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Varejo em baixa, mineração forte: o que esperar dos balanços do 4º trimestre

Especialistas estimam que receita das empresas suba na comparação anual, mas lucro por ação deve cair.

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Ibovespa sobe, de olho em alta de minério de ferro e petróleo; dólar avança
Terminal de minério de ferro no porto de Dalian, China 21/09/2018 REUTERS/Muyu Xu

A alta das commodities deve garantir mais uma temporada de balanços positiva para as empresas de óleo e gás, mineração e siderúrgicas, enquanto o varejo deve apresentar, em geral, números fracos do 4º trimestre de 2021, com exceção dos shoppings. É o que esperam especialistas ouvidos pelo InvestNews sobre a divulgação dos resultados que começou na última semana.

Cielo (CIEL3), Santander (SANB11) e BB Seguridade (BBSE3) deram largada à temporada de balanços do 4º trimestre de 2021. Nesta semana, estão previstos resultados de Porto Seguro (PSSA3), Brasil Agro (AGRO3), Bradesco (BBDC4), Suzano (SUZB3), Multiplan (MULT3), Itaú (ITUB4), CESP (CESP6), Lojas Renner (LREN3) e Engie (EGIE3). Veja o calendário completo.

Cenário

O cenário doméstico dificultou o desempenho das companhias no último trimestre do ano passado. Nesse período, o principal indicador da bolsa brasileira, o Ibovespa, caiu 5,5%. “Incertezas em torno da trajetória fiscal e da alteração do teto de gastos, pressões inflacionárias que levaram a taxas de juros mais altas, projeções de crescimento econômico mais baixas para 2022 e tensões políticas crescentes pressionaram ativos brasileiros”, apontaram Fernando Ferreira, estrategista chefe e head do research da XP Investimentos, Jennie Li, estrategista de ações, e Rebecca Nossig, analista de estratégia de ações, em relatório.

Por conta dessa deterioração econômica, a XP aponta que o mercado espera uma queda do Lucro por Ação (LPA) das empresas do Ibovespa em 15,1%, em relação ao mesmo período de 2020. “Mesmo com a alta nos preços de algumas commodities, como o minério de ferro e petróleo, as projeções de lucros para daqui a 12 meses, 2023 e 2024, começaram a estagnar e cair marginalmente”.

Já em relação ao lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês), a expectativa é de uma alta de 18,6%, enquanto a receita deve sofrer uma desaceleração em relação ao terceiro trimestre, mas ainda com um “sólido” crescimento de 26,3%, pontuaram os analistas em relatório.

Rafaela Vitória e Gabriela Cortez Joubert, analistas do Inter, também afirmaram que o ano de 2021 foi de grandes desafios e que, apesar de alguma retomada econômica, não foi possível observar o mesmo otimismo nos preços de “tela” das ações. Com isso, lembraram as analistas, o Ibovespa amargou perda de quase 12% no acumulado do ano enquanto pares internacionais bateram recordes.

Por outro lado, a dupla espera que o quarto trimestre traga ainda resultados “fortes”, com receitas em patamares elevados, apesar das pressões de custos e inflação, o que deve manter as margens ainda em níveis confortáveis. “Contudo, os indicadores econômicos do período já apontam desaceleração à frente, mostrando que o primeiro semestre de 2022 deve trazer desafios adicionais a já esperada volatilidade em ano eleitoral”.

A equipe da Genial, por sua vez, estima que os resultados do quarto trimestre sejam marcados por uma manutenção dos volumes, mas com margens ainda pressionadas. “O problema das cadeias produtivas ainda deve estar presente e, quando olhamos para questões internas, acreditamos que os impactos de uma taxa de juros mais alta (Selic) afetarão os resultados financeiros das companhias”, escreveram Felipe Villegas, estrategista de ações, e Ygor Araújo, analista dos setores de indústria e transporte.

