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Finanças

Carteira de investimentos: saiba como montar uma do zero

Segundo especialista, combinação de ativos depende do perfil de risco de cada investidor; saiba mais.

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Homem faz análise de investimentos

Para fazer o patrimônio financeiro crescer, investir é fundamental. Em um mercado repleto de opções, muitas dúvidas surgem ao dar os primeiros passos. Afinal, investir é algo muito particular. O que pode dar certo para um investidor pode dar errado para outro. Por isso, montar uma carteira de investimentos de acordo com seu perfil é essencial.

Alguns passos podem ajudar o futuro investidor a alcançar de forma mais assertiva seus objetivos. Flávio de Oliveira, sócio-fundador da Zahl Investimentos, explica que uma carteira de investimentos é um composto de ativos que visa atender às expectativas financeiras de um investidor.

Segundo ele, esta carteira pode ter diversos objetivos, como manter ou exponencializar o poder de compra, fazer proteção ou crescimento do patrimônio financeiro, remunerar a inflação etc. Ou seja, o objetivo da carteira está diretamente ligado às metas do investidor. “Por isso, é importante ter uma combinação de ativos que faça sentido e ajude a atingir objetivos. Não existe certo e errado, mas certas carteiras podem não acabar ajudando a alcançar determinadas metas”, esclarece.

Primeiros passos para montar uma carteira de investimentos

Para quem deseja investir, o primeiro passo recomendado por especialistas ouvidos pelo InvestNews é fazer um planejamento financeiro. A partir dele, é possível organizar as finanças, definir sua situação financeira atual, determinar objetivos, identificar o quanto se tem e o quanto é preciso ter para alcançá-los, bem como traçar suas estratégias para atingir suas metas.

A partir daí, um outro passo fundamental é montar a reserva emergência, para evitar possíveis apuros financeiros com imprevistos  que possam surgir.

Com tudo isso definido, é a hora de conseguir definir o perfil de investidor para saber o quanto está disposto ao risco, bem como encontrar ativos que podem ser mais interessantes mediante a estratégia e objetivos definidos.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), é possível considerar três perfis do investidor:

  • Conservador: é aquele que prefere não correr riscos na valorização do dinheiro que decidiu aplicar. Ele pode ter planos definidos para o uso de seus recursos, como comprar sua casa própria, ou apenas escolher esse tipo de investimento por eles terem uma remuneração confortável, mas sem grandes riscos ou regras complexas de serem entendidas e acompanhadas.
  • Moderado: é aquele que aplica uma parte dos seus recursos em investimentos com menor liquidez entendendo que os retornos financeiros nessas modalidades vêm a médio e longo prazo e que, por isso, elas apresentam um grau de risco médio em suas variações. Normalmente, como parte de sua estratégia, também aplica outro montante em investimentos conservadores, garantindo liquidez para um resgate rápido e uma boa diversificação, que é a variação dos indicadores que definem o quanto uma aplicação deve render.
  • Arrojado: é aquele investidor que aceita com tranquilidade os riscos de variação em seus rendimentos ou até mesmo alterações em seu capital investido inicialmente. Isso porque ele acredita que a longo prazo todas as movimentações trarão resultados positivos ou, pelo menos, de reequilíbrio. Ou seja, o investidor arrojado compreende que as variações fazem parte daquele tipo de investimento. Por isso, ele segue uma estratégia para trazer segurança a sua situação financeira, como também diversificar suas aplicações equilibrando com as moderadas e as conservadoras. O investidor arrojado também não precisará do dinheiro aplicado imediatamente e pode aguardar o melhor momento para resgatá-lo de acordo com os ganhos.

Alkeos Saroglou, head de alocação da Alta Vista Investimentos, alerta, no entanto, que o investidor não deve se prender de forma rigorosa a alguma destas características de investidor.

Afinal, segundo ele, não é porque a pessoa tem um perfil arrojado que ela precisará ter sempre uma carteira agressiva. Saroglou explica que os investimentos dependerão da situação atual, do momento de vida, de quanto patrimônio o investidor já tem e o quanto quer acumular, não precisando ser, necessariamente, de perfil agressivo a todo momento.

“Talvez, o investidor já tenha o suficiente para alcançar a meta desejada. Não tem por que ficar arriscando, se o objetivo já está próximo de se alcançar”, aponta.

Divisão da carteira de investimentos

O próximo passo é traçar a estratégia de investimentos e, para isso, definir alocações de acordo com seu perfil e com seu objetivo. Assim, é fundamental conhecer quais são e quais podem ser ideais para você. Porém, é preciso conhecimento, estudo, ainda mais se não se tem familiaridade com os investimentos.

Neste casos, informação e preparo são fundamentais antes de fazer qualquer investimento. Só assim, fazendo escolhas de ativos de forma mais consciente e adequada, os objetivos poderão ser atingidos de forma mais segura e, talvez, até antes do prazo determinado.

