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Finanças

O risco político acabou? Como proteger sua carteira da turbulência

Segundo especialistas, apesar da trégua política, o 7 de setembro foi uma previa do que o mercado pode esperar do ano eleitoral.

Publicado

em

por

Katherine Rivas

Nos últimos dias, a bolsa oscilou como uma montanha russa, reagindo à tensão política resultante de conflitos entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ibovespa chegou a bater a mínima desde março, de 113.325 pontos, para depois saltar mais de 2%, após nota do presidente adotando um tom conciliatório entre os Poderes. Com este aceno de paz, o risco político passou? Ou os investidores ainda podem ver mais volatilidade?

Para entender este cenário e mostrar caminhos de como preparar a carteira para turbulências na política, o InvestNews consultou diversos agentes de mercado. Veja a seguir:

O risco político acabou?

Embora Bolsonaro tenha declarado trégua, influenciado pelas pressões do mercado e os conselhos do ex-presidente Michel Temer, o consenso dos especialistas é de que o risco político no Brasil não foi embora.

Para Alison Correia, CEO da Top Gain, o risco político está longe de ter acabado, ainda mais quando envolve o presidente Jair Bolsonaro. Para Correia, a reação do presidente não representou sua real intenção. “Bolsonaro sofreu pressões de todos os lados e sentiu o peso de se isolar em relação aos outros Poderes, ainda mais porque no Brasil os Poderes são pulverizados”, aponta.

Correia explica que, para sair vitorioso na empreitada, Bolsonaro precisaria de um apoio que hoje não tem. “As pesquisas deixam isso muito claro: 20% de apoio é barulhento, mas ainda é minoria”, diz.

Para o CEO da Top Gain, esta trégua política seria uma espécie de cortina de fumaça para acalmar o mercado. Segundo ele, provavelmente o presidente sofreu pressão de governantes, do próprio Paulo Guedes, que estava debatendo a aprovação dos precatórios e até dos processos inflacionários com reclamações dos caminhoneiros.

Correia descarta o impeachment, mas aponta que estamos longe de um cenário mais calmo apenas pelo fato de Bolsonaro ter pedido desculpas.

Para Rodrigo Natali, diretor de estratégia da Inversa, no curto prazo o mercado respirou um pouco com a declaração do presidente, mas ele defende que a postura conciliadora está sendo mal interpretada pela maioria dos investidores.

De acordo com Natali, o verdadeiro conflito é que os tumultos políticos provocados com Bolsonaro tiraram atenção de outros conflitos na economia e política brasileira, o protagonismo do Congresso por exemplo, em aprovar reformas, foi deixado de lado.

“Com a briga entre Bolsonaro e o Judiciário, qualquer notícia vinda do Congresso era ignorada pelo mercado”, aponta. A reforma tributária e o debate dos precatórios, por exemplo, ficaram em segundo plano segundo Natali.

Após a carta do presidente, o Brasil trocou um problema por outros, deixando espaço para pautas do Congresso como teto de gastos voltarem à equação. Contudo, Natali aponta que após o 7 de setembro o Brasil nunca mais será o mesmo. “Demos uma pausa na polarização, mas já deu para o investidor ter uma ideia do futuro, e de como o mercado vai se comportar no ano eleitoral”, defende.

Para Natali nada é garantido, e esta pausa na política pode levar dias, semanas ou meses, mas o investidor passa a enxergar o risco de mercado desde outra perspectiva. “O prêmio de risco não vai diminuir e será uma janela para muita gente reduzir posições”, aponta.

Isso não significa que o investidor deva sair vendendo tudo. Segundo Natali, é preciso comprar ativos defensivos na carteira, com exposição cambial para encarar qualquer volatilidade. “Afinal nunca se sabe se daqui há 2 dias o presidente muda de opinião e assume uma postura agressiva novamente”, reforça.

Felipe Paletta, analista da Monett, aponta que para o Brasil será muito difícil se afastar do risco político, principalmente perto do ano eleitoral, onde pautas populistas podem ganhar espaço.