Setores: os balanços para ficar de olho

Os analistas da Genial afirmaram que os setores mais sensíveis aos juros devem apresentar resultados mais fracos, enquanto empresas exportadoras devem ainda apresentar bons resultados e boa geração de caixa por conta dos preços ainda elevados e demanda constante.

Veja abaixo a expectativa de especialistas para diferentes setores:

Bancos: lado positivo e negativo

Para o setor bancário, a expectativa da Genial é que os dados sejam positivos. Do lado positivo, a casa espera expansão da margem com clientes, alíquotas efetivas de imposto mais baixas para todo o setor e melhora da rentabilidade das unidades seguradoras.

No entanto, do lado negativo, os analisas apontaram que pressão nas despesas, retração da margem com o mercado, desaceleração do crescimento da carteira de crédito e elevação da inadimplência e de provisões devem desacelerar o crescimento dos lucros. “Entre os bancos grandes, o nosso favorito para enfrentar o cenário de incertezas de 2022 é o Bradesco“, reiterou a casa em relatório.

Já a XP espera que os bancos apresentem resultados sólidos, se beneficiando do aumento das taxas de juros.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, aponta que a elevação do spread (diferença entre os juros que os bancos pagam e as taxas que cobram dos clientes) deve levar a “um aumento de receita por parte dos bancos”, mas alerta que é preciso “olhar para a questão de provisão para devedores duvidosos”. 

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, diz que “o nível de inadimplência da carteira de crédito deve permanecer baixo para todos os bancos, porém a gente já deve observar queda nas receitas em investment banking e tesouraria”.

Entre os grandes bancos, o analista aponta que “o Itaú (ITUB4 e ITUB3) foi o primeiro a posicionar para um cenário desafiador, enquanto que Santander (SANB11) adotava uma postura mais agressiva na concessão de crédito”.

Veja mais sobre as estimativas para os bancos.

Varejo: perspectivas negativas

Esse deve ser o destaque negativo da temporada de balanços do 4º trimestre, segundo a previsão de analistas.

João Beck, economista e sócio da BRA, comenta que “com o contínuo aperto na taxa de juros tanto no Brasil quanto no exterior e com alguns dados de atividade que já mostram redução da atividade local, as projeções de lucros começam a cair. As empresas mais sensíveis a crédito divulgarão um balanço mais deteriorado.”

“O setor que deve se destacar negativamente é o varejo e assimilados”, diz Beck, listando entre os mais prejudicados os segmentos de e-commerce, supermercados (atacarejo) e bebidas.

Já Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio também da BRA, aponta que “as empresas de varejo devem mostrar desempenhos diferentes de acordo com o segmento”.

“As varejistas de alta renda, cujo último trimestre do ano já costuma ser sazonalmente mais forte, sofrem menos com a deterioração da atividade econômica. Já as empresas focadas na renda mais baixa podem exibir números mais fracos, com a inflação e aumento dos juros se refletindo sobre os negócios”, compara Nishimura.

Shoppings: um caso à parte

imagem decorativa: vendas no varejo dos EUA
Loja de roupas em shopping em São Paulo 11/06/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

Embora as expectativas para o varejo em geral sejam negativas, para os shoppings a análise é diferente entre muitos especialistas.

Fabrício Gonçalvez, ceo da Box Asset Management, diz que “os shoppings têm a perspectiva de apresentarem incremento nos balanços pela maior reabertura da economia, depois da vacinação em massa no país”.

Komura, analista da Ouro Preto, lembra que “as vendas da Black Friday não empolgaram muito o setor, mas as vendas de dezembro foram fortes”, e que “as companhias que divulgaram prévia operacional mostraram que os resultados, no geral, já superam o nível de 2019″.

“As vendas se recuperando permitem que os shoppings repassem os reajustes nos aluguéis para os lojistas. Além disso, por terem ativos de alta qualidade, as companhias listadas devem apresentar baixo nível de inadimplência e alto nível de ocupação”, analisa Komura, acrescentando que “os principais impactos negativos da variante ômicron devem afetar os resultados do primeiro trimestre de 2022”.