Saroglou alerta que o investidor “primeiro sempre tem que saber aonde quer chegar, por onde está indo, para, então, escolher qual tipo de carteira de investimento ter.”

Oliveira recomenda que, depois de estudar e conhecer o assunto, é interessante o investidor dividir a carteira em três grandes grupos, de forma geral:

  • 1º – quanto de dinheiro que precisa de liquidez e baixo risco;
  • 2º – qual a porcentagem do patrimônio vai para ativos que têm menor volatilidade;
  •  3º – quais ativos de renda variável que o investidor terá objetivo efetivo de exponencializar o patrimônio e tomar risco no mercado.

Após essa divisão, o investidor vai, então, efetivamente começar a escolher os produtos de investimentos. “Esse é o grande problema que o investidor tem de início. Ele começa a escolher produtos sem ter ideia de alocação. Aquele dinheiro que não deveria estar em risco acaba ficando. O valor que deveria ter liquidez não fica nela. Na hora de escolher os produtos, o investidor deveria, em tese, respeitar a alocação estratégica inicial”, destaca Oliveira.

O head de alocação da Alta Vista Investimentos alerta ainda que é preciso fazer uma boa diversificação na carteira, pois, caso contrário, se for escolhido apenas um ativo, em alguns momentos a carteira se sairá bem e, em outros, pode prejudicar o alcance dos objetivos. “Uma coisa é seu perfil, o quanto aguenta de exposição ao risco. E outra é se a pessoa fez um planejamento correto para saber o que é preciso”, alerta.

Para isso, vale lembrar que os investimentos são divididos em duas classes:

  • Renda fixa: são os investimentos em que já é possível saber antes da aplicação o prazo, índice e/ou a taxa prevista de rendimento, ou seja, já existem regras previamente estabelecidas. Fazer investimento em renda fixa é como se estivesse emprestando o seu dinheiro para uma outra parte e recebendo rendimentos por isso, como é o caso das empresas privadas, por meio das debêntures, e do governo, por meio dos títulos do Tesouro Direto. Além disso, a rentabilidade tem variação e pode ser de dois tipos: prefixado: que é quando o dinheiro investido acaba rendendo a uma taxa previamente combinada e fixa no momento da aplicação. E pós-fixado: que é quando o dinheiro investido terá rendimento de acordo com a variação de algum indicador determinado antes. Dessa forma, não há um percentual de retorno garantido.
  • Renda variável: são aqueles investimentos em que o retorno não pode ser mensurado previamente, ou seja, variações positivas e negativas podem acabar acontecendo, dependendo das expectativas do mercado. O rendimento acontece pela variação do preço de compra e venda dos ativos. Desta forma, existe a possibilidade de perder o dinheiro que foi investido.

Quanto alocar em cada ativo?

Segundo os especialistas ouvidos pelo InvestNews, uma carteira de investimentos precisa ser diversificada, ou seja, ter um pouco de cada ativo para minimizar possíveis perdas.

Além disso, eles explicam que o risco de uma carteira está ligado ao percentual destinado para cada classe de ativo que a compõe. “Uma carteira arriscada, muitas vezes, não é o que o investidor está comprando, mas, sim, o tamanho da exposição a determinado ativo. O investidor pode comprar um ativo mais arriscado, mas em menor proporção, por exemplo”, explica Flávio de Oliveira, sócio-fundador da Zahl Investimentos .

O que vai mudar de uma carteira conservadora para uma agressiva é a quantidade de ativos em cada uma. É muito comum correr mais risco do que deveria. Fazer um planejamento financeiro é sempre essencial, pois consegue entender em qual momento de vida está e aonde e como pode chegar”, afirma Saroglou.

O head de alocação da Alta Vista Investimentos aponta ainda a importância de ter uma reserva financeira para possíveis oportunidades de investimentos que podem acabar surgindo em um momento inesperado. “Oportunidades podem acontecer sem esperar e, se não tiver capital disponível, não tem como aproveitar”, ressalta.

Para Oliveira, de forma geral, para quem tem um perfil de investidor mais conservador, não deve ter mais que 10% do seu patrimônio investido em ativos de risco. Já para um investidor de perfil mais moderado, segundo ele, é possível lidar bem com até 30% do patrimônio em ativos de risco. E, nos casos do mais agressivo, são os que, geralmente, de acordo com Oliveira, toleram mais que 30% da carteira em ativos de risco. Confira a seguir:

Composição da carteira de investimentos por perfil de risco
Carteira de investimentos

Para saber quais são os principais ativos de renda fixa, de menor risco, confira a seguir:

  • CDBs: os Certificados de Depósito Bancário são aplicações de renda fixa em títulos de bancos.
  •  Debêntures: aplicações em títulos de renda fixa de empresas.
  • Tesouro Direto: são títulos emitidos pelo governo federal e existem dois tipos: os títulos prefixados, como o Tesouro Prefixado, e títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic ou o Tesouro IPCA+.  
  • LCIs e LCAs: Letra de Crédito Imobiliário e a Letra de Crédito do Agronegócio são uma espécie de empréstimo para o banco em troca de um rendimento do título. As emissões são feitas com  o objetivo de levantar recursos financeiros para empréstimos tanto para o setor imobiliário quanto para o agronegócio.
  • Fundos de renda fixa: é uma carteira de ativos que possui uma administradora que disponibiliza cotas para levantar recursos. Ao adquirir uma cota, há a formação do patrimônio do fundo, que será investido. Dessa forma, os investimentos podem ter sucesso ou não. E é isso que vai determinar a valorização ou desvalorização das cotas. Lembrando que é preciso fazer o pagamento de taxas para a gestão tomar decisões sobre os ativos.

Já entre os principais ativos de risco, estão:

  • Ações: são as mais conhecidas e as mais acessíveis ao investidor não profissional. Elas são parte de uma empresa de capital aberto, com negociação na bolsa de valores, que busca levantar recursos para financiar grandes investimentos. Ao comprar uma ação de uma empresa, o investidor se torna sócio dela. Se a empresa dá lucro e cresce, há valorização dos papéis e lucros para os acionistas, assim como  pagamento de possíveis dividendos, a depender da empresa. Os preços das ações variam de acordo com a oferta e a demanda no mercado, ou seja,  quando muitos investidores desejam comprar uma certa ação, o preço tende a subir. E vice-versa.
  • Derivativos: estes ativos são negociados na bolsa de valores e eles derivam conforme o comportamento de um outro ativo.
  • ETFs: são fundos negociados na bolsa de valores que refletem o comportamento de um determinado índice, como o Ibovespa, por exemplo. Dessa fora, ao investir em um ETF, o investidor  tem acesso à diversificação sem, necessariamente, precisar realizar aportes individuais nos ativos que fazem a composição dó índice.
  • Fundos de renda variável: assim como na renda fixa, os fundos de renda variável agregam o capital de diversos investidores que compram uma cota do fundo, com o objetivo de obter ganhos a partir dessas aplicações no mercado financeiro, por meio do trabalho de um gestor financeiro. É como se fosse uma carteira de investimentos pré-selecionada e os rendimentos são distribuídos entre seus investidores de forma proporcional. Existem diversos tipos de investimentos em fundos de renda variável, como de ações, multimercado, cambial, derivativos, por exemplo.

Com o perfil identificado do quanto você está disposto a correr risco, bem como quais investimentos podem ser interessantes para você, mediante seus prazos para os objetivos traçados.

Com o perfil identificado do quanto você está disposto a correr risco, bem como quais investimentos podem ser interessantes para aplicar, é importante também se atentar aos prazos dos objetivos traçados para fazer as escolhas de ativos:

  • Curto prazo: são recomendados ativos de baixo risco, com pouca oscilação e que tenha uma liquidez alta.
  • Médio prazo: nestes casos, mesmo sem correr grandes risco, é possível investir em ativos que possuam uma liquidez menor e uma rentabilidade maior.
  • Longo prazo: investimentos que possuam liquidez menor, rentabilidade maior e aplicações de maior risco podem ser interessantes, caso se tenha mais tempo para investir.

 Como cuidar da carteira de investimentos?

Para uma carteira de investimentos ter bons retornos e alcançar os objetivos traçados, é preciso que o investidor faça um acompanhamento dela. Afinal, mudanças podem acontecer ou ser necessárias nas buscas das metas traçadas.

Para isso, Oliveira recomenda fazer o rebalanceamento da carteira de investimentos à medida em que o investidor vai fazendo aportes, ou seja, ir reequilibrando os investimentos. Por exemplo: um investidor comprou 50% em ativos de renda variável e 50% em ativos de renda fixa. Se, depois de um mês, a carteira ficou com 45% do seu valor em ativos de renda variável e 55% em ativos de renda fixa, o próximo aporte que o investidor fará será no ativo desbalanceado, neste caso, em renda variável.

Alkeos Saroglou, head de alocação da Alta Vista Investimentos, alerta que não é interessante ficar mexendo a toda hora na carteira e que o recomendável é fazer um rebalanceamento de forma trimestral e, para acompanhar de forma mais detalhada os investimentos, a cada seis meses.

“Uma carteira de longo prazo, para 15, 20 ou 30 anos, não há necessidade de ficar olhando a toda hora, pois o investidor pode acabar se desesperando e saindo na baixa do ativo. Se ele traçou seu plano, aplicou, estruturou e não se expôs mais do que suporta e deveria em determinado ativo, não será obrigado a ter que vender. Sempre é bom olhar para o desempenho da carteira e não somente para o que está indo mal. O equilíbrio é sempre importante”, orienta.

Saroglou finaliza que o investidor deve sempre mapear o que está buscando, estudar bastante, buscar informação e saber separar por objetivos e entender o que é para curto e longo prazo. Assim, é possível montar e manter uma carteira condizente com a estratégia de investimento traçada.

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