
A declaração do Imposto de Renda, além de ser uma obrigação tributária, também é uma oportunidade de organizar as finanças e revisar rendimentos, despesas e patrimônio. Em 2026, os contribuintes deverão prestar contas à Receita Federal do Brasil sobre os rendimentos recebidos ao longo de 2025 (ano-calendário).
Até o momento, as regras oficiais, prazos e valores atualizados do IR 2026 (ano-base 2025) ainda não foram divulgados pelo Fisco. A expectativa é que a publicação da Instrução Normativa com as regras definitivas ocorra, como de costume, no início de março.
Porém, mesmo antes da divulgação oficial das regras, já é possível se preparar organizando documentos e entendendo as principais etapas do processo. A antecipação é a melhor estratégia para evitar erros, multas e atrasos na restituição.
Assim que a Receita Federal publicar as regras definitivas, será importante conferir os valores atualizados de limites, tabela e prazos. Enquanto isso, confira o guia completo com as orientações gerais para se preparar.
Como declarar o Imposto de Renda 2026?
Preparar e enviar a declaração pode parecer uma tarefa complexa, mas com organização e planejamento é possível simplificar o processo.
1 – Reúna os documentos necessários
Antes de começar, tenha em mãos:
- Informes de rendimentos de salários, aposentadorias e pensões;
- Informes bancários e de corretoras;
- Comprovantes de despesas médicas e educacionais;
- Recibos de aluguel;
- Documentos de compra e venda de bens;
- Extratos de previdência privada;
- Dados de dependentes.
A organização prévia reduz o risco de erros e inconsistências.
2 – Escolha a plataforma de declaração
A declaração pode ser feita por meio:
- Programa Gerador da Declaração (PGD), para computador;
- Aplicativo oficial da Receita;
- Plataforma online pelo portal e-CAC.
A Receita também disponibiliza a declaração pré-preenchida, que importa automaticamente diversas informações já enviadas por empresas, bancos e planos de saúde.
3 – Escolha entre declaração simplificada ou completa
A decisão depende do volume de despesas dedutíveis.
Declaração simplificada
- Aplica desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis;
- Limitado a um teto anual (valor ainda será confirmado para 2026);
- Não exige comprovação de despesas.
Declaração completa
- Permite deduzir despesas médicas, educacionais, dependentes, previdência privada (PGBL), pensão alimentícia etc;
- Despesas médicas não têm limite;
- Educação possui teto anual por pessoa (valor será atualizado pela Receita).
O próprio sistema da Receita realiza a simulação e indica a opção mais vantajosa.
4 – Inclua dependentes (se houver)
Informe corretamente:
- Nome completo;
- CPF (obrigatório);
- Data de nascimento;
- Relação de dependência.
Lembre-se: ao incluir um dependente, todos os rendimentos dele também devem ser declarados.
5 – Informe todos os rendimentos
Devem ser incluídos:
- Salários;
- Aposentadorias;
- Aluguéis;
- Rendimentos de investimentos;
- Ganhos de capital;
- Rendimentos do exterior.
A omissão de rendimentos é uma das principais causas de malha fina.
6 – Declare bens, direitos e dívidas
Inclua:
- Imóveis;
- Veículos;
- Aplicações financeiras;
- Participações societárias;
- Criptomoedas;
- Dívidas e financiamentos.
Os valores devem ser declarados pelo custo de aquisição, e não pelo valor de mercado.
7 – Verifique pendências
Antes de enviar, revise atentamente. O sistema alerta sobre inconsistências ou campos obrigatórios não preenchidos.
8 – Envie dentro do prazo
O prazo oficial ainda será divulgado pela Receita Federal, mas tradicionalmente ocorre entre março e maio. Entregar cedo pode antecipar a restituição.
O que é Imposto de Renda?
O Imposto de Renda é um tributo federal que incide sobre os rendimentos de pessoas físicas (IRPF) e jurídicas (IRPJ).
No caso do IRPF, ele é calculado com base nos ganhos obtidos ao longo do ano: salários, aluguéis, investimentos, pensões e outras fontes.
A declaração anual serve para apurar:
- Se houve imposto a pagar;
- Se o contribuinte tem direito à restituição.
Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026?
As regras oficiais ainda serão divulgadas.
Em 2025 (ano-base 2024), foi obrigado a declarar quem, entre outros critérios:
- Recebeu rendimentos tributáveis acima do limite anual estabelecido pela Receita;
- Recebeu rendimentos isentos acima de determinado valor;
- Realizou operações em bolsa acima de limites específicos;
- Teve ganho de capital na venda de bens;
- Possuía bens acima de determinado valor;
- Obteve rendimentos no exterior;
- Passou à condição de residente no Brasil.
Os valores de corte para 2026 (ano-base 2025) serão confirmados pela Receita Federal.
O que acontece se atrasar a declaração?
O atraso gera:
- Multa de 1% ao mês sobre o imposto devido;
- Valor mínimo de multa (definido pela Receita);
- Limite de até 20% do imposto devido;
- CPF com status pendente de regularização.
Mesmo em atraso, é fundamental enviar a declaração para evitar maiores complicações.
Tabela do IR 2026
A tabela progressiva aplicável aos rendimentos de 2025 ainda não foi oficialmente confirmada pela Receita Federal para fins de declaração de 2026.
Caso haja atualização nas faixas de isenção ou alíquotas, os valores serão divulgados junto às regras oficiais.
Documentos necessários
Tenha organizados:
- Documentos pessoais (CPF, comprovante de residência, dados bancários);
- Informes de rendimentos do empregador;
- Informes de bancos e corretoras;
- Comprovantes de despesas médicas;
- Comprovantes de educação;
- Documentos de bens e financiamentos;
- Recibos de aluguel;
- Extrato do Carnê-Leão (para autônomos);
- Informações sobre investimentos no exterior.
O que pode ser deduzido?
Em regra, podem ser deduzidos:
- Despesas médicas (sem limite);
- Educação (com teto anual por pessoa);
- Dependentes;
- Previdência privada do tipo PGBL (até 12% da renda bruta tributável);
- Pensão alimentícia judicial.
Os limites específicos para 2026 serão divulgados pela Receita.
Como consultar a situação da declaração?
Após o envio, o acompanhamento pode ser feito pelo portal e-CAC no site oficial da Receita Federal. Lá é possível:
- Verificar se caiu na malha fina;
- Consultar pendências;
- Acompanhar restituição;
- Retificar a declaração.
Utilize apenas canais oficiais.
Como funciona a restituição?
A restituição ocorre quando o contribuinte pagou mais imposto do que o devido ao longo do ano.
O pagamento:
- É feito em lotes;
- Segue ordem de prioridade legal;
- É corrigido pela taxa Selic.
Contribuintes que entregam antes e utilizam a declaração pré-preenchida ou Pix costumam ter prioridade maior, conforme regras recentes.
Dicas para não cair na malha fina
- Não omita rendimentos;
- Confira CPF de dependentes;
- Informe corretamente investimentos;
- Diferencie IRRF de imposto total devido;
- Guarde recibos por pelo menos 5 anos;
- Revise antes de enviar.
Leia também: