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Guia Financeiro

Mercado de opções: o que é, como funciona e como investir?

Saiba como proteger seu patrimônio contra oscilações ou ganhar dinheiro com especulação no curto prazo.

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Opções

Para quem opera na bolsa de valores há algum tempo, o termo opções deve soar familiar. Este tipo de operação também é negociado na B3 e muitas vezes está atrelado a ativos de renda variável como ações. Segundo Luiz Mauricio da Silva, professor de finanças, consultor e autor do livro 'Mercado de Opções: Conceitos e Estratégias', no mercado de opções é possível também negociar contratos de opções sobre índices de ações, moedas, taxas de câmbio e juros, commodities, ETFs e até criptoativos.

A questão é que existem dois objetivos básicos para este tipo de negociação: proteger seus investimentos via hedge ou ganhar dinheiro com especulação no curto prazo.

O que é o mercado de opções?

Segundo Sidney Lima, analista da Top Gain, o mercado de opções é aquele no qual negociamos algum direito ou obrigação, referente a um ativo financeiro. “O mais comum são ações”. Para operar no mercado de opções, não é preciso ser um investidor qualificado. Qualquer investidor pessoa física pode optar por negociar opções desde que tenha um certo conhecimento de renda variável e dos riscos deste tipo de ativos.

Luiz Mauricio da Silva explica que ao comprar uma opção, o investidor ganha o direito de comprar ou vender o ativo no futuro, sendo negociado no mercado de referência por um preço determinado, para realizar a venda em uma data prefixada (opção do tipo europeia) ou em um prazo determinado até a data do vencimento (opção americana).

Como mencionado no inicio deste guia, existem opções de diversos ativos, de índices até câmbio, juros e ETFs. Mas o mais comum no Brasil é a negociação de opções de ações, como é o caso de opções da Petrobras (PETR3; PETR4), opções da Vale (VALE3) ou até do próprio Ibovespa.

Como funcionam as opções de compra (call) e venda (put)

Um dos primeiros passos para entender este mercado é entender os conceitos de call e put. Sidney Lima explica:

  • Call: negociação de um direito de compra de um ativo
  • Put: negociação do direito de venda de um ativo.

Luiz Mauricio da Silva aponta que de acordo com estes conceitos, o titular ou comprador de uma opção no mercado financeiro tem sempre o direito de comprar uma call ou vender uma put no preço do exercício, enquanto o lançador ou vendedor tem sempre a obrigação de vender a call ou comprar a put para o comprador pelo preço do exercício, ou caso o comprador não queira exercer seu direito.

“No call ou opção de compra, o comprador tem o dinheiro e o lançador tem o ativo. Já no put, ou opção da venda, o comprador tem o ativo e o vendedor tem o dinheiro”, explica.

A partir deste entendimento, surgem quatro situações básicas que podem auxiliar o investidor a montar uma estratégia de opções. Segundo Luiz Mauricio, seriam as seguintes:

  • Long call: é a compra de uma opção de compra, na qual o titular fica comprado.
  • Short call: é a venda de uma opção de compra, na qual o lançador fica vendido.
  • Long put: é a compra de uma opção de venda, na qual o titular fica vendido.
  • Short put: é a venda de uma opção de venda, na qual o lançador fica comprado.

“Entender como funcionam estas 4 situações é fundamental para montar estratégias e empregá-las em uma determinada situação de mercado, para ter sucesso ou rentabilidade”, reforça ele.

Como funciona o mercado de opções

No mercado de opções, quem realiza a compra sempre terá o direito de comprar ou de vender um ativo. Já quem assume a posição de vendedor tem sempre a obrigação, mas para isso recebe dinheiro.

Segundo Luiz Mauricio da Silva, no universo das opções, as estratégias utilizadas são diversas e muitas vezes combinam os quatro cenários citados anteriormente, mas é preciso ter em conta que o uso correto de cada oportunidade em cenários em que o mercado está em alta ou queda, além de quando este direito pode ser utilizado, de acordo com os tipos de opções.

Para isso, existem diversas classificações para o mercado de opções. Elas podem ser divididas em:

  • Classe do direito: opções de compra ou direito de comprar (call options) ou opções de venda ou direito de vender (put options).
  • Momento de exercer o direito: se refere ao tempo em que uma opção permanece ‘viva’ desde seu lançamento até a data de vencimento ou expiração. Neste cenário, há as opções europeias, em que o direito do comprador só poderá ser exercido na data de vencimento ou expiração do contrato de opção. E as opções americanas, nas quais o comprador pode exercer seu direito a qualquer momento, desde a data do lançamento da opção até a expiração desta. Este segundo tipo é o mais utilizado nas bolsas que negociam ativos como ações.
  • Mercado de ativo subjacente: determina a formação do preço ou prêmio negociado pelo investidor, que podem ser opções sobre o ativo à vista ou opções spot e opções sobre futuros.

Além destas classificações, ele cita que, de acordo com o tipo de ativo, o contrato da opção também muda. Desta forma, é possível encontrar: opções de ações, de índice de ações, de divisas ou moedas, taxas de câmbio, taxas de juros, commodities, ETFs e opções de criptoativos, restando ao investidor escolher quais são os melhores investimentos.

Opções de ações x opções binárias

Para Sidney, da Top Gain, existe uma clara diferença entre opções de ações e opções binárias.

O mercado de opções é um mercado regulado e fiscalizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com diversos órgãos monitorando as operações. Desta forma, os investidores podem negociar direitos e obrigações relacionados a alguma ação dentro da própria bolsa de valores.

Já no mercado de opções binárias, não existe uma regulação brasileira para monitorar estas operações. Segundo o analista, é um mercado de apostas com sede em paraísos fiscais. Pela ausência de regulamentação, se houver qualquer problema com o investimento, será inviável reclamar ou procurar ajuda. “As opções binárias são muito utilizadas por suspeitos de lavagem de dinheiro, devido à dificuldade de rastreio de suas fontes”, afirma.

Ambas são operações muito arriscadas, mas no caso das binárias, o investidor pode apostar na queda ou na alta do preço de um ativo. Se este preço segue o rumo previsto, o investidor ganha, mas se for no sentido contrário, existe o perigo de perder todo o recurso investido. Sidney alerta que muitas pessoas já foram à falência por este tipo de operações binárias.

Como proteger a carteira com investimento em opções?

Luiz Mauricio da Silva explica que, quando compramos uma opção, existem dois tipos de risco inseridos nesta operação.

O primeiro é o risco específico, não sistemático ou diversificável e o segundo é o risco de mercado que é sistemático e não diversificável.

Então, ele explica que o risco específico está relacionado ao da própria empresa que emitiu as ações ou ao setor que esta pertence. Já o risco de mercado é a parcela de risco embutida na ação que está relacionado ao mercado em geral e pode ser afetado por questões diversas, sejam fiscais, monetárias, ou influências do exterior.

Por este motivo, muitas vezes uma ação pode subir ou cair não necessariamente por fatores inerentes à empresa e sim porque todo o mercado acionário está em alta ou queda. As opções surgem como uma alternativa para proteger seus ativos (hedge) diante destas oscilações ou movimentos especulativos.

Então, por exemplo, em casos de incertezas do mercado, Sidney, da Top Gain, aponta que o investidor pode comprar uma opção put, que lhe da o direito de vender determinada ação no futuro por um preço pré-definido.

“Fazendo uma analogia seria algo como o seguro de um carro, você compra o direito de estar protegido caso ocorra alguma catástrofe com seu patrimônio”, explica. Da mesma forma, se ocorrer algo que faça uma ação se desvalorizar, o investidor terá o direito de vender esta por um preço muito maior do que o valor negociado no mercado, graças a aquisição da opção put.

Luiz Mauricio reforça dentro desta estratégia defensiva de uma carteira de investimentos, a possibilidade de comprar uma opção de índice, que tem a finalidade de retratar o comportamento do mercado acionário como um todo.

Segundo ele, o mercado de opções de determinado índice deve ser equivalente às opções da carteira de ações teóricas deste. “Basta considerar o valor do índice como sendo o preço desta carteira e negociá-lo como um ativo qualquer”, aconselha.

Como funciona o vencimento das opções em 2021

Segundo os especialistas consultados, o vencimento das opções obedece a um Manual de Procedimentos Operacionais com regras de negociação da bolsa de valores. Desta forma, na B3, a bolsa brasileira, o vencimento das opções ocorre sempre na 3ª sexta-feira de todo mês.

Após essa data, a série da opção deixa de existir. Os códigos das opções têm uma relação direta com este vencimento e o tipo de opção e são representados por uma letra.

Mês de VencimentoOpção de CompraOpção de Venda
Janeiro AM
FevereiroBN
MarçoCO
Abril DP
Maio EQ
JunhoFR
JulhoGS
AgostoHT
Setembro IU
OutubroJV
NovembroKW
Dezembro LX

Códigos das opções de ações

Sidney Lima explica que o código de uma opção está composto por três elementos:

  • Código da ação: representado por 4 letras
  • Tipo de opção e vencimento: que determina se a opção é de compra ou venda e o mês de vencimento (calendário acima).
  • Strike: número que representa o preço em que a pessoa terá o direito ou obrigação de comprar ou vender esta ação no futuro.

Luiz Mauricio da Silva cita um exemplo. Suponhamos que o investidor compre a opção PETRG46. Isso significa que ele adquiriu uma opção de compra (call) e fez um investimento em ações da Petrobras (PETR) com vencimento no mês de julho e com o preço de exercício de R$ 46.

Desta forma, ele terá o direito de comprar a ação da Petrobras por R$ 46 na 3ª sexta-feira do mês de julho.

Sidney Lima também cita outro exemplo: se o investidor adquirir uma opção de venda da Vale com vencimento em agosto e o preço de exercício de R$ 100, o código seria o seguinte: VALET100.

