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Finanças

Crise hídrica: ações de energia solar e eólica são a ‘bola da vez’?

Especialistas analisam momento atual para as ações de empresas do setor e projetam o que esperar em um cenário de falta de chuvas.

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Planta de energia solar

A crise hídrica, a maior dos últimos 91 anos no país, ganhou um novo sinal de alerta: a bandeira tarifária escassez hídrica, que deixou a energia ainda mais cara. Neste cenário, empresas do setor elétrico da bolsa de valores foram afetadas, mas companhias de energia solar e eólica passaram a ganhar força, uma vez que o segmento tem sido alvo também de empresas de capital aberto e vêm ganhado a atenção de investidores.

Henrique Garcia, analista de investimentos e head de mercado de capitais do grupo Eu Me Banco, avalia que o cenário de crise hídrica é preocupante, pois engloba diversas fatores, desde questões como desmatamento da Amazônia e efeito climático até a má gestão das empresas que cuidam da geração de energia.

Ele lembra que o país já passou por crises parecidas em 2001 e 2014 e que, na crise atual, as instituições competentes não tomaram medidas preventivas. “Há um conjunto de fatores interferindo”, aponta.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destaca a crise hídrica como um problema antigo no país, assim como a falta de preocupação com a questão. Cruz aponta ainda que a matriz energética é lembrada pelo lado bom, por ser limpa, mas é muito concentrada e que, em eventuais problemas climáticos, o país fica na “beira do precipício”, sem ter muito o que fazer.

Fontes alternativas de energia na crise hídrica

No cenário de crise hídrica, as fontes sustentáveis de energia podem ser uma alternativa para o Brasil. O país possui os maiores parques eólico e solar da América Latina, localizados no Piauí.

O relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), que representa os produtores de energia do vento, também projeta o Brasil como o carro-chefe do setor na América Latina, puxando ao menos 37% da expansão até 2025. O levantamento mostra ainda que o Brasil mantém com folga a liderança latino-americana e que o país é o sétimo colocado no mercado global.

Porém, o setor ainda “engatinha” no Brasil. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a contribuição da fonte solar no sistema energético nacional ainda é pequena, representando 1,7% da oferta de eletricidade em 2020.

Garcia explica que a tendência é observar empresas buscando essas novas fontes, eólica e solar, porém, elas ainda têm um custo muito alto para ter um processo mais rápido e maior concentração no país. Por isso, segundo ele, é algo para ser visto com força no Brasil apenas no longo prazo.

Tendência esta defendida também por Cruz. Segundo o estrategista da RB Investimentos, as empresas grandes têm capacidade de entrar e atuar neste segmento, mas é algo que não se consegue fazer de um ano para outro.

“É um processo lento. Tivemos uma crise forte em 2001, 2014 e agora em 2021. Diminuiu o tempo de anos entre as crises. Acredito que as empresas podem estar pensando que daqui a uns 7 anos haverá grandes chances de novos efeitos climáticos e pensarem em buscar novas fontes”, afirma.

É hora de investir em ações de energia alternativa?

Crise hídrica: painéis em planta de energia solar.

Na bolsa brasileira, empresas de energia estão buscando ampliar suas atuações em parques eólicos e solares.

Um dos exemplos é a AES Tietê (AESB3), que fabricava energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas e passou a montar parques de geração de energias eólica e solar.

Outros casos são: a Omega Geração (OMGE3), que possui ativos operacionais hídricos, eólicos e solares; a Focus Energia (POWE3), que realizou uma oferta inicial de ações em fevereiro levantando cerca de R$ 765 milhões para investimento em instalações de geração de energia solar e a Renova Energia (RNEW4), que tem pelo país projetos de energias solar e eólica, além de pequenas centrais hidrelétricas.

Existem ainda as empresas que não são diretamente ligadas ao setor de energia, mas que atuam de forma indireta no segmento de fontes alternativas, como a Aeris (AERI3), fabricante de pás para geradoras de energia eólica, e a WEG (WEGE3), que passou a fornecer maquinário para projetos de energia solar e eólica.

Garcia explica que o setor de energia é muito forte e que, desde o começo do ano, com as preocupações sobre a crise hídrica, alguns papeis do setor já estão descontados.

Ele ressalta, no entanto, que, para quem quer investir no setor, é importante dividi-lo em 3 subcategorias: geração, transmissão e distribuição, pois o impacto da crise hídrica em cada uma dessas subcategorias é diferente.

Segundo o analista, hoje, as empresas mais impactadas pela falta de chuvas são as distribuidoras, pois existem leis que protegem o consumidor. Ou seja, caso ele não pague a conta, não terá a energia imediatamente suspensa. Assim, essas empresas sofrem com o risco de inadimplência do consumidor final, bem como também da diminuição da demanda.

Já as empresas de geração têm contrato de longo prazo, assim possuem previsibilidade de caixa, tendendo a ser menos afetadas.

 Por fim, as transmissoras são as mais seguras das três categorias, segundo Garcia, pois são atreladas a algum índice inflacionário e têm uma segurança maior na hora do recebimento.

“O primeiro ponto é o investidor identificar em qual dessas categorias a empresa se encaixa. Assim, é possível mitigar o risco de investir no setor”, orienta.

