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Economia

FMI melhora com força previsão de crescimento do Brasil este ano a 5,3%

Relatório também aponta que mercados em desenvolvimento que lutam contra o aumento da covid-19 têm redução na projeção de crescimento.

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por

Reuters
Logotipo do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, Estados Unidos. 4 de setembro de 2018. REUTERS/Yuri Gripas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou com força a perspectiva de crescimento do Brasil neste ano, citando a melhora nos termos das trocas comerciais do país, mas ao mesmo tempo reduziu a alta estimada para 2022.

O relatório Perspectiva Econômica Global do FMI, divulgado nesta terça-feira (27), mostrou que o Fundo passou a ver um crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) de 5,3% em 2021, 1,6 ponto percentual a mais do que era estimado em abril.

Entretanto, para 2022 a projeção de crescimento foi reduzida em 0,7 ponto, a 1,9%.
A melhora do cenário do país para este ano ajudou a levar a perspectiva para América Latina e Caribe a um crescimento econômico de 5,8% em 2021, 1,2 ponto a mais do que em abril. A previsão para a região no ano que vem, por sua vez, melhorou em apenas 0,1 ponto, a 3,2%.

“A melhora da projeção para a América Latina e Caribe resulta principalmente de revisões para cima no Brasil e México, refletindo resultados melhores do que o esperado no primeiro trimestre”, disse o FMI no relatório.

Além disso, o Fundo citou repercussões positivas para o México da melhora do cenário para os Estados Unidos e termos comerciais em alta expressiva no Brasil, que tem sido favorecido pela alta dos preços das commodities.

Já a perspectiva para o grupo de mercados emergentes e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, passou a 6,3% em 2021 e 5,2% em 2022, respectivamente de 6,7% e 5,0% antes

A projeção do FMI para a expansão do PIB brasileiro este ano ficou em linha com a do Ministério da Economia feita em meados deste mês. Mas, para 2022, a expectativa do ministério é melhor, a 2,51%.

Já a estimativa de crescimento do PIB na pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central junto a uma centena de especialistas está em 5,29% para 2021 e 2,10% para 2022.

O FMI chamou a atenção para a possibilidade de piora da pandemia e de condições financeiras externas mais apertadas, o que seria um revés grave para a recuperação dos mercados emergentes e em desenvolvimento, levando o crescimento global para abaixo do cenário básico previsto no relatório.

O relatório destacou ainda a inflação elevada esperada para esse grupo de países, relacionada em parte aos altos preços dos alimentos.

“A comunicação clara de bancos centrais sobre o cenário para a política monetária será importante para moldar as expectativas de inflação e proteger contra aperto prematuro das condições financeiras”, disse o FMI.

“Existe, entretanto, o risco de que as pressões transitórias possam se tornar mais persistentes e que os bancos centrais possam precisar adotar ações preventivas”, completou.

Além disso, o FMI manteve sua estimativa de crescimento global de 6% para 2021, melhorando a perspectiva para os Estados Unidos e outras economias ricas, mas, como dito anteriormente, reduzindo as projeções para vários mercados em desenvolvimento que lutam contra o aumento das infecções pela covid-19.

A divergência tem como base acesso melhor a vacinas contra a covid-19 e contínuo suporte fiscal em economias avançadas, enquanto os mercados emergentes enfrentam dificuldades em ambas as frentes, disse o FMI na atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Global.

“Quase 40% da população em economias avançadas foi totalmente vacinada, contra 11% em economias de mercados emergentes e uma pequena fração em países em desenvolvimento de baixa renda”, disse em comunicado a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

“Taxas de vacinação mais rápidas do que o esperado e retorno à normalidade levaram a melhoras (nas projeções), enquanto a falta de acesso a vacinas e novas ondas de casos de covid-19 em alguns países, principalmente na Índia, levaram a reduções”, disse ela.

O FMI aumentou com força suas projeções para os Estados Unidos, esperando agora crescimento de 7,0% em 2021 e 4,9% em 2022, altas de 0,6 e 1,4 ponto percentual, respectivamente, em relação ao relatório de abril.

As projeções assumem que o Congresso dos EUA vai aprovar os US$ 4 trilhões propostos pelo presidente Joe Biden em suporte a infraestrutura, educação e família, como imaginado pela Casa Branca.

Impactos positivos dos planos de gastos dos EUA, junto com avanço esperado na vacinação, elevaram a projeção de crescimento global do FMI para 2022 a 4,9%, 0,5 ponto percentual a mais do que em abril.

O Fundo cortou sua estimativa de crescimento em 2021 para a Índia, que tem enfrentado uma forte onda de infecções neste ano, em três pontos percentuais, a 9,5%. Também reduziu sua projeção para a China em 0,3 ponto percentual, citando redução do investimento público e do suporte fiscal.

Países de baixa renda registraram corte de 0,4 ponto percentual em seu crescimento de 2021, com o Fundo citando a lenta distribuição de vacinas como principal fator que prejudica a recuperação.

O FMI disse que os riscos negativos continuam significativos globalmente, incluindo o potencial de novas variantes altamente contagiosas levando a novas restrições de movimento e redução da atividade econômica.

O FMI ainda disse que vê as pressões inflacionárias como o resultado transitório de “discrepâncias de oferta-demanda” conforme as economias reabrem, com a inflação devendo voltar a faixas pré-pandemia na maioria dos países em 2022. Mas o Fundo alertou que leituras persistentemente altas de inflação podem levar a uma “reavaliação” do cenário de política monetária pelo Federal Reserve e outros bancos centrais em países avançados.

Ações preventivas por esses bancos centrais podem provocar um “impacto duplo” sobre os mercados emergentes, acrescentando saída de capital e condições financeiras mais apertadas como desafios ao crescimento deles.

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