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Finanças

Setores da bolsa que mais ‘apanharam’ saem na frente com vacina; veja quais são

Por que as ações mais prejudicadas durante a crise passaram a andar na contramão após notícias mais concretas sobre a imunização contra a covid-19.

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Um fenômeno que tomou conta das bolsas na última semana vem chamado a atenção dos investidores. Ele apareceu logo após as primeiras notícias positivas contra a pandemia, mas ganhou força recentemente: a rotação de setores. Quando o laboratório americano Pfizer anunciou na segunda-feira (9) que desenvolveu uma vacina 90% eficaz contra a covid-19, as ações dos segmentos mais prejudicados na crise  — aviação, turismo, bancos, shoppings, entretenimento e consumo interno — passaram a disparar. 

Levantamento feito pelo TradeMap com exclusividade para o InvestNews mostra que os setores da B3 que mas sofrem desde o início da pandemia são exatamente os mais bem posicionados no acumulado de novembro (confira o gráfico abaixo). É o caso do grupo “petróleo e biocombustíveis”, representado em maior parte pelas ações da Petrobras (PETR4) e BR Distribuidora (BRDT3). O segmento desvalorizava 11,74% desde o final de fevereiro, mas era líder da bolsa do começo de novembro até esta quarta-feira (11), com uma alta de 19,90%. 

setores da bolsa B3
Desempenho dos principais setores da B3 desde o início da pandemia (26/02) e no acumulado do mês de novembro.

O catalisador da alta das ações nos últimos dias é um movimento de volta à normalidade, levando os setores que estavam para trás a voltarem a andar, observa o analista da Easynvest Murilo Breder. “Apesar de o número de infecções pelo novo coronavírus estar aumentando na Europa e nos Estados Unidos, obrigando as autoridades a recolocar em vigor medidas de contenção, as perspectivas são melhores. Além da esperança concreta de uma vacina eficaz e funcional, autoridades de saúde e profissionais do setor avançaram na curva de aprendizado para lidar com o vírus”, explica.

SETORES QUE PASSARAM A SUBIR

Veja a seguir um panorama sobre os setores da B3 que acumularam perdas durante a pandemia, mas tiveram os melhores desempenhos da bolsa nos primeiros 11 dias de novembro:

SETOR PRINCIPAIS AÇÕES (mais negociadas)
Petróleo e biocombustíveisPetrobras (PETR4), Ultra (UGPA3) e BR Distrib. (BRDT3)
Setor financeiro (bancos)Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e B3 (B3SA3)
Industrial (inclui aéreas)Weg (WEGE3), Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4)
Construção civilCyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3) e MRV (MRVE3)
Agronegócio, alimentos e bebidasAmbev (ABEV3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3)
Fonte: TradeMap

Bancos e aéreas trocam direção

A rotação também acontece com as ações do setor bancário: Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) já sobem cerca de 20% em novembro, apesar das quedas expressivas que acumulam desde o confinamento. “Negociados a múltiplos muito baratos e pagadores de dividendos, os números dos bancos ainda não se recuperaram totalmente, mas os dados do terceiro trimestre mostraram que o pior ficou para trás”, aponta Breder.

No setor industrial, onde estão listadas as companhias aéreas, a tendência é semelhante. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), que valorizaram mais de 25% na última semana, acompanhando a disparada de seus pares do exterior como a americana Delta Airlines e a alemã Lufhtansa. Mesmo com a recuperação das ações, o setor aéreo ainda apresenta problemas operacionais e financeiros, destaca Breder. Segundo ele, a eventual recuperação do setor é complexa e as ações ainda devem sofrer bastante volatilidade.

Os dois lados do varejo

No varejo, o comportamento é mais complexo, já que parte do comércio fechou as portas por meses, enquanto outra parte deslanchou com as vendas online. Por exemplo, as administradoras de shopping centers Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTA3) e BR Malls (BRML3) subiram ao redor de 20% na última semana, em meio à expectativa de que as vacinas vão reverter o quadro da pandemia. Em 2020, estes grupos ainda recuam entre 30% e 50% acima do Ibovespa.