Ele alerta ainda que empresas voltadas para usinas hidrelétricas, em cenários de crise, passam a ter custos mais altos. Já as voltadas para energias solar e eólica acabam ficando mais atrativas para o mercado, tendo desempenho melhor em períodos de crise.

“Aeris e Omega são duas empresas que vejo com bons olhos para o investidor que pensa em diversificar. Elas tendem a ter melhor desempenho por estarem diretamente ligadas a esses movimento solar e eólico, além de poderem ter crescimento maior do que as que têm parte da sua receita ligada ao sistema hidrelétrico”, afirma.

Cruz explica que a ação da Omega ainda tem espaço para valorização e que, quanto mais a crise hídrica agravar, empresas como ela vão ganhar.

Energia renovável  é uma tendência no mundo e tem papéis que são para tendências de longo prazo para os processos acontecerem, como as energias solar e eólica. Companhias que fazem parte disso, ganham destaque e são menos afetadas. Não quer dizer que o próximo ano será maravilhoso para elas, mas serão menos impactadas”, explica.

Em relação à WEG, Cruz aponta que a empresa tem outros vetores, como muita demanda externa, que podem acabar afetando a ação da empresa.

“Com receio do cenário crise hídrica, investidor que quer se posicionar nestas empresas voltadas ao segmento solar e eólico, eu focaria nas elétricas,  como a Omega, por exemplo. WEG é uma empresa muito grande para acreditar que isso vai impactar muito mais que o resto que é vetor para a empresa. Ela já é considerada uma empresa defensiva”, pontua.

Ele, no entanto, faz um alerta para 2022, apontando para a possível volatilidade em razão das eleições, o que precisa ser mais um ponto de atenção dos investidores ao pensar em investir nestas companhias. Provavelmente, muita gente vai sair da bolsa e esperar passar as eleições e decidir no fim do ano se retorna ou não”, diz.

O head de mercado de capitais do grupo Eu Me Banco também alerta que o país ainda está em um momento delicado, conturbado e notícias podem surgir e acabar impactando os preços destas ações na bolsa de valores.

“Acredito que boa parte delas deve se recuperar lá na frente, mas ainda aguardaria um pouco mais para ver como mercado vai reagir com a crise hídrica. Se não voltar a chover, nem encher os reservatórios e for preciso medidas radicais, o preço das ações destas empresas tendem a se desvalorizar um pouco mais”, destaca.

“Agora, se houver notícias de melhora, já pensaria em comprar esses papéis, pois acredito que valorizaria e pararia com a tendência de queda. Mas, com rumores, precisa ter cuidado”, orienta Garcia.

Ele também alerta que, antes de fazer qualquer investimento nestas companhias, o investidor precisa entender também qual é o seu objetivo e estratégia de investimento, pois isso afeta diretamente a rentabilidade.

O que esperar da energia alternativa nos próximos anos?

Garcia explica que, no Brasil, ainda são poucas as empresas que estão investindo fortemente em energia eólica e solar, diferentemente do exterior. Porém, ele lembra que, por ser um serviço essencial, o segmento tende a crescer, aliado às preocupações com o meio ambiente ganhando cada vez mais força, em especial no cenário corporativo.

“Essas empresas que atuam com energia solar e eólica estão conseguindo se sair um pouco melhor e tendem a ter um desempenho superior nos próximos anos do do que as que só atuam na parte hidrelétrica. Acredito que daqui uns 2 anos, 3 anos ou mais, empresas que passarem a ter mais parques eólicos ou usinas solares vão se destacar no mercado”, diz o analista.

Já Cruz lembra que, devido às questões meteorológicas, a tendência é que esse setor seja muito procurado. “Mesmo que tenha uma melhora na questão hídrica, algumas empresas estarão pressionadas, enquanto que a Omega, por exemplo, que tem pouco de hidrelétrica, não será tão afetada assim, por isso ela se destaca, mesmo com o cenário se normalizando, pois não está tendo que operar mais apertada”, afirma.

Riscos no setor?

Garcia explica que, independentemente de a empresa ser voltada a parques de energia eólica ou solar ou usina hidrelétrica, todas as companhias listadas na bolsa de valores têm algum risco, por se tratar de investimento de renda variável.

Segundo ele, o que o investidor consegue fazer é minimizar risco, com maneiras preventivas, como, por exemplo, fazer diversificação entre as companhias, escolhendo aquelas que tenham maior solidez e volume de caixa.

Já Cruz aponta que o maior risco de curto prazo para empresas voltadas às energias solar e eólica seria se tivesse uma melhora muito forte da questão hidrológica no país.

“No longo prazo, é bom acompanhar, por exemplo, a discussão da privatização da Eletrobras, se terá concorrência maior ou menor. Quando empresas têm posição mais dominante em um negócio, mais elas se beneficiam”, destaca.

Ele ainda aponta que esse movimento pode estimular a entrada de novas empresas do setor na bolsa de valores, impulsionadas também por um aumento de investidores na renda variável.

“Antigamente, era preciso muito para uma empresa entrar na bolsa. Hoje em dia, um IPO de R$ 500 milhões é algo que está se tornando mais comum, pois tem interesse, pessoas estão investindo mais em renda variável e isso também foi uma janela feita nos últimos anos”, diz Cruz.

Ele alerta, no entanto, que se o cenário apontar para piora, com  juros subindo, essa janela fica mais apertada e complicada para novatas na bolsa.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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