Desta forma, quando chegar a 3ª sexta-feira do mês de agosto, ele terá o direito de vender a ação pelo preço de R$ 100.

Mas se o investidor não comprar nem vender por achar que levará prejuízo, a opção ‘vira pó’

Estratégias de opções

O analista da Top Gain cita algumas estratégias comuns no mercado na hora de operar com opções:

  • Lançamento coberto ou venda coberta: quando o investidor tem ações de determinada empresa e todos os meses fica vendendo para outras pessoas o direito destas comprarem tais ações (call). Ele exemplifica, se o investidor comprou ações da Vale por R$ 100, ele pode vender o direito para outra pessoa comprar esta ação mês que vem por R$ 105. Mas para isso, a pessoa terá que pagar uma taxa, por exemplo de R$ 3 por ação, para garantir o direito de venda das ações. Segundo Sidney Lima, o risco é amenizado, porque quando o investidor comprou a ação já existia o risco de desvalorização, mas as pessoas vão comprar as ações pelo preço acordado todo mês, uma forma de geração de renda.
  • Operações a seco: é quando o investidor compra uma call (opção de compra) e adquire o direito de comprar uma ação. Suponhamos que os papéis da Vale estão sendo negociados a R$ 100 atualmente e o investidor tem a expectativa de que subam até R$ 110, ele pode ir ao mercado tradicional e comprar a ação por R$ 100 e caso ela valorizar até R$ 110, seu ganho será de R$ 10. Mas também existe a possibilidade de comprar uma opção de compra (call), e gastar por exemplo R$ 3 com preço strike de R$ 100. Se Vale chegar a R$ 110, o investidor terá o direito de compra por R$ 100. Então ele terá pago apenas R$ 3 para garantir o lucro de R$ 10. “O que é melhor, ganhar R$ 10 gastando R$ 100 ou gastando R$ 3”, questiona Sidney, segundo ele este é o motivo porque o mercado de opções atrai muitos investidores. Mas também existe o risco que se chegando a data de vencimento a ação valer menos de R$ 100, o investidor perde o dinheiro aportado na opção.
  • Compra de put: para quem tem receio de uma possível desvalorização do mercado há ainda a possibilidade de proteger seu patrimônio por meio de uma put que é um direito de venda de uma ação. Ele exemplifica, se o investidor comprou as ações da Vale a R$ 100 cada, mas acredita na possibilidade destas despencarem ele pode adquirir uma opção put, com preço de R$ 100. Então, suponhamos que o mercado despenca e a ação da Vale desaba até o preço de R$ 50, o investidor ainda terá o direito de vender seus papéis a R$ 100 por causa de ter adquirido a opção put.

Vantagens e riscos de investir em opções

Entre as vantagens de investir em opções, Sidney Lima cita o fato de garantir a valorização de um ativo, porém gastando menos, tomando como base o exemplo da Vale, em que o investidor gastaria apenas R$ 3 para ver se a ação anda.

No caso da desvalorização, tem a possibilidade de vender um ativo por um valor muito superior ao do mercado. Segundo Sidney, todas são ótimas opções para rentabilizar o patrimônio mas quanto maior o retorno maior o risco, desta forma assim como é possível obter lucros expressivos também o prejuízo pode ser de 100% quando as opções viram pó.

A alternativa é destinada a um perfil de investidores experientes, que conhecem o mercado de renda variável e sabem lidar com riscos elevados.

Luiz Mauricio também aconselha os investidores que, antes de entrar neste tipo de negociação, estudem os conceitos e se familiarizem com as operações do mercado de opções. “É importante que eles enxerguem que o risco de perda em opções é substancial e nem todos os investidores estão preparados financeiramente para suportar isso”, adverte.

Ele destaca que quando se trata de estratégias a descoberto ou com potencial de risco ilimitado de perdas, o prejuízo pode ser maior.

Como investir em opções

Para investir em opções, será necessário abrir uma conta em uma corretora, que intermedia estas operações na bolsa de valores. Depois, será possível negociar as opções via home broker.

Na sequência é importante definir que tipo de estratégia de opções pretendemos utilizar nesta operação e quais são os nossos objetivos: proteção ou ganhos com especulação. Isso mudará a forma de operar.

Além disso, os especialistas destacam a importância de estudar, acompanhar os mercados e ficar bem informado. Segundo Luiz Mauricio, hoje é possível encontrar programas com sistemas de análise gráfica, simulações, notícias do mercado, além de disparar alarmes de compra ou venda.

Também é possível encontrar em algumas plataformas a evolução das commodities, moedas, índices de ações de bolsas estrangeiras como Dow Jones, Nasdaq, DAX, BSE Sensex, FTSE 100, CAC 40 e até o Ibovespa.

“Todas estas ferramentas serão fundamentais para operar com velocidade, analisando as informações e tomando decisões de negociação”, aponta.

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