Segundo o analista, o mercado já vem pressionado há alguns meses, caindo mais de 5% em 2021, enquanto o índice americano S&P 500 já subiu mais de 20%.

Paletta acredita que mesmo com a politica em trégua, há outras questões que podem afetar os mercados, como o avanço da inflação, a taxa de juros em alta, somado a reforma tributária e os impactos nos investimentos. Ele afirma que, apesar dos bons resultados corporativos no segundo trimestre, estes fatores aumentam a incerteza e também afastam os investidores estrangeiros.

Na contramão, ele ainda vê uma janela de oportunidade para comprar ações baratas mas com bons fundamentos, isso porque a queda da bolsa nos últimos dias deixou muitos ativos descontados. “Uma oportunidade de curto prazo para os investidores”, diz.

Hora de proteger a carteira de olho nas eleições de 2022?

Ano eleitoral sempre é um período marcado por muita volatilidade, principalmente na renda variável. A maioria dos especialistas consultados pela reportagem acredita que já está na hora de tomar uma atitude um pouco mais defensiva nos investimentos.

Felipe Ferreira, diretor da Comdinheiro, aponta que não é o momento do investidor alçar grandes voos na sua estratégia, nem tentar acertar uma carteira ótima mas sim optar por ativos resilientes caso o risco venha a se agravar. “É bom ter uma carteira com um nível elevado de caixa”, diz.

Natali, da Inversa, cita que ter uma postura defensiva ao risco é importante, principalmente em cenários de volatilidade como os atuais.

De acordo com ele, as altas nos juros futuros sentidas no Brasil nos últimos dias representam um mercado em pânico. Nos principais dias do “Risco-Bolsonaro“, os juros DI 2023 chegaram a bater 10,25%, no momento de maior tensão, para recuarem depois para 9,78%.

“Tem instituições financeiras que já projetam a Selic em 10% ao ano até o fim de 2021 e o IPCA em 8,8%”, alerta.

Para ele, embora existam ações baratas, está na hora do investidor ser responsável. “O segredo do sucesso no mercado é fazer as coisas antes que os outros. Então é melhor proteger a carteira agora do que esperar o dólar chegar a R$ 6“, afirma.

Natali reforça que se o investidor tem uma posição em um ativo que pode não suportar a volatilidade é melhor reduzir posição e acrescentar uma parcela dolarizada no seu portfólio.

Já Paletta tem uma visão totalmente diferente e acredita que é muito cedo para assumir uma posição defensiva de olho nas eleições 2022, até porque não foi definido ainda quem vai concorrer para presidente.

Para o analista o momento é de usufruir das pechinchas do mercado, mas se posicionando em companhias que possam se beneficiar do ciclo de recuperação econômica doméstica.

“Existem formas inteligentes de proteger a carteira sem mudar drasticamente o perfil das empresas que colocamos no portfólio”, defende.

Quais os melhores ativos para proteger carteira?

Com visões e perspectivas diferentes, reunimos as recomendações de cinco especialistas consultados pelo InvestNews sobre onde investir para proteger sua carteira de riscos políticos e das eleições em 2022. Sem deixar usufruir claro das oportunidades do momento.

Rodrigo Natali, diretor de estratégia da Inversa

Segundo Natali, as melhores alternativas para dolarizar e proteger a carteira neste cenário é investir em ações de companhias exportadoras, como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3).

Para aqueles investidores que se sentem mais confortáveis com uma cesta de ativos, ele cita o ETF MATB11, que replica a performance do índice de Materiais Básicos, com ações dos setores de mineração, papel & celulose e siderurgia.

Natali também cita um ativo da renda fixa para se beneficiar da alta da inflação e dos juros. É o Tesouro IPCA+ 2026, que atualmente está entregando aos investidores o rendimento do IPCA + 4,65% de juros.

Já entre os ativos que devem sofrer no ano eleitoral, ele cita as small caps e os fundos imobiliários, com os que o investidor deve ficar atento, principalmente pela necessidade de liquidez para movimentar seus ativos.

