34) aposta no “boom” da inteligência artificial diante da promessa de ganhos de produtividade com a tecnologia.

A maior gestora de ativos do mundo acaba de divulgar uma projeção otimista para o setor, na esteira de um forte rali impulsionado pela IA que já conduziu o índice Nasdaq 100, com forte peso de tecnologia, ao melhor desempenho já registrado em um primeiro semestre. A gestora destacou fabricantes de semicondutores, empresas com grandes volumes de dados ou alto potencial de automação como as mais prováveis de se beneficiar.

“Implementamos um ‘overweight’ para IA como uma megaforça”, disse o braço de pesquisa da BlackRock em relatório semestral publicado em 28 de junho. “Novas ferramentas de IA podem analisar e desbloquear o valor da mina de ouro de dados de algumas empresas.”

BlackRock
Edifício da BlackRock, em Nova York (EUA) 16/07/2018 REUTERS/Lucas Jackson

Os estrategistas da gestora ainda esperam uma recessão leve este ano e, portanto, um recuo de curto prazo das bolsas de países desenvolvidos. A BlackRock argumenta que os preços das ações não estão baixos o suficiente para refletir os riscos, embora esteja comprando papéis do setor de tecnologia de forma seletiva, acompanhando o rali de quase 40% do Nasdaq 100. A gestora já possui mais de 7% das ações da Nvidia (NVDC34).

“As ações de mercados desenvolvidos continuam sendo, de longe, o maior alicerce de nossos portfólios, especialmente ações dos EUA, mesmo quando as colocamos ligeiramente ‘underweight’. “Um investidor de longo prazo pode ignorar alguns dos problemas de curto prazo.”

Jean Boivin, Wei Li e Vivek Paul EM relatório

Muitos investidores haviam se posicionado para uma crise de crédito no início deste ano, dado o colapso dos bancos regionais dos EUA e uma curva de juros dos Treasuries profundamente invertida após uma política agressiva de aperto monetário do Federal Reserve. Em vez disso, os dados econômicos e os lucros corporativos se saíram melhor do que o esperado, e então a IA entrou em cena para puxar a retomada das ações.

“Esses ganhos mascaram uma forte divergência no desempenho, com muitas ações ficando atrás do índice mais amplo”, disse o relatório da BlackRock.

“Os ganhos do S&P 500 tornaram-se cada vez mais concentrados em um grupo de ações de tecnologia. Acreditamos que esse mercado acionário atípico mostra que uma megaforça como a IA pode ser uma grande impulsionadora de retornos, mesmo quando o ambiente macro não é seu amigo.”

Títulos de curto prazo

A BlackRock prefere os títulos de curto prazo dos EUA para rendimentos, já que os juros provavelmente permanecerão altos por algum tempo. A gestora projeta que o Federal Reserve vai subir as taxas para 5,75% e mantê-las nesse nível até o segundo semestre de 2024.

A empresa espera que o banco central mantenha a política apertada no longo prazo, em uma “mudança radical” em relação ao período pré-pandemia, para lidar com pressões inflacionárias persistentes. Estas serão alimentadas por restrições de oferta, envelhecimento da população e a transição para uma economia de baixo carbono, o que levou a gestora a se posicionar com um “overweight máximo” estratégico em títulos indexados à inflação.

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Logotipo do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, Estados Unidos. 4 de setembro de 2018. REUTERS/Yuri Gripas

A empresa alertou sobre “recessões de pleno emprego”, já que a economia agora é dominada por gargalos de oferta, e não pelas restrições de demanda do passado. Com a redução da oferta de mão de obra em algumas economias, o baixo nível de desemprego não é mais um sinal de saúde, afirmou.

“A ampla escassez de trabalhadores pode criar incentivos para que as empresas os mantenham, mesmo que as vendas caiam, por medo de não conseguir contratá-los de volta”, disse o relatório. “Isso pode ter um impacto maior nas margens de lucro corporativo do que no passado, à medida que as companhias mantêm o emprego, criando um cenário difícil para ações dos mercados desenvolvidos.”

Apesar de todos os obstáculos, a BlackRock avalia que o novo regime macro oferece muitas oportunidades, desde que os investidores sejam seletivos entre as classes de ativos e aproveitem as mudanças estruturais, como a expansão da IA, a descarbonização e o crescimento dos empréstimos diretos privados.

“Acreditamos que as exposições amplas nas classes de ativos não fornecerão mais os retornos do passado. Os investidores podem encontrar oportunidades ao se tornarem mais granulares”, afirmou a gestora. “Megaforças estão moldando o regime macro – e as oportunidades de investimento. Aproveitar as megaforças requer avaliar continuamente o que os mercados precificaram.”

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