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Finanças

Mercado não crê em impeachment de Bolsonaro, mas piora do cenário acende alerta

No entanto, analistas apontam que outros fatores estão entre os focos principais do mercado no momento.

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Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 25/03/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

O dólar subiu a R$ 5,20 e o Ibovespa caiu mais de 1% nesta terça-feira (6), dia marcado por tensões internas, com o mercado de olho em denúncias de corrupção na compra de vacinas, esquema de “rachadinhas” e queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Analistas ouvidos pelo InvestNews apontam que o cenário político piorou nos últimos dias e isso impacta os mercados. No entanto, eles ressalvam que esse não é o principal catalisador do momento. 

O governo enfrenta o avanço da CPI da Covid no Senado, que levantou suspeitas como  corrupção na compra de vacinas pelo governo. A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na semana passada a abertura de inquérito para investigar suposto crime de prevaricação de Bolsonaro. O presidente enfrenta ainda manifestações a favor do impeachment e pesquisas indicando queda de popularidade. 

No mercado financeiro, a possibilidade de impeachment de Bolsonaro segue sendo vista como remota. No entanto, o aumento das tensões políticas gera outras preocupações – que podem, sim, fazer preço por sua vez. 

“O risco político piorou por causa das novas denúncias? Sim. Sem sombra de dúvida”, comenta Alison Correia, CEO da Top Gain. “Isso acaba fazendo com que o governo perca o foco no que é necessário, que são as reformas. Todo mundo estava na expectativa de uma aceleração da reforma administrativa, de um esclarecimento da reforma tributária que foi colocada pelo Paulo Guedes, e aparentemente isso vai ficando de lado, e o mercado obviamente fica reticente.”

Além de um possível atraso nas reformas pela perda de foco, outro ponto citado é a questão fiscal. “O mercado fica preocupado, pois, com as recentes quedas de popularidade do governo, o poder Executivo tende a adotar medidas populistas, com prorrogação do auxílio emergencial até outubro e novo valor do Bolsa Família, com o governo fazendo malabarismo perigoso para financiar o programa, comprometendo uma reforma tributária eficaz e degradando ainda mais a situação fiscal do país”, comentou em relatório o analista José Falcão, da Easynvest by Nubank. 

Na mesma linha, Bruno Komura, estrategista de RV da Ouro Preto Investimentos, também cita o risco fiscal. “Provavelmente, para conseguir barrar o impeachment ou qualquer coisa nessa linha, a gente vai ver o Planalto fazendo concessões para o Centrão, e também tomando mais medidas populistas para tentar restaurar a imagem. Geralmente essas medidas vão ter um impacto no orçamento, agravar a situação fiscal”, diz ele. 

“Um ponto bastante importante é que a nossa situação fiscal está com um alívio agora porque os dados de arrecadação estão vindo positivos e acima do que era esperado, mas o nosso problema é estrutural. Ele ainda está aí. No começo do ano que vem a gente vai ver essa questão fiscal impactando o mercado novamente”, aponta Komura. 

Há ainda a questão eleitoral no radar. Pesquisas apontam que a disputa pela presidência em 2022 ficará concentrada em Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nomes vistos com preocupação pelo mercado, conforme explica Correia. 

Ele diz que a piora do ambiente político “começa a minar mais o nome do presidente Jair Bolsonaro, e isso está claro nas últimas pesquisas que saíram. Ele está no seu pior momento, tanto de aprovação quanto de desaprovação. O único páreo que tem por enquanto é o Lula, que vence dele em qualquer cenário, o que acaba fazendo com que o mercado fique reticente enquanto não aparecer uma terceira via, se é que ela vai aparecer”.

Política pesa, mas não é o principal

Bruno Benassi, analista da Levante, diz que os “ruídos políticos envolvendo o governo e a CPI no Senado, que renovou o fôlego de investigações e convocações, voltaram ao radar do mercado”, mas em “segundo plano”. Ele não é o único com essa visão. Embora o risco político tenha ganhado força no radar o mercado, analistas apontam que outros fatores estão movimentando a bolsa e o dólar com mais força nos últimos dias. 

João Beck, economista e sócio da BRA, diz que “ruídos políticos em geral contribuem negativamente”, mas acredita que “ainda é cedo pra falar num pessimismo político mais agudo”. 

Segundo ele, a queda do mercado nesta sexta está mais relacionada a fatores como a alta dos preços do petróleo por conta da indefinição da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre a produção, a nova variante delta do coronavírus e as incertezas em relação à crise hídrica. 

De maneira semelhante, Gustavo Cuencas, educador financeiro e fundador do Canal de Alta, aponta outros fatores que, em sua visão, estão pensando mais sobre o humor dos investidores neste momento, como temores sobre a tributação de dividendos e movimentos de correção por causa da alta da Selic. “Estamos com entrada de dinheiro dos investidores no país bem sólida, o que mostra confiança no nosso país”, diz Cuencas. 

Bruno Madruga, head de Renda Variável da Monte Bravo, acrescenta que dados mais fracos do que o esperado sobre o setor de serviços nos Estados Unidos também impactam o mercado neste momento. “É verdade, temos questões políticas acontecendo, mas vale muito a gente reforçar que a queda do Ibovespa não é única e exclusivamente por um movimento político, de CPI, e sim um movimento global em que a gente vê o mercado americano recuando, o mercado europeu recuando, não seria diferente para o movimento das ações da bolsa de valores brasileira.”

No mesmo sentido, Aldo Filho, analista da Aware Investments, acredita que “o cenário internacional contribui para a aversão ao risco generalizada e o cenário político nacional intensifica”. “Mas não acredito que as denúncias, até agora conhecidas, possam interferir significativamente no cenário econômico nacional”, diz ele.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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