“O mercado vem precificando um cenário em que os shopping centers não voltarão ao nível pré-pandemia, mesmo com o vírus eventualmente erradicado”, afirma o analista da Easynvest. “Mesmo que esse cenário se concretize, não acredito que isso justifique uma perda de quase metade do valor das companhias no decorrer de 2020. Acredito que o mercado tenha exagerado”, acrescenta.

No ramo do entretenimento global, o movimento foi parecido ao dos shoppings no Brasil: as maiores redes de cinemas do mundo, Cinemark e Cineworld, chegaram a subir mais de 50% e 40% em Nova York após a notícia da Pfizer.

“Diferentemente da América do Norte, os shopping brasileiros tornaram-se mais que ambientes para a realização de compras. Temos entretenimento, serviços, bancos, academia, entre outros – atividades que acabam substituindo parcialmente a importância das compras”, afirma.

Pausa no rali das big techs e e-commerce

Na contramão, os papéis de empresas que deslancharam na crise fizeram o caminho inverso. O Nasdaq, principal índice de tecnologia de Wall Street, foi derrubado pelas big techs — as mesmas que passaram incólumes pela crise, beneficiadas pelas medidas de isolamento contra o novo coronavírus. Foi o caso da Amazon, Alphabet, Facebook e Netflix, nos Estados Unidos, que amargaram perdas consideráveis na última semana.

No Brasil, o mesmo aconteceu com as varejistas que surfaram com o crescimento do comércio eletrônico, em maior parte Magazine Luiza (MGLU3) e B2W (BTOW3), que caíram na última semana mais de 7% e quase 3%, respectivamente. As operadoras de planos de saúde NotreDame Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3) também apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa.

O que é a rotação de setores?

Essa “troca das cadeiras” entre setores é uma velha conhecida do mundo dos investimentos. A rotação setorial é uma estratégia bastante comum no mercado, na qual os investidores aproveitam os ciclos da economia para realizar lucros e buscar “pechinchas” na bolsa. A técnica ficou mais conhecida a partir de 1996, quando Sam Stovall publicou o clássico “Sector Investing”.

Ele explicou como o investidor pode aproveitar os movimentos cíclicos a seu favor. A prática consiste em trocar um grupo de ações da carteira por outro com comportamento oposto. Por exemplo, ao saber que uma vacina contra a covid-19 obteve sucesso, o investidor que comprou ações de tecnologia e varejo eletrônico aproveita para vendê-las com lucro e “enche o carrinho” com papéis de bancos e companhias aéreas, que desvalorizaram muito na crise.

Essa movimentação pode ter sido influenciada pelos investidores institucionais. É comum que os gestores de fundos fiquem de olho os ciclos da bolsa, em busca de ações que ficaram para trás no Ibovespa e se tornaram mais baratas.

E o investidor, como fica?

Segundo Breder, o movimento de retorno à normalidade ainda deve prosseguir por mais alguns pregões. No entanto, ele acredita que o investidor não deve se desfazer das empresas somente devido a uma inversão de fluxo, pois em sua visão muitas empresas de fato aprenderam a ficar mais eficientes durante o período de pandemia.

No comércio eletrônico, por exemplo, Breder defende que, mesmo com uma possível volta à normalidade, quem teve uma boa experiência deve continuar comprando online. “Magazine Luiza e Via Varejo reportaram excelentes resultados trimestrais esta semana e a queda das ações nos últimos dias foi ligada a uma rotação nas carteiras dos fundos, e não devido a uma decepção com os números”, explica.

O analista observa que, por outro lado, muitos setores ficaram bem para trás em 2020 e, apesar dos ventos favoráveis, podem não se recuperar tão cedo. É o caso de bancos, ações de educação, a agência de turismo CVC (CVCB3), aéreas e shoppings.

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