Vitor Viga, sócio e assessor da Monet Investimentos

Segundo Vitor Viga, hoje existem diversas alternativas para fugir do risco Brasil. Uma delas é investindo em ativos no exterior que não sofrem com interferência do nosso cenário político.

Ele cita os fundos multimercados globais e os ETFs (fundos de índice). Na bolsa de valores é possível encontrar uma ampla gama de ETFs e muitos deles replicam índices do exterior.

Viga também aponta os BDRs (recibos de ações no exterior) como uma opção interessante, com eles o investidor consegue dolarizar a carteira e fugir do risco Brasil, aplicando em grandes companhias como Facebook, Amazon, entre outros. Desde outubro do ano passado, é possível investir diretamente em BDRs por meio da B3.

“Ter uma carteira com exposição a outra economia faz muito sentido para diversificar a carteira e fugir do risco político”, diz.

Segundo o assessor da Monet Investimentos, para quem prefere uma opção mais caseira, outra alternativa seria aproveitar da pressão na curva de juros, que deve aumentar as taxas dos prêmios para fazer uma migração para ativos de renda fixa.

Ele explica que após os conflitos políticos é possível que muitas pautas importantes para a economia não avancem, em consequência os juros devem continuar subindo. “Investir em papéis como debêntures, CRIs e CRAs é uma boa alternativa”, afirma.

Olhando especificamente para a bolsa de valores e o investimento em ações, Viga enxerga oportunidade em ações exportadoras, que têm seu caixa dolarizado, além de companhias de energia que atuam na transmissão, e tendem a sofrer menos em cenários de volatilidade.

Ele também vê com bons olhos companhias que tem múltiplas vias de negócios, como as locadoras de veículos que geram receita com vendas, aluguel e podem entregar retornos atrativos.

Já entre os setores na bolsa que é melhor o investidor passar longe, ele cita o varejo e as empresas estatais, que tendem a sofrer mais no ano eleitoral com possível interferência política e práticas populistas.

Filipe Ferreira, diretor da Comdinheiro

Para Ferreira, neste cenário de risco, a melhor alternativa é optar por proteção e caixa. Ele enxerga como boas oportunidades títulos bancários (CDBs) com boa classificação de risco, e títulos do Tesouro pós-fixados.

Na renda variável, Ferreira aconselha montar uma carteira focada em dividendos, com companhias que sejam menos impactadas pela economia ou a política, neste contexto o investimento em ações de bancos e transmissoras de energia seria uma ótima opção, segundo ele.

Alison Correia, CEO da Top Gain

Para Correia, com a proximidade das eleições 2022 não é o momento ideal para o investidor se posicionar, por acreditar que as coisas ainda estão muito inflamadas e devem continuar assim no próximo ano, com Bolsonaro sentindo uma possível derrota.

Ele aponta que o ideal é construir uma carteira que possa se beneficiar em um cenário de incerteza, migrando alguns ativos para a renda fixa, gerando uma boa reserva e também dolarizando uma parte dos investimentos. Veja aqui algumas opções para dolarizar a carteira.

Felipe Paletta, analista da Monett

Para Paletta, as melhores opções de investimento neste cenário, com real depreciado e um ciclo de recuperação global são as ações de exportadoras como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3), que não dependem de um direcionamento político.

Já no cenário doméstico, o analista recomenda as ações de B3 (B3SA3) e Pão de Açúcar (PCAR3) que estão bastante descontadas e representam oportunidades para o investidor.

Além destas ele vê como alternativas Brasil Agro (AGRO3), SLC Agrícola (SLCE3) e companhias do setor de locação de veículos.

Na bolsa, o analista recomenda fugir de ações do setor de construção civil, que podem ser impactadas no curto prazo com a alta dos juros.

Para o investidor que prefere uma exposição a ativos no exterior, ele aconselha montar posição em mineradoras de ouro, que vão proteger o investidor do risco Brasil, além de se beneficiar com a inflação e com a forte exposição ao câmbio.

Entre as recomendações do analista estão os BDRs da Aura Minerals (AURA33) e Newmont Corp (N1EM34).

Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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