A XP espera que, com a vacinação em massa e a maior flexibilização das restrições, os shoppings apresentem resultados positivos em seu desempenho operacional.

Óleo e gás: mais um trimestre forte

Nishimura, da BRA, comenta que “o consenso do mercado aponta para mais um trimestre forte para as empresas de óleo e gás, devido ao aumento do petróleo, aliado à desvalorização do real.”

“Isto poderia se refletir em forte geração de caixa para a Petrobras (PETR3 e PETR4), que também conta com os recebíveis dos desinvestimentos, como a venda da refinaria Landulpho Alves”, acrescenta.

Komura, da Ouro Preto, também destaca que “temos o barril de petróleo negociando em patamares elevados e com tendência de alta”. “As empresas ligadas à commodity devem se beneficiar, principalmente as juniores – 3R Petroleum (RRRP3), PetroRio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3). A Petrobras deve gerar resultado muito bom, mas os preços das ações podem sofrer com as incertezas”, compara o analista.

Mineração: susto com a China passou?

Jansen Costa, da Fatorial, diz que a “queda no preço do minério que deve pressionar os resultados comparados com o terceiro trimestre”, mas a alta do dólar deve propiciar “uma ótima geração de caixa das empresas de mineração”. 

Komura aponta que as commodities metálicas sofreram no semestre de 2021 “por causa da China, que estava adotando medidas para reduzir a dependência de estímulos, porém o setor imobiliário – consumidor de aço – não reagiu bem”.

“Em dezembro, o governo começou a mudar o discurso e passou a sinalizar que continuará provendo estímulos para não haver mudança brusca, já foi possível observar aumento na produção de aço. A maior demanda por minério para a produção de aço foi benéfica para a Vale (VALE3), além do aumento da produção que deve ser direcionado para o consumo interno. Isso permite que os preços do aço continuem alto no mercado global, o que beneficia as siderúrgicas“, analista Komura.

Sobre as siderúrgicas, a XP destaca que, mesmo com a queda nas vendas domésticas e a contração de margens devido ao aumento no custo com carvão, os preços ainda estão em patamar elevado, beneficiando os resultados.

Saúde: antes do aperto da ômicron

Nishimura diz que “os analistas do setor de saúde também esperam que haja pressão das margens operacionais, em período de menor força da pandemia, já que a ômicron chegou no final do período, enquanto houve menor taxa de ocupação nas operadoras hospitalares, melhores sinistralidades (mesmo que em nível mais alto do que anteriormente à pandemia) e frequências de laboratório mais baixas (o que desacelera o crescimento da receita e pressiona as margens).”

Já as farmácias devem ser destaques positivos, segundo a XP, uma vez que as companhias devem se beneficiar da demanda mais forte por medicamentos e testes de covid durante o trimestre, devido à disseminação da variante ômicron e do surto de influenza.

Educação: incertezas persistem

Nishimura, da BRA, diz que “o setor de educação pode apresentar resultados fracos, uma vez que a receita das empresas deve subir levemente, ao passo que houve pressão nas margens”.

Komura complementa que, “apesar das companhias conseguirem se adaptar ao digital, o número de alunos matriculados não deve se recuperar até que as aulas presenciais voltem”. Ele pontua que “companhias que atuam em segmentos resilientes, como curso de medicina, e que têm cursos de qualidade devem mostrar maior retenção dos alunos, assim como menor nível de inadimplência“.

ESG

Para a nova temporada de resultados, a XP espera que as empresas continuem dando importância crescente à agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) e evoluindo na divulgação de dados por meio de seus relatórios e teleconferências.

“Embora haja claramente muito a ser feito sobre o assunto, do lado positivo, em 2021 vimos uma mudança, uma aceleração significativa na busca por investimentos ESG e esperamos que esse movimento persista e evolua ainda mais neste ano, o que acreditamos que será evidenciado ao longo desta temporada de resultados, pelo foco cada vez maior das empresas na adesão de uma agenda ESG”, escreveram os analistas da casa.

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